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Bijux in the box - Tô vendo

Castas cariocas

Quando a novela é boa, dá assunto, capas de revista, fofocas nos sites. Essa Avenida Brasil é boa, como outras já foram: Celebridade, A Favorita, Cordel Encantado, dezenas delas! Mais ainda, essas novelas mostram como temos bons atores e atrizes! Adriana Esteves e Débora Falabella dão show de interpretação, Murilo Benício é garantia, sempre, de cenas excelentes, Vera Holtz impecável, até o Zé de Abreu consegue ser convincente. É o texto, gente! Tudo está no texto – combinado, claro, com direção e produção.

Quem gosta de novela sabe: a gente entra na trama, como no cinema, com a vantagem de ter o show todo dia, e surpresas o tempo todo. O texto do João Emanuel Carneiro é ótimo. Mas ele acabou por exagerar numa coisinha: as comparações entre Zona Sul e Zona Norte. A socialite da Deborah Bloch fala do pessoal da ZN toda afetada, chama de suburbano, diz que “daqui a pouco vou dividir o elevador com um sujeito de camisa regata, chinelo e lata de cerveja na mão”.

Faço questão de informar o João Emanuel que o que mais se vê na ZS são sujeitos de regata, havaianas e cerveja na mão! Nunca viu, não? Ninguém na ZS liga a mínima se a pessoa é de lá ou da ZN. Ninguém olha de cima, como disse a Mona Lisa. Pelo menos as pessoas normais, do povo. E o pessoal das coberturas da Vieira Souto e Delfim Moreira não tá nem aí pro jeito de se vestir, beber ou falar do subúrbio.

Por outro lado, o povo da ZN dificilmente fala da ZS como um sonho a ser realizado. Pra ser sincera vejo o pessoal da ZN muito satisfeito com a vida do subúrbio, com seus amigos, seus exageros de comportamento, suas risadas, seu modo alegre de viver entre família e amigos.

O Rio abraça todas as castas cariocas: a dos desvalidos, a dos menos abonados, a do samba e do pagode, a das meninas do funk, a das patricinhas, dos mauricinhos, a dos muuuuito abonados, cheios da grana. E a dos turistas, que, aliás, apreciam no Rio exatamente esta convivência alegre!

OBS – Pensaram que eu ia falar sobre a castidade (????) das mulheres cariocas? Enganei um bobo… as castas aqui são as classes sociais, morou?

Eu vi…

Crime

É preciso pôr um fim ao assassinato em série das preposições. Ouço na TV: respondeu processo; sai cinco reais; daqui dois anos. Socorro, professora Carmem Pimentel!

Para o quê?

Dói nos meus ouvidos cada vez que ouço a expressão Jogos Paralímpicos. Acho que isso só acontece na Globo, mas temo que seja tendência geral. Ora, os jogos são, na sua essência, Olímpicos. Muito antes de serem Para, são Olímpicos! Que que há? A organização dos jogos é que adotou essa expressão, ou foram os gerentões do jornalismo – com medo de ver a Patrícia Poeta e outros apresentadores enrolarem a língua na hora de dizer Paraolímpicos? Não faz o menor sentido. E dói nos ouvidos da gente.

Bom dia, boa tarde, boa noite, amor

Praticamente todos os telejornais adotaram de algum tempo para cá esse negócio de dizer bom dia, ou boa noite, para os repórteres. Aí fica assim: bom dia (ou boa tarde, ou boa noite), Fulaninho! E ao responder, em vez de ir direto às notícias ( que eles também preferem chamar de “informações”, aaargh!), o repórter se vê obrigado a responder. Alguns ainda esticam a coisa, como o excelente repórter Heraldo Pereira, do Jornal da Globo, que acrescenta “… boa noite também para você que prestigia com sua audiência este jornal etc. etc.” Lembram como era antes? Chamava-se o repórter – sem nenhum cumprimento temporal – e este ia logo desfiando sua pauta. Esses cumprimentos são uma coisa meio falsa, pois todos sabemos que antes do jornal ir para o ar todos se falam, trocam figurinhas, são pautados para dar as novas do dia. Se o cumprimento é para nós, telespectadores, melhor que seja apenas o boa noite inicial e o final!

*Bijux é Marilza Bigio, jornalista e telespectadora fiel

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Publicado em – Edição 110
Coragem, Record!
Publicado em – Edição 109
Sinal dos tempos?
Publicado em – Edição 108
Dá-lhe, delegada!
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