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Gisela Gold

Sem título

As amigas de Solário tinham filhos. Ela, mãe.

Uma saudade do tempo em que a mãe de Solário brincava de semear. Ainda se esperava pouco de Solário. Ao feto… só afeto.

Ilustração de Renan Pinto

E do feto só se espera o respiro. Do bebê, o primeiro sorriso. Da menina que já engatinha, mas ainda chora e quer colo, o prazer da primeira letra torta que ensaia “mãe” com pilot.

A menina que engatinhava agora anda na rua; e às vésperas do aniversário procura algo que agrade à mãe. Avista lojas e mais lojas que lhe mostram tanta coisa. Tudo fica tão pouco, quando não se sabe o que falta.

Ao sentar-se para descanso, da paisagem nada vê. A menina, que já assina Solário no cheque, já arrisca saber algo de si. Pouco é o que sabe da mãe.
Hoje, tenta vaga de analista na vida em que ocupou tantas vezes o outro lado da poltrona. Era a mãe quem lhe ouvia.

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Publicado em – Edição 117
Para sempre
Publicado em – Edição 116
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Publicado em – Edição 115
Boa de ouvido
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Sem título, 5.0 out of 5 based on 1 rating

Um Comentário para “Sem título”

  1. Claudia disse:

    Lindo!!!! Amei!!!! 😀

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