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Todo dia é dia do Rock

Zeca Urubu (na moto), dono do Heavy Duty Beer Club, é figura mitológica no cenário do rock carioca. O bar é palco para bandas de rock de todos os cantos do Rio

Zeca Urubu (na moto), dono do Heavy Duty Beer Club, é figura mitológica no cenário do rock carioca. O bar é palco para bandas de rock de todos os cantos do Rio

No mês em que a cidade recebe dezenas de atrações internacionais, mapeamos os principais points de resistência do rock´n ´roll carioca

TEXTO _ Fred Pacífico
Fotos– arthur moura

Reunir os amigos para ouvir um som. Este é o espírito presente em quase todas as casas e espaços da cidade dedicados ao bom, velho e (de preferência) alto rock’n’roll. Prática, inclusive, repetida e propagada pelos amantes do gênero. E não me venha com a velha história de que o Rio de Janeiro é a cidade do samba, da bossa nova etc. e tal. Um lugar que lançou no cenário nacional nomes como Cazuza, Cássia Eller, Lobão e várias bandas importantes como Barão Vermelho, Paralamos do Sucesso, o Rappa, Planet Hemp, e que abriga este mês mais uma edição do Rock ´n´Rio, não pode ser limitado a apenas alguns ritmos. Pensando nisso, procuramos os destinos preferidos de quem gosta de escutar um bom rife de guitarra, em suas mais variadas vertentes, e, de preferência, sem muita aporrinhação.

Citado quase por unanimidade pelos entrevistados, o Heavy Duty Beer Club (www.heavydutybeerclub.com), na Praça da Bandeira, tem seu espaço garantido no imaginário dos roqueiros. Consagrado pelo clima sem muita frescura, no melhor estilo “seja bem vindo, faça você mesmo o serviço e não me encha a paciência”, o bar ficou famoso por propagandear ter o pior atendimento da cidade e, mesmo assim, viver cheio. Quer sentar? Encontre seu espaço ou monte sua própria mesa. Quer alguma coisa para beber ou comer? Levante da cadeira e vá pegar no balcão. O dono do bar, conhecido como Zeca Urubu, é figura mitológica no cenário e consegue manter um público fiel desde que abriu o espaço, em 1997. À margem de qualquer primeira impressão errônea que um visitante desavisado possa ter, o local agrada, pois os frequentadores sabem que lá a cerveja é gelada, o preço é justo e, principalmente, o som é bom. Tanto nas caixas, quanto no palco, que recebe bandas de rock de todos os cantos do estado.

Shows são, inclusive, comuns em quase todos os lugares onde o rock é o som nas caixas e nas veias. Nas redondezas

Detalhes da decoração do Heavy Duty (acima), na Tijuca, e a fachada do Saloon 79 (abaixo), em Botafogo. Redutos do bom Rock'n'Roll na cidade

Detalhes da decoração do Heavy Duty (acima), na Tijuca, e a fachada do Saloon 79 (abaixo), em Botafogo. Redutos do bom Rock’n’Roll na cidade

da Tijuca também está outro bom destino do rock, o bar Calabouço (www.calabouco-bar.com.br), que de quinta a domingo atrai bandas de dentro e fora do Rio, que tocam, desde repertórios próprios, até tributos às grandes bandas ou épocas do ritmo. Moradores da região, como o casal Luís Fernando Taylor, 37, e Juliana Araújo, 35, apontam também o Botto Bar (www.bottobar.com.br) como outro bom destino no entorno para se beber bem e ouvir um som. “Já estou na fase de querer ouvir o que gosto, mas podendo conversar com quem estou. O Botto é bom para isso. A carta de cerveja e o som são excelentes. Nas terças rola show com alguns dos integrantes do Blues Etílico, que vale o programa. Agora, faltam mais espaços na cidade, pois público tem e, os que existem, vivem cheios”, explica Taylor.

Uma cena que podia ser melhor

A reclamação sobre a cena do rock no Rio deixar ainda muito a desejar é outra constante entre os entrevistados. O designer Leandro Brasil, 35, da agência Huge Inc., concorda com o casal. “O rock no Rio, na verdade, já foi bem melhor. O pessoal tem que deixar o amadorismo de lado, voltar a comer mais feijão e entender que não dá pra agradar todo mundo. O importante é ser autêntico”, afirma. Led, como é conhecido entre os amigos, diz que quando quer ouvir um som costuma frequentar o Saloon 79 (www.saloon79.com) e, dependendo da programação, a Casa da Matriz (www.casadamatriz.com.br), ambos em Botafogo. “Costumava frequentar o Empório, em Ipanema, quando o Vicente [*falecido gerente da casa*] era vivo e eu morava mais perto. Agora já faz uns três anos que frequento o Saloon e recomendo”, diz o designer.

SALOONO Saloon 79 é hoje um destino certo no mapa dos roqueiros cariocas. Criado em 2002 pelo Harley’s Dogs Moto Clube, o bar já passou por algumas mudanças, inclusive de donos, mas sempre manteve o estilo e a proposta rock’n’roll. O atual gerente da casa, Tony Rocker, 32, já frequentava o espaço antes de começar a trabalhar por ali. “Muitos dos funcionários da casa, assim como eu, eram frequentadores ou mesmo já tocaram aqui, antes de entrarem para equipe. Isso é muito comum, pois acaba sendo uma grande família unida pelo som. Quem gosta, sempre retorna. Quando me convidaram para assumir o bar, aceitei sem pensar muito”, conta. O barman da casa, Enio Vieira, guitarrista da banda Enio & Black Mamba, dedicada ao rock e ao blues, é outro que de frequentador virou parte do time. “Já toco aqui há pelo menos oito anos e, há pouco mais de um ano, passei a trabalhar no espaço. Acho que falta opção no rio, principalmente na Zona Sul, e aqui é um dos poucos lugares onde é possível viver o rock”, afirma o guitarrista.

