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Suzan hanson

Gelados no verão carioca

Cariocas adoram e reclamam do verão. Nós o amamos pela alta temporada da praia, pelos novos modismos que aparecem, pela cidade turbinada de turistas, pelo lindo tom de bronzeado na pele de muitos, pelo por do sol encantador, pelas roupas informais e curtas, pela alegria que toma conta da cidade, e que, no fundo representa a alma do carioca – puro sol. E o detestamos porque o calor é de rachar – a cada ano repetimos que o verão em questão é o mais quente de todos antes vividos.

A aparente contradição se explica porque buscamos todas as formas de amenizar o efeito negativo: tomamos vários banhos ao dia, mergulhamos na água gelada do mar, procuramos bolhas de ar condicionado polar em todos os nossos trajetos e atividades, tomamos bebidas geladas e muito sorvete, picolé, sacolé, ou outras variações como os frozen yogurts e os delicados sorbets.

Curiosamente, nas regiões desérticas, têm-se o hábito de tomar chá quente no calor, para equilibrar a temperatura do corpo. Parece que isso tem respaldo científico, mas, para um carioca da gema, soa como uma heresia.

Como fã do clima de leveza e alegria da estação, mas avessa às penalidades das altas temperaturas, recomendo alguns roteiros que costumo fazer para aliviar o calor.

Começar com um sorvete de taperebá na sorveteria Mil Frutas do Jardim Botânico. Acabei de descobrir que tem um novo sabor de taperebá com vodka, terei que ir lá experimentar. Prefiro os sabores de frutas, em especial os que puxam para o azedo, mas os cremosos do Mil Frutas também são divinos. Além de usarem ingredientes originais, têm o mérito de não usar gordura hidrogenada nem outras químicas. Os meus prediletos são os de brigadeiro e cheese cake: como, mesmo gelados, mantêm a consistência e o sabor originais? Depois, dar uma olhada nas novidades da livraria Ponte de Tábuas, ao lado, tirando uma “casquinha”
do seu gostoso ar condicionado.

Também imperdível é dividir uma pizza e um bom vinho das prateleiras do supermercado Zona Sul, e, de sobremesa, tomar um gelato Diletto, sabor framboesa. O seu par pode experimentar o sorbet de chocolate de origem. Esse nome é uma poesia. A história dessa marca conta que o fundador, Vittorio Scabin, produzia sorvete artesanal na região do Vêneto, feito a partir de frutas e neve. Sinto esse sabor!

Outra combinação divertida, com sabor de juventude, é tomar sorvete de copinho de manga Itália na praia, e, depois de uma boa caminhada, brindar o por do sol nas mesinhas de fora do Hotel Arpoador Inn.

Recentemente, descobri que os sorvetes da Sorveteria Brasil foram criados pelo cozinheiro de uma das lojas de sucos e sanduíches mais queridas dos cariocas, o Sanduka. “Seu” Aragão aprendeu a receita com um chef francês, daí o sorvete começou a ficar conhecido, justamente pelos ingredientes frescos e ausência de conservantes. Mas, não consigo escolher entre a dobradinha sanduíche no Sanduka e sorvete de limão siciliano ou passeio no bondinho do Pão de Açúcar precedido de uma passada na Sorveteria – sua identidade visual colorida é a cara do Rio: as sandálias Havaianas dos sorvetes.

Finalizo com um pedido. Por favor, fabricantes de sorvetes especiais, espalhem carrocinhas em lugares estratégicos do Rio: na orla da Urca, na Lagoa, nas Paineiras, parques e praças.

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Publicado em – Edição 107
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Gelados no verão carioca
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Comidas de (quase) uma panela só
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