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Arlanza Crespo - Quem é Quem

Isso aqui é o meu playground!

Cada vez mais me certifico de que estou no caminho. Explico melhor: quando comecei a trabalhar com os idosos não poderia imaginar que o retorno seria tão gratificante! O “Quem é quem” da edição anterior foi com Castorina, 100 anos de idade, com quem tenho o privilégio de conviver na Casa de Betânia, onde sou voluntária. Agora estou aqui no Espaço Brechicafé entrevistando Maria Lygia, no alto de sua jovialidade quase octogenária, num lugar super-charmoso e chique, nesse bairro que (dizem) tem mais idosos: Copacabana.

Maria Lygia Silva Magalhães Costa nasceu no Rio de Janeiro, em Quintino. Tem três filhos e quatro netos. Foi professora, trabalhou na Secretaria de Educação, fez mestrado na Fundação Getúlio Vargas, até que se aposentou. Mas os amigos, vendo que ela não conseguiria ficar parada, chamaram-na para o Lyons Clube. Começou então com um brechó na Barra da Tijuca para angariar recursos para os trabalhos sociais. Só que um dia se muda para o Jardim Botânico e como ficava cansativo ir para a Barra todos os dias resolve abrir uma loja no Shopping Cidade Copacabana, na rua Siqueira Campos. Desvincula-se do Lyons, passa a se dedicar integralmente à loja e prioriza a terceira idade. No princípio era só brechó, mas no dia da inauguração chegou um casal de músicos que perguntou se ela não queria uma “musiquinha”. Ficaram. A coisa foi crescendo, chegando mais gente e hoje o happy hour é uma realidade e um sucesso.

Dona Lygia

Por Paulo Wagner

“Tenho a facilidade de agregar pessoas” me diz Maria Lygia. O brechó cresceu e se consolidou em três pontos: moda, com roupas “vintage”, peças únicas e higienizadas; a gastronomia, com uma cafeteria onde serve doces, salgados e lanches; e as artes, com a música ao vivo e a divulgação de peças do teatro. “E quem nos proporcionou tudo isso?” continua ela…”foram os idosos. Isso aqui é o meu playground!”

É claro que o espaço é um comércio, não pode se sustentar só por caridade. Mas ela sabe da importância do seu trabalho social, que atinge uma faixa etária que a sociedade não está sabendo como lidar: os novos velhos. Maria Lygia promove de dois a três desfiles por ano, com modelos profissionais levadas pela estilista e frequentadoras da loja que queiram desfilar. As roupas são do próprio brechó, e este ano Maria Lygia derrubou um preconceito colocando “uma gordinha” para desfilar também.

O happy hour é todas terças e quintas-feiras, das 17h às 20h, e é gratuito. Tem música ao vivo com profissionais efetivos como o tecladista, a cantora e os percussionistas. Mas também tem os que vão chegando e dão “aquela canja”.

Maria Lygia não para e a loja é a razão da sua vitalidade. É jovem, lida bem com todas as mídias e o tempo em que fiquei lá, entrevistando-a, percebi o carinho que as freguesas têm com ela. Toda hora chegava alguém para dizer coisas lindas, mas o comentário que eu mais gostei foi o de uma senhorinha que disse: “Os anjos do céu devem comer daquele bolo”, referindo-se ao bolo servido no último evento.

Vou virar frequentadora!

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