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Oswaldo Miranda

Maomé e Alah: o Islam no Carnaval

O noticiário andou cheio por ai, toda a mídia se reportando à reação dos mulçumanos em protesto contra um filme feito por um cara norte-americano mostrando Maomé em cenas pornográficas. Essa mesma reação já acontecera antes quando o jornal dinamarquês Jylands Posten e a revista francesa Charlie Hebdo publicaram charges sobre o profeta.

O fanatismo religioso dos muçulmanos levou-os a ações violentas, com ataques às embaixadas americanas, assassinato de diplomatas, enfim, uma onda de protestos com mortes provocadas pela turba inconformada com o filme e as publicações.

Tais acontecimentos me levam a recordar que no carnaval de 1964, João Roberto Kelly e Roberto Faissal lançaram uma marchinha que é cantada até nos dias de hoje pelos foliões. Vocês conhecem: “Olha a cabeleira do Zezé / Será que ele é? / Será que ele é? / Será que ele é bossa-nova? / Será que é Maomé? / Parece que é transviado / Mas isso eu não sei se ele é… Corta o cabelo dele, corta o cabelo dele…”

Qual a intenção dos autores em colocar Maomé na marchinha? Com esse “será que Zezé é Maomé”, se tentou falar do profeta, uma divindade, aquela que todos os anos leva milhões de mulçumanos a Meca, para o Rijah, adoração e oração, ritual que é um dos pilares do Islam, como se viu em outubro passado? Não, não foi assim, fica evidente. Maomé no caso é apenas a rima encontrada para será que ele é. Transviado não poderia ser interpretado como uma ofensa a Maomé e sim a Zezé, um marginal, aquele que se desviou dos padrões éticos e sociais vigentes, como reza o Aurélio. Mas se os mulçumanos não entendessem assim? Há mulçumanos por aqui? Sim, na Saara há muitos e se eles não tomaram nenhuma iniciativa desde 1964, não será gora que iriam tomar, não é mesmo?

Está explicado: Maomé foi apenas a rima fácil para a letra, não mais do que isso e nunca comparado a Zezé.

Eu lembraria ainda de Alah-la-ô, marcha de Nássara e Haroldo Lobo, carnaval de 1941: “Mande água pra Ioiô, mande água pra Iaiá, Alah! meu bom Alah”, onde é reconhecido o poder do deus dos mulçumanos para amenizar o calor de Iáia e Ioiô atravessando o deserto de Sahara: “o sol estava quente, queimava a nossa cara…”. Por fim, Alah, que por causa de um filme deu origem ao bonito jardim de Ipanema-Leblon, em árabe, quer dizer “adorado”. Sem mais problema, pois.

Li no O Globo, Wagner Cinelli, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio: “Mulçumanos não são selvagens. Apenas gostariam de respeito quanto às suas crenças. Afinal, respeito é bom. E quem não gosta?”.

Carnaval está chegando e Maomé e Alah voltam à boca dos foliões, como sempre, sem maldade, numa boa, claro, como tem sido nestes muitos e muitos anos das duas boas marchinhas. Evoé!

Deu na mídia

VEJA: Capa com a cara dos dois. Ela, Rosemary, a mulher que sabe demais; ele, Lula, o homem que nunca sabe de nada. Matéria sobre o escândalo batizado de Porto Seguro, aliás, para os dois, nem tão seguro, assim…

ROLLING STONES: “Maiores cantores (as). segundo voz, atitude, versos, representatividade cultural, timbre, aparência e conjunto da obra. Votação popular. Ficou assim: EIis Regina, 29%; Renato Russo, 12%; Cassia Eller, Tim Maia, Raul Seixas e Gal Costa, 5%; Maria Bethânia, Marisa Monte, Rita Lee e Clara Nunes, 4%, Ney Matogrosso e Cazuza, 3 % e Roberto CarIos, 2%. Vox populi…

GLOBO ESPORTE: Michel Phelps – “Não tenho mais nada a atingir na natação”. Quer dizer que os índices nas piscinas já estão todos superados?

MÍDIA GERAL: “21.12.12. O mundo vai-se acabar”. Apurando-se melhor a coisa, descobriu-se que a previsão não era dos Maias da velha civilização, mas sim do Cesar e do filho, Rodrigo, os Maias de outra civilização, a carioca. Ah, bom…

ESTADÃO: “Em cinco anos, da série B para o topo do mundo”. É o Corinthians trazendo para o Brasil, pela segunda vez, o titulo de campeão do mundial. Nossos cumprimentos aos Gaviões da Fiel. Dois pastel e um chops.

NOVELA: Noite na Capadócia. Noite no Rio. Simultâneas. Lá e cá, Morena e Theo, um pensando no outro e olhando a lua. Astrônomos intrigados com um fenômeno que não conheciam: noite igual em dois países antípodas, Brasil e Turquia, com duas luas no céu… Novelas…

TVs: Dilma, antes das eleições (claro…) disse que a conta de luz teria uma redução de 16%. Agora o Operador Nacional do sistema Elétrico diz que sem investimentos não será possível evitar apagões. Carlos Alberto Sardenberg ironizou: “Conta mais barata, em compensação vai faltar luz”.

GERAL: Casa da Moeda fazendo recall de 40 mil moedas espalhadas por ai. Seriam de 50 centavos, mas por erro que está sendo apurado, apareceram na coroa 5 centavos, um zero a menos. A cara é do Barão do Rio Branco que, certamente, não teria gostado nada da desvalorização.

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Publicado em – Edição 117
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Publicado em – Edição 115
What a wonderful world!
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Um Comentário para “Maomé e Alah: o Islam no Carnaval”

  1. Jesus, os médicos são instrumentos que Deus colocou na terra para nos facilitar,
    o que a trato vem do

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