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Anti-stress natural

Paraíso escondido entre as montanhas, ar puro, clima agradável durante todo o ano – com um friozinho especial no inverno – Mata Atlântica e rios que formam cachoeiras com correntezas diferentes para todos os gostos, para todas as forças, para todas as pessoas.

TEXTO_ Juliana Marques Alves

Gruta - - Luana Miranda (sanabrasil)

Foto: Luana Miranda / www.sanabrasil.com.br

Seja bem-vindo ao Sana, um distrito rural a 165 km do Rio de Janeiro, entre os municípios de Nova Friburgo, Casimiro de Abreu e Trajano de Moraes, na região serrana de Macaé, ideal para relaxar e buscar o equilíbrio necessário a este novo semestre. Barra do Sana, Cabeceira do Sana e Arraial do Sana (esta última concentra a maior parte da população) são as três regiões que compõem o local com bares, restaurantes, campings, pousadas e hotéis-fazenda bem aconchegantes.
O Rio Sana, um dos afluentes do Rio Macaé, cuja nascente é a 1560 m de altitude, próximo ao Pico do Tinguá, em Nova Friburgo, corta o vilarejo. E os dois, juntamente com os rios Andorinhas, Peito de Pombo e São Bento, e os córregos Boa Sorte e Glória formam belas cachoeiras e piscinas naturais propícias até para profundos mergulhos. O Peito de Pombo, por exemplo, dá origem às Cachoeiras Sete Quedas, do Pai, do Filho, da Mãe e o Escorrega, e todos os pontos pertencem ao chamado Circuito das Águas. Muitos pulam das rochas ao redor das Cachoeiras do Pai e da Mãe (aproximados 11 e 12 metros respectivamente) e, para conhecer a do Filho, que fica entre as duas, recomenda-se não levar crianças devido às dificuldades do caminho.

Passeios por todos os lados

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Foto: Luana Miranda / www.sanabrasil.com.br

Na Cabeceira do Sana, está o Rio Andorinhas, que alimenta as Cachoeiras do Vaguinho, Santa Rosa – na nascente do Rio Sana –, a pequena queda d’água Singela e a própria Cachoeira das Andorinhas, que fica em propriedade particular e é abrigo de andorinhas durante o verão. A Pedra do Peito do Pombo é um dos pontos mais visitados, com trilha bem demarcada, iniciada na pracinha do Sana, e cerca de seis horas de caminhada (ida e volta). Sim; todo o esforço será recompensado! Depois de subir os 1400 metros, é só aproveitar a vista que vai desde Macaé, Cabo Frio, Búzios, Barra de São João até um lindo e extenso tapete verde formado pela serra ao redor, e toda a região é Área de Preservação Ambiental (APA).
Se você quiser um pouco mais de adrenalina, as corredeiras e as quedas com grande volume de água do Rio Macaé são excelentes para a prática de rafting, desde iniciantes até profissionais. Em todos os botes, há instrutores que orientam o caminho e os procedimentos necessários para manter os participantes em segurança. E não se esqueça: essa aventura deve ser programada com antecedência. Nas noites de sexta a domingo, os artesãos se espalham na Feira Cria Sana, no centro, com suas artes em reciclagem de arame, couro e crochê, pinturas à mão, peças feitas em biscuit e argila branca, bijuterias e souvenires.

O Sana e sua história

Há diversas sugestões para a origem do seu nome. Alguns dizem que foi dado pelos índios Guarulhos, moradores da região, devido a uma espécie de bambu que nascia ao longo dos rios. Outros associam o batismo aos colonos franceses em referência ao Rio Sena, da França, e essa é a história mais provável, de acordo com moradores. Por volta de 1840, negros de fazendas vizinhas à região fugiram dos maus tratos e formaram no Quilombo de Carukango, na serra de Macaé, e resistiram cerca de duas décadas sobrevivendo da caça, da pesca e de atividades agrícolas.
Nessa época, os imigrantes suíços, primeiros a se instalarem na região, investiram nas plantações de café até Nova Friburgo e redondezas. Mas devido às dificuldades para a lavoura familiar, seguiram o curso do Rio Macaé, instalaram-se no Sana e fundaram o vilarejo. A evolução da região começou em 1920 quando houve um aumento da procura por plantas medicinais locais utilizadas no combate a malária, doença que foi comum em Macaé e Casimiro de Abreu. Após a crise do café, o vilarejo foi abandonado. No início da década de 70, as regiões vizinhas promoveram festivais de música bem atraentes aos jovens, que buscavam a natureza e a fuga do consumismo. Naquele momento, hippies e naturalistas organizaram uma comunidade alternativa no Vale do Peito do Pombo, e muitos outros da cidade grande uniram-se a esse estilo de vida crente até em fenômenos místicos e ocultos. Um pouco antes de 1985, tal movimento já tinha perdido força e, com a chegada da energia elétrica, os que permaneceram na vila tornaram-se comerciantes, donos de pousadas e cuidadores oficiais de toda a beleza.

Lembranças de um morador

fim-fim - Luana Miranda (sanabrasil)

Foto: Luana Miranda / www.sanabrasil.com.br

Quem se lembra bem dessa época é Alucimar Gomes de Andrade: nascida e criada no Sana, aproveitou a chegada dos novos visitantes para fortalecer o novo ramo dos seus negócios. “Quando coloquei, pela primeira vez, uma pessoa que nunca tinha visto dentro de casa, minha mãe ficou muito preocupada. E eu disse: “se um filho seu saísse com a mochila nas costas e ninguém o abrigasse, a senhora ficaria contente?”. Ela pensou um pouco, e respondeu “não; não gostaria que isso acontecesse”. As pessoas que vieram na época da comunidade alternativa realmente buscavam o contato com a natureza, e ainda é possível encontrar alguns deles por aqui. É uma pena não podermos mais confiar em estranhos como antigamente”.
Atualmente, a vida desse pequeno povoado (cerca de 2000 pessoas) melhorou com a pavimentação das vias de acesso. “Ainda existem ruas de terra, mas as principais estradas já são asfaltadas. Até os antigos fazendeiros eram trazidos a cavalo da estação de trem de Casimiro de Abreu, e a ponte que cruzava o Rio Macaé era de arame. Eu trabalhava com refeições e, no começo, servia arroz, feijão e ovo, um prato delicioso, principalmente para os comerciantes que chegavam famintos de suas viagens trazendo suas mercadorias nos lombos dos burros. Tínhamos dificuldades para armazenar a comida, o peixe precisava ser salgado e o porco precisava ser frito e guardado na banha. Foram 30 anos cozinhando até investir na minha pousada. E a energia elétrica trouxe muitas melhorias em nossas vidas, inclusive na área da saúde. Agradeço a Deus por esse paraíso. Não fui eu quem o escolheu; foi Deus quem me deu”.

Como chegar:
-De carro: vá até a Rodoviária de Casimiro de Abreu, passe para o lado esquerdo da pista (sentido Rio de Janeiro), e siga pelos 26 km até o centro do Arraial do Sana – a maior parte da estrada é asfaltada, e o final do percurso é feito de terra batida.
– De ônibus: saia da rodoviária Novo Rio até Casimiro de Abreu. Ao chegar lá, pegue uma van ou ônibus para o Sana.

 

 

 

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Um Comentário para “Anti-stress natural”

  1. vanda oliveira disse:

    gostaria de fazer o tour ,no onibus que sai do largo do machado .Como faço

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