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Vida inteligente na TV

Lá em casa, quando as crianças eram pequenas, a gente chamava o horário eleitoral de ‘Rá ‘rê ‘rê. Era pra facilitar, e dar alguma graça ao sacrifício diário, além de uma maneira de fazer os garotos saírem da frente da TV e ir brincar lá fora. Tá na hora do ‘rá ‘rê ‘rê, gente!- era uma debandada geral, todo mundo pro quintal, ou pro play-ground.

Hoje as crianças nem sabem o que está rolando, porque estão ligadas na internet, ainda bem. Mas os adultos sofrem. O troço entra bem na hora da novela, atrasa ou adianta os jornais, faz um estrago nos horários do jantar, e principalmente detona com a sagrada rotina dos idosos – que, todos sabem, adoram uma rotina!

Mas há males que vêm pra bem, diz a sabedoria antiga. Desde o início do horário burro nacional, eu e milhares de telespectadores usamos o nosso poderoso controle para fugir. Infelizmente, me refiro a quem tem TV paga, pois a aberta não dá nenhuma saída. Nos canais por assinatura, descobrem-se programas até divertidos, ou recheados de boa informação e debates.

Exemplos são o Em Pauta, da Globo News, às 20:30h, capitaneado por Sergio Aguiar, que traz momentos bem interessantes, com comentaristas bem informados falando desde Nova York, São Paulo e Brasília. Os temas são os do dia. O mesmo se dá com o Studio I, que nos salva do ‘rá ‘rê ‘rê das 13 horas. Com destaque para a bela Maria Beltrão – que mulher grande e linda é essa? Profissionais de diversas áreas apresentam matérias ou comentam vídeos e notícias. Tudo sob a batuta da Beltrão, que comanda com desenvoltura.

Há outras opções na TV paga: informam-me que o Canal Brasil, o History, o Discovery e o Futura também nos oferecem boas atrações durante o horário ridículo nacional. Pena que a TV aberta ainda seja refém do troço – e há mais de 20 anos. Pelo menos sabemos que existe vida inteligente na TV na maldita hora do ‘rá ‘rê ‘rê.

Eu vi…

Hora da Arte – A novela da seis é sempre garantia de momentos de beleza, poesia, valorização da nossa História, cenas hilariantes e, ao mesmo tempo, cenas de grande intensidade dramática. Se tem uma coisa na qual a Globo nunca erra, é na novela das seis. Só pra citar algumas: A Padroeira, Chocolate com Pimenta (ora em reapresentação), Cordel Encantado, a recente Amor, Eterno Amor.

Agora, temos esta linda Lado a Lado, com aquele ambiente em sépia que nos faz voltar no tempo, com aquele verdadeiro hino que é o samba-enredo (do Império Serrano?) Liberdade, Liberdade. E mais: com a volta da brilhante Patrícia Pillar, a vilã delicada; com o comovente Tiago Fragoso; com a Marjorie Estiano e sua deliciosa risada, além de sua corretíssima atuação. E, claro, com a beleza e a competência do casal principal, Lázaro Ramos e Camila Pitanga.

Hora do Pânico – Em compensação, temos aquele momento Mundo Cão, aquele programa que a cada dia faz mais questão de afastar dele as pessoas que têm ainda algum tipo de Si Mancol no sangue. Já era ruim no outro canal, agora na Band, mais solto, choca o distinto público de todas as formas possíveis. Até mesmo com baratas, formigas, besouros, cachorras e outros bichos. Tenham paciência!

Desagradável – É ouvir repórteres e apresentadores assassinando a língua pátria com coisas como “seje”, “teja”, “tava”. A linguagem falada também tem as suas responsabilidades! Não vou dedurar quem são, até porque são muuuuitos.

Atrás da Grade

  • A Globo tem uma grade de programação tão intensa, e tão rígida, que acaba por ficar presa atrás dela. Digo isso porque Record, Band e outras, sem tais compromissos, arriscam mais, e acabam por se tornar alternativas para as novelas, filminho da tarde e da segunda-feira (sempre velhos), e programas pós-novela das 9.

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