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Bijux in the box - Tô vendo

Então…

“Então… é muito gratificante, tipo assim, interagir, mas dá aquele friozinho na barriga, não tenho palavras”. Com certeza você já ouviu isso, dito por uma infinidade de pessoas em seus 15 minutos de fama (o Andy Warhol devia ter dito ‘segundos'; minuto é muito tempo na TV, ainda mais 15!).

Antigamente, se dizia “o negócio é o seguinte…”, depois reduzida a “seguinte”, uma expressão inventada pelo Pasquim, em priscas eras (anos 1970). Agora se diz “então”. Há pouco tempo, vocês se lembram, era “com certeza”. É a famosa “muleta”, utilizada para enfrentar com um pouco mais de segurança o que se tem efetivamente a dizer. Até o ilustre Ulysses Guimarães, guerreiro da democracia e ágil com as palavras, entre os anos 60 e os 80, costumava começar a falar, invariavelmente, com “Eu quero dizer que…”. E Lula dizia “Estou convencido que…” (omitindo a preposição “de”).

O problema – melhor, como se diz hoje, a “questão” – é que estão exagerando. “Fala sério”! São muitas as maneiras de não dizer nada. As expressões que ajudam os deficientes em língua portuguesa vão se substituindo, porque “afinal” é preciso “avançar nas questões”, “meio que” “desconstruindo” o que for preciso, “prazerosamente”, para, “tipo assim”, “promover a inclusão”, “discutindo” a “sustentabilidade” e a “diversidade cultural”, tendo como objetivo “conquistar a cidadania”, e responder à “pergunta que não quer calar”.

Ouvindo de passagem, parece até bom, né? Só que repetido e repetido é muuuito chato! A coisa toda pintou primeiro no século passado. A intelectualidade tinha por verdade a noção de que o povo (se dizia “povão”) é quase inteiramente tolo. Um pensamento que permanece solidamente infiltrado em nossos “corações e mentes” – outra expressão jurássica, citação de um filme, que andou nas bocas televisivas por bastante tempo.

“Então”… vamos combinar: quem tiver algo a dizer, que vá dizendo logo, evitando muletas e enfrentando com coragem a língua pátria, falando espontaneamente, salvando nossos ouvidos dessas expressões tão horrorosas quanto previsíveis.

Eu vi…

São muitas emoções

Sei que a maioria não teve tempo para acompanhar o Julgamento do Mensalão.

Eu, como idosa aposentada, vi tudo. Quantas emoções! Para quem acha que sessões de tribunais são uma chatice, este Julgamento desmente este (pré?)conceito. Impressionante a exposição dos fatos pelo ministro Joaquim Barbosa, com base numa denúncia extremamente detalhada. Ficou impossível fugir aos fatos. Bem que tentaram alguns dos ministros. Na discussão sobre o crime de formação de quadrilha, “votos densos, críticas duríssimas”, como disse a Cristiana Lobo, da GloboNews. Venceu o senso comum: formaram quadrilha, sim, disseram os ministros do STF, em consonância com o pensamento da maioria da população. E para cometer corrupção etc. Na época da eclosão dos fatos, houve descrédito geral: não vai dar em nada. O STF provou que dá, sim: dá execração pública, dá condenação penal, e ainda pode dar processos para devolução de milhões de reais. Com certeza dará cadeia – eles merecem.

Datena, o homem-coragem

Muitos gostam dele, muitos não gostam. Creio que não se trata de uma questão de gosto, mas de necessidade. E coragem. José Luiz Datena cumpre uma árdua e necessária missão: informar diariamente, na maioria das vezes ao vivo, os fatos que acontecem na Grande São Paulo. E mostrar indignação, quando nós, aqui do nosso sofá, ficamos indignados. De mostrar irritação quando ficamos irritados. De falar com a dureza com que nós gostaríamos de falar com autoridades e políticos.

No Rio, não temos similar – os programas que o tentam são caricaturas escrachadas, e não têm a credibilidade do paulistão. Irmãos, é preciso coragem! Uma coisa não se pode negar: Datena tem peito. Uns gostam, outros detonam o programa, mas na MMO – Minha Modesta Opinião – Datena é o homem-coragem da TV brasileira.

O Brasil da Avenida

Já se sabia, e aconteceu: o Brasil parou pra ver o fim de Avenida Brasil, uma novela daquelas que ficam na História da TV. João Emanuel Carneiro, o festejado autor, ressalta as diferenças e as semelhanças entre as diversas castas cariocas (retrato em 3×4 do Brasil). São os ricos, riquíssimos, classe média, suburbanos ricos e ipanemenses em decadência, bandidinhos e bandidões, catadores de lixo e cachaceiros, periguetes e boleiros, gente comum, trabalhadores – unidos no futebol e na alegria. Ele foi o principal responsável pelo êxito da trama. Com o auxílio luxuoso de Adriana Estêves, como uma vilã inesquecível. Nunca haverá uma mulher como Carminha!

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Publicado em – Edição 110
Coragem, Record!
Publicado em – Edição 109
Sinal dos tempos?
Publicado em – Edição 108
Dá-lhe, delegada!
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