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Oswaldo Miranda

Hebe

Meus contatos com ela foram só entre 1955 e 1957, quando tinha um programa na TV-Continental, canal 9, estúdios na rua das Laranjeiras. A direção era de Walter Forster, ator paulista que participara da primeira novela da televisão. Hebe dividia os papos com Teresa Amayo, Miriam Pires, Riva Blanche e Maria Helena, aquelas, atrizes; esta, cantora. O sucesso do programa em São Paulo estimulou a repetição no Rio. Patrocínio da Varig, “O mundo é das mulheres”, semanal, marcaria a única presença de Hebe na televisão carioca.

A produção colocava um homem muito conhecido na cidade para ser bombardeado com perguntas sobre o tema Mulher, sendo comum os convidados acharem o título do programa muito pretensioso, pelo menos naquele tempo. Em dado momento, Hebe ligaria para a esposa do convidado para saber como ele se portara respondendo a perguntas exclusivas sobre a mulher, refutá-Io no que não aprovara ou aplaudi-Io quando a favor, em consonância com a posição feminina. Sim, gargalhadas é o que não faltavam, claro, Hebe à frente, sim senhor. “O mundo é das mulheres” durou dois anos, acabando•em 1957, quando Hebe iria deixando de ser cantora para se transformar na nossa maior apresentadora, abrindo hoje um claro de difícil preenchimento no vídeo.

Mas acho oportuno lembrar. O nome Hebe. É uma deusa da mitologia grega. Deusa da juventude. Tem como virtude inspirar alguém que costuma proporcionar alegria às outras pessoas. E amante da verdade e dos prazeres espirituais e físicos, e a sorte é seu passaporte para o sucesso. Hebe. Precisa explicar?

O hino

Para conhecimento geral, reproduzo aqui o tal hino da televisão, autoria de Guilherme de Almeida e Marcelo Tupinambá, que Hebe iria cantar no programa inaugural da televisão no Brasil, em 18 de setembro de 1950, em São Paulo, e não cantou porque não compareceu, alegando resfriado, mas era namoro… e foi cantado por Lolita Rodrigues: “’Vingou como tudo vinga / No teu chão Piratininga / A cruz que Anchieta plantou / Pois dir-se-á que ela hoje acena / Por uma altíssima antena / A cruz que Anchieta plantou / E te dá num amuleto / O vermelho, branco e preto / Das penas do teu cocar / E te mostra num espelho / O preto, branco e vermelho / Das contas do teu colar.” Além de tudo, bairrista sim, né?

Num programa do Jô, Hebe, Lolita e Nair Belo, as três amigas inseparáveis, foram provocadas a cantar o hino, então ainda desconhecido. Lolita começou, não sendo possível continuar, pois caíram na gargalhada, considerando o hino uma porcaria, no dizer das três.

Ainda na inauguração da televisão (PRF-3), foi exibido um filme pré-editado, com Hebe e Ivon Cury cantando, rostinho colado, o dueto Noite de luar, exibido exaustivamente pelas televisões, rememorando a vida e carreira de Hebe.

É o que me ocorre dizer sobre essa mulher valorosa que lutou contra o câncer, mas perdeu…

* * *

Avenida e Dostoiéwski

Tufão lendo “O idiota”, de Dostoiéwski, um dos vários livros a ele recomendados pela Nina. Insinuação, um alerta, um deboche? Esticasse um pouco mais a novela, e ele poderia estar recebendo dela, ainda, – quem sabe? outra obra do genial escritor russo, cujo título é um anátema a atingir metade dos personagens da Avenida Brasil – “Crime e castigo”…

 

Deu na mídia

GNT – SEMANA DO JÔ: A bióloga Marcia Shame falando sobre o tatu-bola, mascote da seleção brasileira na copa de 2014. O animal, pouco conhecido, vive na caatinga e em algumas áreas do cerrado, lá por Mato Grosso. Sua carne é gostosa. Daí estar em extinção. Se fecha numa bola quando atacado. Fez sucesso no carnaval de 1923, numa batucada de Eduardo Souto: “Tatu subiu no pau / É mentira de mecê (bis) Lagarto ou lagartixa / Isso sim que pode sê (bis) / Tatu subiu no pau / É mentira de mecê / E Santo Antônio ajudando? / Isso sim é que pode sê.” Que a seleção de Mano suba no pau, isto é, no pódio… e saia do 14º lugar do ranking mundial.

DESTAK: “Lula – Se me chamarem de mensaleiro, não podem ficar sem resposta. $ ‘f. = I t:_~. :::’!!!”. Censurado…

O DIA: “Acabou a Faixa de Gaza. Em dez minutos, forças de segurança retomaram o Complexo de Manguinhos e a Favela do Jacarezinho, territórios violentos controlados pelo tráfico. Beltrame disse que a região foi ocupada em tempo recorde, sobretudo com vidas preservadas”. Faixa de Gaza, lá, conflito bárbaro entre a Palestina e Israel. Beltrame neles!

ESTADÃO, citando L’OBSERVATORE ROMANO, jornal semi-oficial do Vaticano: “…uma falsificação grosseira visando à sua venda com outros manuscritos em benefício da Universidade de Harvard…” Tratava do papiro onde há um fragmento com a frase ‘E Jesus disse a eles – minha esposa’. A revelação coloca em risco a reputação da teóloga Karen King que deu a informação exibindo o pedaço do papiro que estudiosos o entendem com indícios de falsificação, recomendando extrema cautela em sua avaliação. Sim, porque de papiro em papiro, Jesus pode ter tido com Madalena, um filho, Jesus Jr., figura popular na Palestina, meio de campo do Belém Futebol Clube… Conta outra Harvard.

NELSON MOTTA NO GLOBO: “… Lewandowski poderia citar Luís XV, prevendo o caos… com um Aprés moi Delubio… porque se chegasse a Dirceu, o dilúvio de lama levaria Lula.” Que nada, meu filho: Lula, malandro que é, se safaria, pulando na Arca de Noé…

TRIBUNA DE PETRÓPOLIS: “Charretes podem ser retiradas das ruas.” São as tradicionais vitórias, atração turística da cidade que a Defensoria Pública quer extinguir por maus tratos aos cavalos. Que se punam os cocheiros, bolas!

CARTA DO LEITOR PAULO MARINHO: “Pau que dá em Chico, dá em Francisco”. O Supremo deve agir agora contra os mensalões mineiros, PSDB e o brasiliense DEM, Eduardo Azeredo e José Roberto Arruda.” Sim, Joaquim Barbosa neles!

ESTADÃO: “A promessa feita pela presidente Dilma, de corte médio de 20% no preço de energia elétrica, em setembro, pode não sair do papel! Melhor, sua fala em rede nacional, e com tom eleitoreiro, é que a Empresa de Energia Elétrica alerta que se as muitas geradoras de energia não aderirem à proposta de renovação antecipada das concessões, nada será possível.” Um fiat lux meio maneiro…

artigos anteriores de Oswaldo Miranda

Publicado em – Edição 117
Osmar de Guedes Vaz, gozador contumaz…
Publicado em – Edição 116
Balzac no carnaval
Publicado em – Edição 115
What a wonderful world!
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