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Meninas do Rio

TEXTO_Fred Pacífico
FOTOS_Arthur moura

garotas-do-rio-1583Unanimidade à parte, as praias do Rio são maravilhas da natureza não só pelos seus predicados geográficos, mas também pelos seus frequentadores. Melhor dizendo, suas frequentadoras. Ainda mais no verão, quando há a multiplicação de tipos, origens e estilos dessas beldades pelas areias cariocas. Não é à toa que essas mulheres são musas inspiradoras de diversas artes, há muitas décadas. Por isso, façamos a devida homenagem às mulheres de nossa orla e às cariocas que encantam nossa cidade.

A sensualidade encontrada nas praias do Rio tornou-se sinônimo internacional dos encantos da mulher brasileira e das riquezas nacionais. A mais famosa canção no país e uma das mais conhecidas do mundo, Garota de Ipanema, tem 50 anos de responsabilidade na divulgação do mito que envolve as brasileiras e, mais especificamente, as cariocas. Já foi regravada em mais de 170 versões ao redor do mundo e cantada nas mais diversas línguas. Sua versão em inglês, cantada em 1964 pela baiana Astrud Gilberto com arranjos de Stan Getz, estourou nos Estados Unidos. Três anos depois foi regravada, potencializando a magia em torno do tema com um belíssimo dueto realizado por Frank Sinatra e o maestro Tom Jobim.

“Toda brasileira tem o perfil da Garota de Ipanema”, afirma a estudante Gabriela Marinho enquanto curte a praia com a atendente de loja Katarina Nunes, que concorda com a ideia. “As cariocas têm o seu encanto e Ipanema tem uma magia, uma ginga diferente que se reflete também em todas as mulheres que a frequentam. Não importa de onde venham. Não é à toa que seja um destino de desejo de tantas pessoas”, diz. Para a caloura em comunicação social Júlia Meirelles, outra autêntica carioca e um dos destaques de nossa capa, as praias de nossa orla são os melhores pontos de encontro do verão. “Do Arpoador ao Leblon, até Copacabana, o mundo inteiro se encontra nessas praias”, afirma.

A fama da sensualidade das meninas do Rio parece envolver também as visitantes de nossas praias. Andressa Aguzzoli é gaúcha, mas mora há dois anos em Brasília, onde trabalha como fisioterapeuta. De férias na cidade com uma amiga, a engenheira Ireni Azevedo, as turistas fazem coro aos predicados das cariocas. “As mulheres daqui têm um charme especial, um ar mais despojado que faz parte do seu estilo de vida. Parecem ter toda a autoconfiança do mundo e isso é inspirador. Faz-me querer ter ainda mais atitude na vida”, comenta a fisioterapeuta.

garotas-do-rio-3239Todas cabem em um poema

E não são somente as cariocas da zona sul que se reconhecem na canção. “Beleza existe em todos os lugares, mas esse cenário da cidade colabora. Parece tornar a mulherada ainda mais bonita. Atualmente a estética das mulheres está mudando. O pobre tem mais acesso e as classes estão mais misturadas. O rico está tentando se misturar e as negras estão assumindo sua negritude, pois têm mais oportunidade de se cuidar. Isso se reflete na praia, onde a garota de Ipanema atual tem todas as cores. É morena, é loira, é black e são lindas”, explica a modelo Maria Eunice Nascimento.

Moradora da Maré, Eunice aproveita o tempo livre para curtir a praia com as amigas que também adoram as praias da zona sul. “Amo o Rio. Acho até que nasci no lugar errado. Quando venho aqui me sinto a própria poesia”, diz a maranhense Geane Mendes, amiga da modelo. De visita à cidade, a turista comenta que não pode faltar a ida à praia. “Isso aqui encanta, pois tudo se mistura em harmonia. Sem falar que as mulheres sabem se fazer bonitas. Não é preciso muita coisa, por isso a fama”, afirma.

A professora de educação física, Liliane Alves, concorda que as mulheres das praias do Rio fazem jus à fama. “A mulherada está muito bem. Moro em Campo Grande e, sempre que posso, venho pegar praia por esse lado. Posso lhe dizer, na cidade toda só há mulher bonita. As pessoas no Rio são preocupadas com a saúde, com a forma física, e isso chama a atenção de quem vê. Ainda mais com o carisma e a alegria que temos aqui”, afirma.

