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Animação no Paraíso

Maré Cheia de Cinema: cultura e ecologia em comunidade caiçara

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Pelo terceiro ano consecutivo as luzes coloridas do projetor competiram com o céu estrelado para maravilhar crianças, pescadores, turistas e cinéfilos nas areias de Ponta Negra, Paraty. Localidade sem luz elétrica, cercada por natureza exuberante, aonde só se chega de barco.

texto_ TED CELESTINO
FOTOS_ PAULO VELOZO E RICARDO GUERREIRO

_MG_0741Embalado pela divina trilha sonora do mar e do vento o Coletivo João do Rio realizou de 28 a 31 de março deste ano, apenas com apoio da comunidade e parceiros, sem nenhum patrocínio oficial, mais uma edição do Maré Cheia de Cinema, quatro dias de exibição nas areias e de oficinas construtivas e integradoras.

A mostra contou com mais de trinta filmes de produção nacional, todos de classificação “livre”. Longas, entre eles o clássico “O pagador de promessa”, de Anselmo Duarte, e o infanto-juvenil “Eu e meu guarda chuva”  de Toni Vanzolini. Curtas como “A velha a fiar”, de Humberto Mauro, e “Descendentes da Terra” de Ronald Almenteiro. Muitas animações como “Miau!”, de Felipe Almeida” e “O Macaco e o Rabo” dos alunos de Animação-UFPE-CAA, além dos vídeos Maré Cheia 2012 e 2013 produzidos durante os eventos. Nem a chuva que caiu forte nas noites de sexta e sábado, dias 29 e 30, diminuiu o interesse do público. A rapaziada do Coletivo girou a tela na areia para que todos pudessem assistir a projeção de dentro do bar do Leley, que virou um verdadeiro cinema.

As oficinas AME – Arte Movimento e Ecologia – mobilizaram mais de 60 crianças todas as manhãs do evento

As oficinas AME – Arte Movimento e Ecologia – mobilizaram mais de 60 crianças todas as manhãs do evento

Na oficina de animação stop motion, com o animador Quiá Rodrigues, as crianças puderam criar seus personagens e começaram a perceber que todos são capazes de fazer cinema.

Todas as manhãs o professor de educação física Pierre Gomes movimentou as areias e as matas com suas Oficinas AME – Arte Movimento e Ecologia – com participação de cerca de 60 crianças em cada dia. Uma das muitas atividades foi sinalizar os caminhos da Comunidade com placas de cunho ecológico, criadas pelas próprias crianças.

A Corrida de Canoa Caiçara, coordenada por Pierre Gomes, reforça as tradições da comunidade e teve participação entusiástica de remadores todas as idades

A Corrida de Canoa Caiçara, coordenada por Pierre Gomes, reforça as tradições da comunidade e teve participação entusiástica de remadores todas as idades

Em Ponta Negra a canoa caiçara é como um “fusca”, todas as famílias têm uma e se aprende a remar desde muito pequeno. Essa tradição foi vivenciada intensamente no sábado à tarde, durante a Corrida de Canoa Caiçara, que teve a participação tanto de meninos quanto de meninas, jovens e adultos que competiram pelas medalhas com apoio de torcidas que gritavam e aplaudiam sem parar. Do alto da pequena encosta que rodeia a praia os moradores mais velhos acompanhavam e torciam por seus “meninos”. No domingo a noite foi exibido durante a mostra o filme produzido no dia anterior e que também pode ser visto no youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=jC8i18xUbfw .

_MG_0180Segundo Ronald Almenteiro, produtor do Coletivo João do Rio, o objetivo de realizar essa 3ª edição mesmo sem patrocínio oficial foi:  “Perpetuar o sonho de promover o cinema nacional, a identidade da comunidade caiçara local de Ponta Negra, a construção humana a partir e através das crianças que conceberão o futuro, como a partir e através de seus anciãos que tanto viveram, viram e que nos revelam as origens deste santuário. Não menos, pelas pessoas de qualquer idade atuantes amorosamente na preservação de tanto existir e saber. Nós, Coletivo João do Rio, vamos trabalhar para realizar uma 4ª, 5ª, 6ª e sempre edições de Maré Cheia de Cinema. Inteiramente gratuitas, exibindo filmes e oferecendo oficinas para a alegria e formação da criançada, deleite e orgulho desta população e navegantes do mundo.”

A população de Ponta Negra, cerca trezentas pessoas em sessenta famílias, abraça este projeto com entusiasmo e conta com a continuidade dele. E o pessoal do Coletivo João do Rio também pretende mobilizar as comunidades vizinhas para levar e produzir cultura e ecologia em outras praias.

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