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Iaci Malta

Sobre a inclusão dos “diferentes”

Pensando na “volta às aulas” por sugestão da nossa editora Lilibeth, eu resolvi escrever sobre um tema que me é muito próximo: a inclusão das crianças com necessidades especiais nas turmas regulares das escolas. Digo muito próximo porque tenho um neto nessa condição e pude ter a experiência de perceber o quanto a inclusão é importante para todos, é uma conquista no desenvolvimento social.

Esse processo de inclusão nas escolas vem ocorrendo desde 2001, devagar, mas sem se interromper, principalmente no ensino público. No meu entender, seguir na direção da inclusão foi uma das decisões mais importantes na esfera do ensino básico.

E, vejam bem, não só porque é melhor para as crianças com deficiência, mas sim porque é o gerador de uma transformação da subjetividade  do ser social no que concerne às pessoas com deficiência, os diferentes. Para a maioria das pessoas, só a convivência na infância pode mudar a forma como vemos os diferentes. Pode verdadeiramente nos levar a ver as pessoas com deficiências simplesmente como diferentes.

Eu sou do tempo em que, por um lado, as pessoas tinham reações de medo quando em contato com alguma pessoa com deficiência e, por outro, familiares tinham vergonha  de seu “diferente” e o isolavam do convívio social. Felizmente, esse tempo já passou para muitos e, certamente, cada vez mais pessoas perceberão que uma criança, quando tem a oportunidade de conviver com os diferentes, se desenvolve com essa experiência e se torna um ser social melhor.

Mas, para aqueles que têm seu diferente, a inclusão começa em casa, nas experiências pessoais com esse ser diferente que chega para todos da família. No princípio, somos acometidos por várias emoções, principalmente o medo, o medo do desconhecido, o medo de como o mundo vai receber nosso diferente, o medo dos nossos medos e, para as mães, as possíveis culpas que surgem pela possibilidade de serem responsáveis pelas deficiências de seu filho.

Porém, quando aceitamos integralmente esse presente, podemos começar a conhecê-lo em suas diferenças. Podemos ver que muitas dificuldades são superadas com os cuidados e estímulos adequados. Podemos ver que eles não sofrem mais do que os outros. Podemos descobrir que, muitas vezes, as deficiências em nada afetam a inteligência intelectual, pelo contrário, muitos são na verdade, superdotados intelectualmente.

E, quando os aceitamos integralmente, podemos perceber que são muito alegres e criativos, e descobrir o prazer especial que é conviver com nosso diferente. Além do mais, poucas experiências são tão gratificantes quanto a de nos percebermos aceitando, amando e admirando os diferentes.

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