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Gisela Gold

Simba

Ilustra-GiselaSimba gostava era de papel. Ali cabia sílaba, borboleta, beijo, palavrão, soneto, piscina cheia e vazia, música pra violão, silêncio, desespero e fantasia.

Se gente não tinha, inventava. Voz, tom de pele, cep, altura, data de morte e jeito na vida.

Simba cresceu assim. Sem ver, já conhecia. Sem ter, já sabia. Sem dizer, já podia.

Papel, com os anos, amarela. Que nem livro velho. E as almas dos velhos marinheiros de Cabral e suas palavras, Simba mantinha no presente. Que é pra se defender da maresia do tempo. Do tédio que enverga as pálpebras.

Poema ele usava de colírio. Pra saber de cor os olhos de menino.

Simba mete medo nas moças direitas. Mas Simba também não quer. Gosta mesmo é de trapezista. Não dirige que é pra andar na corda até ficar bamba.

Dia desses, Simba encasquetou que andava dodói das ideias. Vai ver tinha que olhar um só ponto do quadro negro. Perdia rápido o olho. Tinha foco era nada.

Menino cismou de procurar cura de si mesmo. Pra ficar que nem os outros.

Ei, Simba. Vai se perder da caravela. Nela só anda quem não presta. Que prestar é etiqueta de coisa.

Simbora se perder nesse mundo tamanho g. Tua vida é da largura do teu olho esbugalhado de tanto que quer comer.

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