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Bijux in the box - Tô vendo

Nossas crianças abandonadas

As crianças não têm opção na TV. Quem tem assinatura ainda tem os canais de desenho animado, mas quem exerce o seu direito de ter uma TV aberta gratuita de qualidade sabe que seus filhos não têm vez na programação. Resultado: voltam-se para o celular e a internet (quem tem), ou aproveitam para brigar com os irmãos, ou ir para a rua.

Houve tempo em que as crianças eram o grande público das manhãs e tardes. Não sei o que mudou para que se pense hoje que o público são as mulheres, pois parece que é para elas que são feitos os programas – de fofocas, dicas de beleza, terrorismo alimentar. No entanto, as mulheres estão todas trabalhando – fora ou em casa. Quem está vendo a TV são as avós e as crianças.

Não vejo como um programa como o da Fátima Bernardes, por exemplo (um dos mais chatos que já vi), possa interessar a este público. No entanto, destronou o TV Globinho, deixando as crianças na saudade. Outras emissoras nos dão filmes infantis velhíssimos, ou o indefectível Chaves, ou o Pica-pau. Quando meus filhos eram crianças, tinham opções: o Sítio do Pica-pau Amarelo, os desenhos ao vivo do Daniel Azulay, o teatrinho criativo do Rá Tim Bum, desenhos bem feitos (e premiados) de Hanna Barbera ou Disney.

Fico meio besta quando vejo oferecerem ao público infantil esses desenhos asiáticos com figuras de olhos grandes que só movem olhos e bocas. Afinal, temos excelentes artistas de animação, que ganham prêmios e mais prêmios, aqui e lá fora, e temos alguns dos festivais de animação mais concorridos do planeta.

Quando o Faustão recebe uma orquestra no seu Domingão, repete sempre: “Aí, ó! Concertos para a Juventude!” Fico pensando quantas pessoas ainda se lembram desses concertos, aos domingos, com apresentações das orquestras sinfônicas nacionais e estrangeiras – e que sumiram há mais de 30 anos. O público teen assistia diariamente à Malhação, aquela dos tempos do “Mocotó” André Marques, adolescente, divertida, até ingênua.

Agora, temos em Malhação: traição, roubo, tapeação, sequestros, divórcios, pais que não são pais, filhos que não sabem quem são seus pais… Ora, isso já temos nas novelas das 6, das 7, das 9, das 11, e também nessa coisa chatíssima que é o Vale a Pena Ver de Novo – programa sob medida para que os atores da novela velha reapresentada sejam os mesmos das novelas da hora. Eles devem achar que isso é uma jogada genial de markqueting, mas asseguro que é apenas uma chateação, que ninguém vê, e que toma o lugar de bons programas infantis e juvenis.

Eu vi…

Divulgação

Que país é esse?

Quando um político mineiro pronunciou a frase “Que país é este?”, mineiramente perplexo com nossas mazelas típicas, tocou a mente do povo. Depois, Renato Russo, do Legião Urbana, tornou a frase famosa – e recorrente. O mote “que país é este?”, referindo-se sempre a um Brasil eternamente enredado em suas bandalheiras, nos dá a sensação de exaustão moral.

Mas olho para os Estados Unidos e pergunto “que país é esse?” Uma participação intensa, gente conversando com gente, trocando ideias, dialogando numa boa. Três debates na TV, mais uma infinidade em associações comerciais e industriais, sindicatos, escolas, universidades. Dois candidatos falando sobre suas metas. Raramente um tom mais agressivo, raramente uma ironia.

E aí o povo reelege “o cara”. Quase meio a meio. O derrotado faz um discurso sóbrio,; o vencedor, um discurso até humilde – pediu apoio a cada dois minutos. O povo faz a maior festa. Fico estarrecida com a civilidade, as boas maneiras, a tolerância, a capacidade de ouvir, a não -agressividade, os debates em alto nível.

Que país é esse? – pergunto – em que a democracia é indelével, e a educação, uma questão de respeito entre iguais? E fica aquela inveja “do bem”, de que um dia, ao fazer a mesma pergunta em relação a esta Terra de Santa Cruz, a gente a faça em tom de admiração, e não de vergonha.

Terror

E o Pânico continua a fazer terrorismo, dessta vez enterrando – enterrando MESMO – uma das suas garotas num caixão. Isso pode? E ainda por cima mostra toda a sua ignorância, escrevendo, por exemplo, açessor com c cedilha. Nada nesse programa tem graça (atenção: não é grassa, tá?)

Thauzinho

É uma “tendência” mesmo, ai, ai! Podem reparar: começando pela Fátimna B., mas sendo adotada por praticamente todo mundo. É aquele tchauzinho, imitando o das Misses, com cuidado pra não balançar pelancas. Gente, que coisa mais ridícula!

*Bijux é Marilza Bigio,
jornalista e telespectadora fiel

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Publicado em – Edição 110
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Publicado em – Edição 109
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Publicado em – Edição 108
Dá-lhe, delegada!
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