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Sandra Jabur Wegner

Natação x treinamento de salvamento

Sabemos que a superfície da terra é composta de ¾ de água. Desde o início da civilização, os pequenos povoados se formavam perto ou ao redor de rios, lagos, nascentes ou mares. Podemos ficar sem alimento, mas não sem água. A água é fundamental à sobrevivência humana. O corpo humano também é constituído de 75% de líquido: raquiano, sangue, linfa, água etc. É muita consciência, concorda? O bebê fica imerso dentro da placenta envolvido no líquido amniótico durante nove meses e muitos partos foram realizados dentro d’água. A nossa relação com a água e o prazer de estar dentro dela é muito grande.

Os povos primitivos nadavam por instinto, utilizavam a natação utilitária para fugirem de animais, pescarem. Os animais nadam por instinto, nunca aprendem a nadar e conseguem sobreviver, atravessar rios, lagos. O homem moderno perdeu este instinto, ainda encontramos índios que o possuem. Teoricamente, 75% da população deveria saber nadar, ou seja, natação utilitária sem técnica que são os famosos nadadores de rio – nadam com a cabeça fora da água, os braços remando, o tronco quase na vertical e poucos utilizam as pernas, mas sobrevivem e se deslocam na água.

Divulgação

O índice de afogamentos no Brasil e no mundo vem aumentando consideravelmente. Em 2009, o afogamento foi a segunda causa geral de óbito entre 1 e 9 anos de idade, a terceira causa nas faixas de 10 a 19 anos, a quarta na faixa de 20 a 24, a sexta entre 25 e 29 anos, e 7.152 brasileiros (3.7/100.000 hab) morreram afogados. (Fonte: Afogamento – perfil epidemiológico no Brasil – 2012 – Sobrasa – Sociedade brasileira de salvamento aquático – Dr. David Szpilman).

A perda que ocorre por afogamento é sempre de forma inesperada provocando um desastre emocional familiar sem precedentes. “Filhos nunca deveriam morrer antes dos pais”. A perda deste instinto humano, como já foi mencionada, e que não ocorre com a população de modo geral, se deve muitas vezes a traumas resultantes de experiências negativas vivenciadas por eles mesmos, parentes ou pessoas próximas ou por iniciação às atividades aquáticas de uma maneira traumática. Na maioria das vezes as crianças e as pessoas amam água e não podem viver sem ela, o que torna mais fácil a adaptação ao meio liquido.

A busca pela aprendizagem na natação de bebês e crianças é grande não só por todos os benefícios que ela proporciona, mas pelo medo dos afogamentos que podem ocorrer.

A nossa preocupação constante é ensinar a natação utilitária para todos os nossos alunos começando pelos bebês. Todas as atividades aquáticas têm como objetivo final o treino ao salvamento, utilizando exercícios que visam a segurança, a sobrevivência e o despertar da ação positiva pela criança a situações adversas

Uma vez por semestre ocorrem aulas de salvamento, onde são ensinadas técnicas ao aluno para que ele saiba como reagir em situações de perigo na água. Eles têm que estar preparados para o inesperado como, por exemplo, cair de roupa dentro de uma piscina numa festa, após ter escorregado. Os alunos vêm completamente vestidos.

O trabalho de salvamento é focado em crianças. Nadar com roupa é muito difícil, ficamos mais pesadas, a dificuldade de locomover-se na água é maior. A natação utilitária tem como objetivo salvar-se de um possível afogamento, deslocando-se até a borda ou a um ponto fixo ou colocar-se numa posição segura como, por exemplo, de barriga para cima a espera de socorro.

Para adultos que possuem alguma fobia de água, existem aulas individuais, especializadas. Superado o trauma o aluno poderá nadar normalmente em uma turma coletiva. Esta conquista pode ampliar não apenas seus limites físicos, mas elevar sua autoconfiança e autoestima.
Não existe idade para aprender a nadar, pode-se começar aos quatro meses como aos noventa anos.

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