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Oswaldo Miranda

Dulcinéa – 400 anos depois

dom-quixoteDe repende, Dulcinéa, a amada de D. Quixote, velha paixão do chamado Cavaleiro da Triste Figura, aquela a quem ele dedicava todos os seus atos. Miguel de Cervantes Saavedra deixou esta obra fantástica, quatrocentona, das mais importantes da literatura universal. D. Quixote lia as chamadas novelas de cavalaria, que falavam de homens corajosos, super-heróis que lutavam contra monstros e vilões em busca da glória. A ponto de se deixar influenciar, acreditando que lutar contra gigantes era como enfrentar moinhos de vento, embora gozado pelo fiel escudeiro, Sancho Pança, o cara que tentava chamá-lo à realidade. E por aí segue a espetacular narrativa. Isso para informar que entre as pessoas para quem eu dou esmolas aqui do Leblon, há também uma Dulcinéa. Fica postadinha ali na calçada, perto do Talho Capixaba. Encolhidinha, num bolo de corpo só, um montinho humano, tudo espremidinho, pezinhos miudinhos à mostra, o conjunto de carne coberto de ralos panos, à frente, o copinho de plástico, no qual, em cada vinte passantes um joga a moeda disponível, que, se for de má mira, cai fora… e ela apanha e bota no tosco recipiente plástico. Não, não pede. Reservadinha, não apela com o clássico ”uma esmolinha, pelamor de Deus!” Só aguarda o que lhe dão, os poucos. Discreta, reservada, fechadinha no seu modo de sofrer, resignada com seu destino, assim, à noitinha, ali, ignorada por muitos passantes. Dulcinéa. Sempre que posso, deixo um mastigo para ela, aquele pãozinho, baguete que sai quentinho da Rio-Lisboa. Uma vez ela levantou a cabecinha, olhou para mim e nem fez por menos: “Agora quero com manteiga.” Voltei e no balcão pedi para passarem manteiga na baguete e ela gostou. Já na segunda vez a moça do balcão disse que para passar manteiga eu tinha que pagar 3 reais e cinquenta centavos! Dulcinéa teve mesmo que ficar com seu pãozinho simples, sem a manteiguinha desejada, que, enfim, saboreia com o mesmo prazer.

Dulcineia1Revoltado, quase me transformei no Cavaleiro e com minha lança investir contra aquele moinho pelo abuso do preço de uma simples “manteigada” num pedaço de pão.

Oswaldo-DulcineiaTraduziu Sergio Molinas: “Terás porventura a mente posta no teu cativo cavalheiro, que só por servir-te e de tua inteira vontade, a tantos perigos quis se expor?”

Eu na pele de D.Quixote por essa frágil Dulcinéa de hoje, que bem poderia estar no grupo dos decantados miseráveis que Dona Dilma promete erradicar, segura no lema “País rico é país sem miséria” que os anjos digam amém e Sancho Pancha a proteja…

Os tapetes de MustafáPãodeaçucar_tapetes

Já chegaram por aqui e estão nas mãos dos camelôs – sempre eles… Legítimo, doutor, diretamente da Turquia. 350, mas pro senhor, 300. É pegar e levar. Salve o folclore Carioca!

Deu na mídia

JORNAL NACIONAL: “Para prevenir alto risco de câncer de mama, a linda atriz Angelina Jolie fez mastectomia dupla, ou seja, tirou os seios”. Mutilou-se para se resguardar e dar exemplo às mulheres que passam pela mesma situação. Desfez-se das mamas para não expor seus filhos à possibilidade de perderem a mãe precocemente. O gesto assombrou o mundo. Angelina foi corajosa, preventiva e heroína.

GERAL: “Joaquim Barbosa diz que partidos são de mentirinha”. Repercussão entre eles, negativa, como seria de supor. Mas cá fora foi diferente. Tiro do Ancelmo: “Um sistema partidário com dezenas de partidos, quase todos inodoros, insípidos, assexuados, sem ideias ou ideologias, é ou não é de mentirinha?” E vem a blague: cartas para redação…

O DIA: “O sonho das três cariocas era viver o belo cenário dos balões sobrevoando o solo de formação rochosa da Capadócia, como na novela”. Viajaram, foram e viveram o sonho, para morrer. A ficção vira realidade…

GERAL: “No Rio Grande do Sul o leite fornecido aos consumidores tinha água e formol”. Essas vacas de hoje…

zeca_realoadPROGRAMA DO JÔ: “Zeca Pagodinho. Estive aqui em 91. Jogo no jogo do bicho e Jô falou que quando estudava em Petrópolis, sua mãe disse que sonhara com uma vaca deitada num sofá gritando mil e quinhentos. Jogou na vaca e ganhou. Tinha um procurador da Justiça na plateia que olhou para os dois de soslaio…” Zeca cantou sambas de Ataulfo Alves e Nelson Cavaquinho. A safra atual anda tão fraca assim?

O GLOBO-ESPORTES: “Ex- atleta que transformou a FIFA em uma entidade mundial, João Havelange, 96 anos, renuncia à presidência de honra da entidade para escapar da punição por ter recebido suborno…” É triste! Nada a comentar, mas que fiquem, então, as boas lembranças do passado, a partir das vitórias da natação.

GERAL: “Lula estreia como colunista do New York Times”. Grande expectativa pelo seu primeiro texto, quando deverá contar tintim por tintim como foi armado por ele o esquema do mensalão, the biggest scandal of brazilian republic…

ESPORTE: Carlinhos Brown inventou e o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, aprovou. É a tal da “caxirola”, um chocalho que repetiria aqui, na Copa, a participação da torcida nos jogos, como aconteceu com a estridente “vuvuzela” na África do Sul. A primeira experiência foi no clássico baiano Ba-Vi. Distribuíram 50 mil aos torcedores. Eles devem ter chacoalhado bastante o pequeno instrumento. Mas mal acabou o jogo, jogaram a bugiganga no campo. Em tempo: Carlinhos Brown deu uma de presente para a presidente Dilma, que deve ter achado a coisa uma grande bobagem. Quem pagou? perguntou Renato Mauricio Prado.

Romario_alemanhaO GLOBO: “Romário: A Alemanha vai ganhar a Copa”. Será que nosso deputado ainda não ouviu dizer que o futebol é uma caixinha de surpresas?

BAND NEWS: “Afif Domingues, PSD, vice governador de São Paulo, aceitou ser ministro da Dilma, PT”. Problema à vista: quando Alckimin se ausentar, ele vai ser governador e ministro ao mesmo tempo? A legislação permite uma vela a Deus, outra ao diabo?

Oswaldo-papelGERAL: “Atordoado com o desabastecimento, Maduro determina a importação de 50 milhões de rolos de papel higiênico”. Pelo menos, os venezuelanos poderão evacuar em paz.

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Publicado em – Edição 117
Osmar de Guedes Vaz, gozador contumaz…
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What a wonderful world!
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