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Iaci Malta

O amor de amantes

Após ler meu texto sobre o amar e o gostar, um dos meus amigos leitores me encomendou uma reflexão sobre o que chamarei de amor de amantes. Acho que todos entendem, mas não custa nada deixar bem explícito que estou me referindo ao amor dos casais, daqueles que se encontram e se escolhem (ou não) para tentar viver uma relação amorosa.

O amor sem adjetivos, simplesmente amor, aquele que eu disse não depender de reciprocidade, aquele que não se confunde com a necessidade ou desejo de ser amado, pode ou não estar presente no amor de amantes. Haja vista que o amor sem adjetivos nunca pode se transformar em ódio, como vemos acontecer (infelizmente, não tão poucas vezes) com o amor de amantes. Se o amor é um mistério, o amor de amantes é uma mistura (casamento?) do mistério com o óbvio.

Antes de mais nada, não devemos confundir paixão com amor de amantes. A paixão é um estado transitório que tem por objetivo promover o encontro dos futuros amantes. E tem que passar para dar lugar ao amor de amantes: se não passa, se torna patológica. Antes que os eternamente apaixonados se revoltem, esclareço que considero “paixão eterna” (ou duradoura) uma forma romântica de expressar o amor de amantes que inclui o amor sem adjetivos. A paixão pode acontecer repentinamente; o amor é algo construído na vivência da relação.

O mistério: por que desejamos o amor daquele que não nos quer amar? Por que não amamos aquele que nos quer amar? Por que desejamos alguém que consideramos não ser a pessoa adequada e não conseguimos desejar aquele que acreditamos ser até ideal? Por que nos sentimos atraídos sexualmente por uns e não por outros? Eu sei que tem a tal da química, mas será que química não é apenas uma forma de nomear o mistério do amor de amantes?

O óbvio: a necessidade de reciprocidade, a atração sexual, a admiração, o deslocamento inconsciente de afetos não recebidos no passado (busca de preenchimento de faltas vividas no passado), as ilusórias compensações narcísicas (sou maravilhoso porque sou amado por esse outro que todos admiram), a necessidade da convicção de possuir o ser amado (presente mesmo naqueles que aceitam alguma forma de compartilhamento – eu sou o verdadeiramente amado).

Enfim, tentei.

Mas… admitindo que o amor de amantes envolve algum mistério, para atingirmos sua compreensão talvez tenhamos que apelar para a Física quântica – afinal de contas, atualmente, para tudo que envolve algum mistério há alguém que apresenta uma explicação quântica. No caso, a explicação poderia ser: o amor de amantes nada mais é do que um efeito quântico da sexualidade. E com isso, como em outros mistérios da vida, tudo estaria entendido sobre o amor de amantes.

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Publicado em – Edição 117
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