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Oswaldo Miranda

Greve – o começo à margem do rio Sena

greve Greves espocando por todos os lados. Brasil de alto a baixo. Greve de médicos, coisa lá pra traz impensada. Greve dos rodoviários, que poderiam parar obras de infraestrutura nas estradas federais com empresas empreiteiras deixando de receber 1 bilhão. Os sindicatos têm uma pauta que prevê para setembro a paralisação dos bancários, dos metalúrgicos e dos petroleiros. É o que tirei da mídia. Bem, a gente sabe que greve é o fato de uma categoria de trabalho parar as atividades em busca de melhora em seus ordenados, e outras exigências. Mas lá por sorte ou não sei por que, ao folhear minha Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo encontrei informação desconhecida sobre greve, que veio a calhar, sobretudo pelo fato de sanear minha santa ignorância sobre o assunto, presumindo que muita gente, como eu, também não o conheciam o que tirei daquele livro e que, por oportuno julguei passar adiante para meus prováveis leitores.

Então vai aqui a transcrição.
“Greve – do francês ‘gréve’, que significa uma mistura de argila e areia carreada e depositada por um rio ao longo de suas margens. Havia em Paris, a uma margem do rio Sena, um desses depósitos, numa praça chamada justamente de Place de Gréve. Nela se reuniam os operários desempregados, à espera dos patrões que vinham oferecer-Ihes trabalho. Ai se efetuavam as conversações e os acordos entre empregados e empregadores. Por isso, quando os empregados abandonavam seus empregos, voltavam a esse local onde. aguardavam novas propostas. Literalmente, ficavam ‘em gréve’, isto é, na Place de Gréve. A expressão generalizou-se e passou a ser usada por extensão para caracterizar o abandono do trabalho pelos operários. Modernamente entende-se por greve a paralisação do trabalho pela totalidade ou por um grande número de empregados de uma empresa ou de uma determinada atividade profissional, visando obtenção de melhorias nas condições de trabalho ou à defesa dos interesses profissionais, econômicos e sociais comuns. Durante as primeiras décadas da industrialização do Ocidente a greve foi o único instrumento eficaz de que dispunhparisam os operários para lutar por melhores condições de trabalho, pois inexistia qualquer legislação trabalhista que os protegesse. Nessa época as greves foram soberamente combatidas, tendo sido, inclusive, consideradas como crime e incluídas, como tal, nos Códigos Penais do século passado. Mas gradativamente, tornaram-se uma ‘situação de fato’, à medida que as legislações começaram a aceitá-las e regulá-las. Após lenta evolução, a greve, nos países democráticos tornou-se direito dos trabalhadores, sendo garantida em muitos deles, como no Brasil, pela própria Constituição.”

E quem poderia supor que tudo teria começado ali, às margens, numa prainha do romântico e decantado rio Sena, um dos mais belos cartões postais de Paris…

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