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Mercado de trabalho: é preciso romper preconceitos

Colaboração de empresários é fundamental para a inclusão social

Cleber Melo, 43, assistente operacional em uma empresa de elevadores, relembra a época em que começou a procurar emprego após o acidente, um tiro de fuzil no quartel, que provocou a amputação da sua perna esquerda. “Em 1990, tudo era muito mais difícil. Eu adquiri uma linha telefônica para facilitar o contato e a entrevista prévia. Quando eu chegava, a pessoa me recebia, olhava para mim e dizia que a vaga tinha acabado de ser preenchida por alguém que saíra dali a minutos. E eu ainda lembrava a pessoa de que havia ligado pouco tempo antes e, mesmo assim, ouvia que não havia mais vaga”. Ele conseguiu seu primeiro emprego somente dois anos depois.

Os empregadores, até hoje, buscam pessoas com deficiências simples consideradas pelos próprios como “leves”. Ou seja, a lei de cotas é cumprida desde que a deficiência não “agrida” os outros funcionários e nem obriguem a empresa a passar por grandes mudanças como adaptações para cadeirantes ou contratar intérpretes para surdos. A falta de um dedo no pé, a perda de sensibilidade cutânea, desvio leve na coluna ou mancar levemente de uma perna são exemplos de deficiências quase imperceptíveis (algumas determinadas somente por perícia médica) que causam surpresa por virem à tona somente quando o próprio deficiente fala sobre o assunto. E esse (e qualquer outra forma) tipo de preconceito causa muitos problemas no processo de integração na sociedade.

 

A questão é a eficiência

De acordo com Teresa, nos últimos três anos, o IBDD não conseguiu empregar sequer uma pessoa cega mesmo com alternativas viáveis para tornar um lugar acessível. “Existe um programa caro para adaptação do uso de computador para cegos, mas a UFRJ desenvolveu outro que é baixado gratuitamente e que atende todas as necessidades. Além do DOSVOX, sistema operacional que permite o uso de computadores por cegos, existe o Motrix específico para usuários com tetraplegia e outras deficiências motoras graves”.

IBDD - Acessibilidade-8267 baixa“Para mostrar a importância de olhar a competência da pessoa e deixar de lado sua deficiência, costumamos citar Franklin Roosevelt aos empresários, ex-presidente dos Estados Unidos. Ele foi o homem mais importante do século XX, cumpriu quatro mandatos e escondeu sua deficiência por medo de não ser aceito. Ele sabia muito bem com o que lidava. E sua deficiência não o impediu de ser o mais competente dos últimos tempos”, afirma a superintendente do IBDD. Roosevelt contraiu poliomielite em 1921, 11 anos antes de ser eleito pela primeira vez.

 

Mais dois bons exemplos

Teresa lembrou, ainda, de outro fato histórico descrito na autobiografia do pai da indústria automobilística. Henry Ford, primeiro empresário a desenvolver a produção em massa de automóveis em menos tempo a um custo baixo, designou duas pessoas para a função de contar parafusos: uma cega e outra com visão perfeita. Após uma semana, o chefe da sessão deixou somente o cego trabalhando no local porque ele fazia a função dos dois. “Ele acreditou no potencial das pessoas com deficiência, e foi em 1924. Por que não somos capazes de perceber isso hoje?”

A Firjan também possui um belo trabalho para desenvolver pessoas com Síndrome de Down: a cada seis meses, uma turma de seis a oito integrantes recebem treinamento para exercer funções como boy interno ou auxiliar de escritório. No final do período, todos ganham um diploma e alguns são empregados na própria Firjan, como um deles que está lá há quatro anos com direito a prêmio pelo melhor desempenho, ou em alguma empresa associada. “É preciso difundir esse olhar da mudança e dos direitos e deixar de lado o olhar da caridade”, completa.

 

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2 Comentários para “Mercado de trabalho: é preciso romper preconceitos”

  1. Luciane Senna disse:

    Boa tarde!
    O Espro – Ensino Social e Profissionalizante é uma ONG que desenvolve Programas de Aprendizagem para aprendizes de 14 a 24 anos e estamos atualizando nosso material didático. por esse texto para compor a leitura complementar de um dos capítulos do livro que que trata o assunto trabalho e transformação. publicado em seu site e gostaríamos de solicitar autorização para utilizá-lo, atribuindo os devidos créditos ao autor e ao site como fonte de consulta.

    Aguardamos contato. E desde já agradecemos sua atenção
    Luciane Senna

  2. Luciane Senna disse:

    O Espro – Ensino Social e Profissionalizante é uma ONG que desenvolve Programas de Aprendizagem para aprendizes de 14 a 24 anos e estamos atualizando nosso material didático. Nos interessamos por esse texto para compor a leitura complementar de um dos capítulos do livro que que trata o assunto trabalho e transformação. publicado em seu site e gostaríamos de solicitar autorização para utilizá-lo, atribuindo os devidos créditos ao autor e ao site como fonte de consulta.

    Aguardamos contato. E desde já agradecemos sua atenção
    Luciane Senna

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