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Samantha Quintans - TUDONOVODENOVO

Aprendendo com quem já viveu mais do que eu

Samantha---Aprendendo-com-que-ja-viveuNesse mês conheci uma doce senhorinha chamada Dona Dina. Enquanto eu organizava suas magníficas peças de arte, quadros e almofadas, ela me observava com carinho e curiosidade. Até que fez a seguinte pergunta: “Minha filha, onde foi que você aprendeu a arrumar a casa desse jeito?” Sorrindo respondi que já tinha nascido assim. Mentira! Posso até ter nascido com o dom, é verdade, mas como diversos outros talentos desperdiçados, esse poderia ter sido mais um. Porém, em minha vida havia uma outra senhorinha chamada Dona Biga, que por amor maior e vontade de me ter por perto, deixou que eu voasse livre por sua casa. Generosamente liberava o piso de cimento liso e colorido para que eu desenhasse ondas com a enceradeira. Colocava ao pé do fogão um caixote, me deixando mais próxima das panelas e incentivava, elogiando minhas composições em patchwork, que eu me tornasse costureira.  Ainda menina, descobri como é fácil deliciar aos convidados com receitas simples. Aos dez anos, já era especialista em pudim e mousse de maracujá! Minha avó foi pro céu, mas a cumplicidade de nossos momentos vão acompanhar minha vida e quando enfim a avó for eu, vou imitá-la direitinho e deixar meus netos caidinhos por mim também.

A maioria dos meus clientes são pessoas ricas de lembranças, preservam seus tesouros e não gostam nem de ouvir falar em se desfazer dos objetos que os cercam, geralmente  eles possuem grande carga emocional. Quem disse que organizar é sair jogando tudo fora? Talvez um ou outro programa de televisão esteja divulgando esse conceito. Não concordo. Meu estilo de organizar é bem diferente, gosto de reaproveitar quase tudo. Trocando de lugar ou função, móveis e afins recompõem os ambientes; em ângulos diferentes reconquistam a admiração de seus antigos e apegados donos, reconciliando o velho e o novo. Definitivamente esses programas ricos em patrocinadores que estimulam o consumo desenfreado, não me representam!

Respeito, carinho e um novo olhar. É disso que precisamos para colocar cada coisa em seu lugar, o resto é determinação, noção de espaço e harmonia visual.

Aprendo com minhas fofas, cultas e cheias de vida Senhorinhas, que nem todo móvel antigo deve ser substituído por módulos práticos construídos com MDF. Que telas imensas pintadas à óleo não podem ser substituídas por gravuras abstratas, somente porque as revistas estão divulgando e vendendo, um novo modismo para se decorar a casa. A não ser que você esteja começando a colecionar os ícones que mais adiante te farão recordar a vida vivida, quase nada de novo deve ser adquirido. Mudar de lugar, agrupar, reaproveitar, revigorar, valorizar e destacar boas memórias; essas são as atitudes que deixam meus clientes satisfeitos e tranquilos. Mal sabem as minhas senhorinhas… à cada encontro saio mais esperta e aprendo mais um truque. Você sabia que água oxigenada remove mancha de sangue e deixa tudo novo de novo?

 

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Quais são as suas mais sinceras intenções?
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Um Comentário para “Aprendendo com quem já viveu mais do que eu”

  1. Joaquina disse:

    Coisa mais linda de se ler.
    Nossas lembranças preservadas, nas memórias de netas que, apesar das avós algumas vezes não lembrarem mais nem o próprio nome, viverem na história de cada um que lembra de sua passagem por suas vidas.
    Ganhei o dia!

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