Acessório aliado

A publicitária Daniele Knofel acredita que o que mais chama a atenção dos visitantes é o bom humor visto na orla. “O estilo das cariocas é característico. Não importa a idade, estão na praia sem salto, bem leves e de sorriso no rosto. Quem vem aqui se envolve com esse clima e acho que é isso que encanta”, diz a publicitária. Para a consultora de moda catarinense Fernanda Simões é a própria mistura encontrada nas praias do Rio que compõe o mito em torno das mulheres nacionais.

garotas-do-rio-1489Casada com um carioca, Fernanda costuma passar férias no Rio de Janeiro, visitando a família do marido. Segundo a consultora, a mulherada não deixa de lado a produção, mesmo que singela, quando estão à beira mar. “As mulheres que vejo nas praias do Rio possuem uma beleza natural, cuidam da saúde e gostam de estar bonitas. É diferente de Floripa, onde também há muita mulher linda, mas o estilo é outro. Aqui tem algo que chama a atenção sem exagero. Um sex appel que não sei dizer de onde vem. Mesmo em ambiente de tão pouca roupa e com tanta gente, as meninas sabem usar o que têm a seu favor. Há sempre um colar, um brinco bacana, algum acessório para compor o visual. Na minha bolsa não pode faltar meus óculos, o protetor e, claro, um bom gloss”, conta a curitibana.

A designer Marília Rodrigues e a secretária Aline Ferreira concordam que os acessórios são aliados. “Não abro mão de um bom chapéu e um biquíni bonito. Com isso e um protetor solar, estou linda na praia”, diz Marília. Segundo sua amiga, as mulheres do Rio têm uma poesia natural que encanta e intriga. “Acho que no Rio encontramos a síntese da mulher brasileira. É tanta diversidade e tanta mulher bonita, é só passear pela areia ou pelo calçadão. Há um ar de despojamento aqui que faz o homem ficar fantasiando quem será aquela menina, de onde ela vem ou para onde ela vai”, afirma.

Um leve balanço a caminho do mar

Despojamento é o que não falta às meninas cariocas. Bem já dizia o poetinha sobre as belezas vistas de seu posto de observação no cruzamento da Rua Montenegro, atual Vinícius de Moraes, e Prudente de Morais, que seguiam a caminho do mar. A canção escrita por Vinicius de Moraes e com melodia elaborada por Tom Jobim chamava-se originalmente Menina que Passa, cantando sobre uma moça, do corpo dourado do sol de Ipanema, que fazia poesia quando passava. Possivelmente por ser tão universal, mesmo tendo sido exposto pelo próprio poeta, em 1965, quem era a moça cantada em verso, as brasileiras se sintam também um pouco musas inspiradoras quando estão na orla do Rio.

A personal treiner sueca Therese Wanehed acredita que a beleza das praias potencializa a das mulheres, e vice e versa. O Rio é o primeiro contato dela e de seu parceiro, Hendrik Johansson, com o país, mas menos de duas semanas já foi suficiente para causar boa impressão. “Acho as brasileiras lindas. Em Ipanema então, ficam ainda mais. Agora entendo porque cantam sobre elas ao redor do mundo. Esse estilo de vida da cidade, com as pessoas preocupadas com a saúde, mas não deixando de lado as festas e a alegria, faz muito bem à alma”, afirma Therese.

Menos é mais

Frequentadoras assíduas de Ipanema, Júlia Meirelles e suas amigas, a atriz Manuela Llerena e a estudante de moda Thaíssa Bichucher, dizem que não importa a origem, a mulher brasileira se reconhece na garota de Ipanema, porque esta é a mulher contemporânea. “As cariocas da praia são práticas, determinadas, independentes e não querem perder tempo com o que não interessa. Isso junto com a leveza de quem se conhece bem. Vemos nas areias do Rio uma beleza natural. Não há ‘forçação’. Não tem necessidade de se vestir diferente para vir para praia. Ainda mais em Ipanema, para onde todo mundo quer vir”, afirma Júlia.

Para as universitárias, no quesito praia, menos é literalmente mais. “Somos ratas de praia, ainda mais nas férias. Para vir só é preciso canga e protetor, às vezes nem trago óculos, mais que isso é desnecessário”, afirma Júlia. Já Manuela prefere outros acessórios. “Normalmente venho com meu skate e meu tênis. Às vezes trago a bola para jogarmos altinha no fim da tarde e só”, conta. Mesmo com pouca produção, na praia é certo o clima de azaração. “Costumamos ir sempre ao mesmo ponto, no coqueirão, onde conhecemos todo mundo e nos sentimos bem. Lá marcamos o que fazer depois ou reencontramos alguém com quem combinamos de ir à praia na noite anterior. Isso é muito comum”, explica Thaíssa.

Ah, essas mulheres… Não importa a idade, etnia, nem classe social, todas embelezam e enchem de cor nossa orla, fazendo por merecer tanta admiração. O que seria do Rio sem suas meninas? O que seria do Brasil sem suas mulheres? Que continuem assim, passando intrigantes e donas de si, trazendo ainda mais poesia à vida de quem as vê em busca do sol.

Meninas da Capa

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