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Carmen Pimentel - Língua portuguesa

Onde está o erro?

O Ministério da Língua Portuguesa adverte: usar a palavra ONDE, sem ler a bula antes, pode causar problemas graves ao seu texto!

Este é o fenômeno do momento: muita gente boa, hoje em dia, resolveu usar o ONDE sem se preocupar com o seu valor semântico, retomando um termo citado anteriormente sem a ideia de lugar físico, espacial, que a palavrinha possui. Políticos, jornalistas, esportistas, alunos adotaram o modismo e utilizam o termo indiscriminadamente, causando revoltas aos ouvidos mais cautelosos!

Estava eu na fila para entrar no barracão da Mangueira, vésperas de Carnaval, muita animação, quando ouvi a seguinte declaração de amor à escola:

“Estou aqui na Mangueira onde é minha escola preferida!” (sic)

O que acontece aqui? ONDE retoma o termo “Mangueira”. Para o falante, naquele momento, Mangueira era o local em que ele se encontrava. Sendo um local, a palavra escolhida foi justamente aquela que se refere a lugares = ONDE. O que causou, então, a má escolha do mangueirense? O ONDE retomou um termo que parecia exprimir ideia de lugar, mas que, na verdade, não tinha essa função na oração em que ele estava.

Analisemos! Essa frase possui duas orações:

“Estou aqui na Mangueira.” e “A Mangueira é minha escola preferida.”

Para unir as duas orações e evitar a repetição da palavra Mangueira, o sambista escolheu o pronome relativo ONDE, mas de maneira totalmente equivocada! Na segunda oração, “Mangueira” não dá ideia de lugar, mas de sujeito, do qual se fala algo. Dessa forma, a melhor escolha seria usar a palavra QUE:

“Estou aqui na Mangueira que é minha escola preferida!”

Agora sim! Para usar o ONDE, a frase teria que ser outra:

“Estou aqui na Mangueira onde ficarei até o sol raiar!” (Ficarei na Mangueira até o sol raiar = ideia de lugar).

Mais uma situação! Outro dia li a seguinte frase: “Vivemos uma época muito difícil, onde impera a violência gratuita”. E mais esta: “A infância é uma fase maravilhosa, onde a criança está sempre pronta para descobrir a vida!” O que essas frases têm de errado?

Se ONDE é palavra que se refere a um lugar físico, não pode, portanto, ser usada nessas duas situações anteriores, já que “época” e “infância” não são lugares físicos, mas temporais.

Mais exemplos de uso indevido do ONDE:
“Fiz uma escolha onde sei que será melhor para mim.” (melhor usar QUE)
“O que se observa são crianças nas ruas trabalhando, onde deveriam estar estudando.” (melhor usar QUANDO)

Outra dúvida recorrente para muita gente: onde ou aonde? Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento (dirigir-se, ir, levar, etc.). Equivale a dizer “PARA ONDE” ou “A QUE LUGAR”.
Aonde você vai?
Aonde está nos levando?
Você pretende chegar aonde com esta atitude?

Logo, com os verbos que não dão ideia de movimento, emprega-se ONDE.
“Moro onde não mora ninguém” (Agepê e Canário)
Onde estão meus óculos?
Não sei onde deixei meu celular…

Também por esses exemplos, podemos perceber que ONDE transmite ideia de lugar (Em que lugar estão meus óculos?).

Percebeu? Então, a partir de agora, tome cuidado ao escolher o ONDE para construir suas frases, evitando cometer tal gafe!

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