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Iaci Malta

O novo no prosaico

Há já bastante tempo que descobri em mim a impressão que melhor pode ser descrita pela frase “já não se fazem mais filmes como antigamente”. Chamava minha atenção a grande quantidade de filmes tipo “fantasia” assim como de remakes.

Minha primeira reação foi me perguntar se essa impressão era resultado do meu processo de envelhecimento, isto é, se era eu que estava mais desligada dos interesses que movem o mundo atual, ou se era mesmo resultado de uma certa pobreza da criação cinematográfica.

Verdade seja dita, não sou uma “cinéfila”. Ir ao cinema nunca foi um programa de lazer para mim; não me lembro de olhar a programação de filmes porque desejava ir ao cinema. Sempre fui ao cinema porque queria assistir a um determinado filme que havia despertado minha curiosidade, ou seja, sempre dependi de comentários, de amigos ou da mídia sobre os filmes que apareciam no cenário. Escrevendo isso agora, me dei conta de que minha primeira opção quando entrei na universidade foi fazer cinema… saí bacharel em matemática!

Ilustração de Renan Pinto

Vira e mexe, essa questão voltava à minha mente, sem que eu encontrasse uma resposta. Até que, comentando essa questão com um amigo querido, ele observou – brilhantemente no meu entender – que era muito simples: o que acontecia é que tudo já havia sido dito, afinal os conflitos humanos são essencialmente os mesmos desde que se começou a registrá-los, primeiro em romances e peças de teatro e depois em filmes. E, em 70 anos de cinema, quase tudo pode ser re-feito, re-visitado, enfim re-criado nessa poderosa linguagem do cinema.

Fez-se a luz! Já havia percebido que, nos últimos – pelo menos – 10 anos, os filmes que me interessavam eram sempre biográficos, e isso me intrigava. Agora, pude entender o porquê: esses filmes simplesmente contavam a história de alguém, traziam também algo de prosaico, comum, mas que havia efetivamente sido vivido. Era o novo no prosaico, o algo mais, o além das grandes inquietações do ser humano já muito exploradas através das diversas formas de linguagem e de expressão.

Bem, antes de escrever este texto, fiz um passeio pela internet e pude confirmar minha observação: os remakes e os filmes fantasia imperam no cenário atual, e eu não sou a única que nota isso. Esse passeio resultou em uma nova pergunta: será que os filmes fantasia serão premonitórios (ou inspiradores) como foram os filmes de ficção científica do século passado?

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Publicado em – Edição 117
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