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Iaci Malta

Eu gosto de mim, eu me admiro

É isso, eu gosto de mim, eu gosto de ser uma mulher inteligente, competente, criativa, culta e… boa ajudante de pedreiro! É isso mesmo, ajudante, porque, nesse ofício assim como em muitos outros, o melhor que posso ser é uma boa ajudante.

Eu gosto de ser generosa, responsável, sensível, gosto de me comover e me comprometer com aquilo que me comove. Eu cometi erros, fiz escolhas erradas e fiz também muitas boas escolhas, e eu admiro a pessoa que resultou dessas experiências… eu.

Você que lê o que escrevo deve estar perguntado, “e o quico?”, o que “eu tenho com isso?”. Eu respondo: estou convidando você a confrontar a hipocrisia da nossa cultura, a transgredir a regra de comportamento que diz que temos que ser sempre humildes e modestos.

Quem se orgulha de si mesmo é muitas vezes taxado pejorativamente de narcisista. No entanto, no meu entender, narcisista é aquele que não conseguindo verdadeiramente se admirar, se ufana exageradamente de algum sucesso (ou de uma quimera), necessitando desesperadamente da admiração do outro. Assim, busca no outro aquilo que não consegue encontrar em si mesmo.

É claro que precisamos também, e gostamos, da admiração do outro, mas não devemos com isso substituir a autoadmiração que é o principal elemento (ou alimento) da autoestima.

A hipocrisia da nossa cultura nos imprime a obrigação de sermos sempre (e somente) humildes, generosos, modestos e sem ambições. Competir? Nem pensar! E, no entanto, pergunto, existe maior ambição do que desejar ser santo? Mas isso, claro, pode ser ambicionado, mesmo sendo uma ficção.

Eu acredito, e costumo dizer, que nada há que seja essencialmente bom ou mal, certo ou errado. Tudo é uma questão de equilíbrio, tudo é relativo, dependente do contexto e da intensidade. O que é demais está sobrando, como diz um redundante dito popular, e, completando, o que é de menos está faltando.

Estou convidando você a se admirar, a gostar da pessoa que você é, a aceitar seus erros, a tomar posse de seus sucessos e se perguntar o que você pode fazer agora para se admirar mais ainda.

Para podermos nos admirar, precisamos reconhecer e aceitar que cometemos erros e, para podermos aceitar que erramos, precisamos nos apossar dos nossos acertos e qualidades.

Ah! Eu me esqueci de dizer que me acho bonita, uma velha bonita, e gosto disso também.

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