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Amor maior

Ilustra_amormaiorSamantha Quintans*

Com amor maior. Com essas palavras, despeço-me das pessoas a quem amo em bilhetes, cartas, cartões e e-mails que tenho por hábito enviar. Amor não se mede, eu bem sei. Também não se compara. Amor se sente e ponto. Amor não é maior, muito menos se pode escrever sobre um amor menor. Toda forma de amor vale a pena, palavras e gestos de amor valem a pena e é só o amor que constrói e conhece o que é verdade. Mas só quem está disponível para o amor, reconhece seus sinais.

Dia desses, já embarcados, fomos surpreendidos pelo piloto do avião anunciando greve dos funcionários de pista. Pedia colaboração e paciência a “nosotros” até que a situação se normalizasse e pudéssemos levantar voo. Burburinhos, reclamações, gente ligando do celular, falatório e para além do comum. Uma jovem passageira surgiu das últimas fileiras, dirigiu-se às aeromoças e pediu para sair, descer do avião! Como assim, está com medo de voar, não quer sentar e se acalmar um pouquinho? Tudo já vai se resolver… Amorosamente as aeromoças cumpriam o seu papel e tentaram, em vão, acalmar o impulso do amor que latejava naquela doce menina de Macapá. Não tenho medo de voar! Até gosto! Mas essa greve foi um sinal. Um sinal para que eu volte e viva o amor argentino que o destino me reservou. Vou descer. Seguindo os tais sinais, vestiu sua armadura de jovem apaixonada e desembarcou com malas, os olhos cheios de lágrimas, sorrindo um riso de morder os lábios, e com o coração saltando no peito. Foi viver seu amor maior. Opa! Amor não se mede…

Amo os três filhos que nasceram da minha barriga, amo os filhos do meu amor que moram comigo, amo os amigos do meu filho que me amam como se ama a uma mãe, os meus sobrinhos, afilhados… Amo os filhos das minhas amigas através do amor de mãe que elas sentem por eles. Meus sentimentos e aspirações por eles emanam aquele amor terno que envolve, acolhe, cuida, cultiva, encoraja, sofre junto e perdoa. Vivo e respiro esse amor todos os dias da minha vida, desde que há 21 anos Luiza me apresentou a esse tal amor incondicional. Tornei-me poeta, médica, economista, cozinheira, arrumadeira, educadora, mãe de leite, palhaça e chata! Dentro de mim, moram incontáveis mulheres que amam demais. Organizar esse mix de sentimentos é o grande desafio. Sou também a mulher que em nome desse mesmo amor sufoca, transgride, invade, manipula… Empossada do trono maternal comete loucuras e espera dos amados compreensão incondicional. Amor de mãe é assim, não se compara… “Sem coragem não se faz história.”

Quem me disse essa frase foi o engenheiro guitarrista que ocupou o lugar vago ao meu lado no avião. Citava o seu pai, um homem por quem demonstrou grande admiração. Falou também com muito entusiasmo sobre seus quatro filhos, os amava profundamente. Ficou óbvio, aquela menina de Macapá provocou suspiros… Muitas histórias de amor foram recordadas, alguns votos foram renovados ali mesmo, flutuando nas nuvens. Retorno para alguns, partida para outros, a vida se renovando, provando que amor não se mede, nem se compara. Amor se sente e ponto. Por essas e por outras histórias de amor é que corajosamente vivemos todos os dias tudo novo de novo.

com amor maior,
*Samantha Quintans é personal organizer
samanthaquintans@folhacarioca.com.br

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