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Pista cheia no Saloon 79 em típica noite de rock (no alto); A performer burlesca e DJ, Ludmila Houben, e o músico Daniel Abud percorrem grandes distâncias para ir aos bares que tocam o som que gostam

Para Tony, a cena do rock no Rio já foi bem melhor e há muito espaço para voltar a crescer. “Ainda tento entender o que aconteceu, pois nas décadas de 80 e 90 a cidade transpirava rock. Não só a cidade, como o país. A mídia parou de vender o gênero e, consequentemente, o povo saiu do rock. Mas para quem realmente gosta, não há isso. É um ritmo que seduz todas as idades. Temos aqui um bar de adulto, onde é comum ver pais e filhos juntos para curtir o som. O Saloon é um espaço que, além de ser palco certo no circuito musical da cidade, se propõem em manter a cultura, a estética e tudo relacionado ao bom rock’n’roll”, explica.

A performer burlesca e DJ, Ludmila Houben, 26, concorda que a cena roqueira carioca poderia ser melhor. Natural de Belo Horizonte e atualmente morando em Niterói, a mineira percorre grandes distâncias na cidade só para poder ouvir o som que curte. “Estou acostumada com BH e São Paulo que têm muitas opções para os roqueiros de todos os segmentos. Aqui ainda são poucas, por isso fazemos qualquer esforço para vir até Botafogo”, afirma. Ideia compartilhada por seu parceiro na cruzada atrás de bares de rock, o vocalista da banda punk The Knutz (www.theknutz.com), Daniel Abud, 25. “Niterói também possui algumas poucas opções. Por isso despencamos, muitas vezes, para o Rio para curtir a noite. Destaco por lá o Espaço Maestrina (www.espacomaestrina.com.br), em Icaraí, e o Convés Rock Clube, perto da Cantareira, que são locais onde ainda é possível tocar ou ouvir um som”, sugere o músico.

Um estilo de vida

O fotógrafo Vitor Malheiros, 33, é outro que, apesar de acreditar que a cena do rock na cidade ainda

tem muito que melhorar, procura conhecer e estar onde o som pega e o mosh come solto. Tanto, que fez da paixão pela música sua profissão. Malheiros fotografa desde 2011 para o site PUNKnet (www.punknet.com.br), uma revista online especializada em cobrir e acompanhar a cena punk rock nacional e internacional, mas que prestigia também, como a própria publicação se apresenta, “o rock e suas vertentes, afinal, sem o rock não existiria o punk rock e sem o punk rock não existiria a PUNKnet”.

Para Malheiros, a cena rock do Rio atualmente é bem underground. “O rock fica muito ofuscado pela cultura do samba e da música brasileira em geral, e funciona fundamentalmente na base do ‘do it yourself’.

O fotógrafo Vitor Malheiros se especializou em show, unindo a profissão à paixão pelo rock (no detalhe) Neon, o cão de estimação do Estúdio Audio Rebel, é figura conhecida na cena musical

O fotógrafo Vitor Malheiros se especializou em show, unindo a profissão à paixão pelo rock (no detalhe) Neon, o cão de estimação do Estúdio Audio Rebel, é figura conhecida na cena musical

Felizmente, mesmo nesse panorama, existem muitas bandas boas, e um bocado de gente ralando pra produzir bons eventos, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte. Em minha opinião também, eventos como o Rock in Rio não refletem bem a realidade cotidiana de quem trabalha e vive o rock’n’roll no Rio”, diz.
Os locais preferidos do fotógrafo também se concentram em Botafogo. Bairro que, por sinal, tem certa diversidade de opções para os roqueiros. “Gosto de ir à Matriz e ao Saloon, mas o meu local preferido é o estúdio Audio Rebel (www.audiorebel.com.br). Curto a quantidade e variedade de sons que passam por lá, fora o clima do lugar. Tenho uma ótima amizade com o pessoal e sinto o espaço como uma segunda casa, onde posso ouvir um bom som e encontrar com os amigos”, conta Malheiros.

O músico e técnico de som Pedro Torres, 30, é um dos sócios da casa, que funciona como estúdio de ensaio e gravação. “Quando eu e o Daniel criamos o Audio Rebel, queríamos ter um local para o rock independente. Conseguimos e, atualmente, somos o primeiro palco de muitas bandas, além de estarmos no circuito musical da cidade e conseguirmos trazer bons nomes para tocar. O estúdio é um espaço comercial, muito bem equipado, aberto para qualquer ritmo, sem distinção. Temos também uma loja para atender aos músicos, com equipamento e produtos relacionados. Agora, regularmente, o estúdio abre para shows e a programação é marcada pelas vertentes do rock, hard core, punk rock e sons do gênero, que é o que jimmygostamos e de onde viemos”, explica Torres.

Além dos locais já citados, há também no bairro, não muito longe dali, o Bar Bukowski (www.barbukowski.com.br), destinado exclusivamente ao ritmo desde quando abriu, em 1997. Ampliando ainda mais o radar, vela a pena listar também: o bar Garagem do Rock (facebook.com/GaragemDoRockRealengo), em Realengo; o Planet Music (facebook.com/planetmusicrj), em Cascadura; o Barulho Café e Pub (facebook.com/BarulhoCafe), na Pedra de Guaratiba, em Santa Cruz; e o Bar do Turco, em Icaraí. Do blues ao metal, ou do punk ao rockabilly, tem para todos e todo mundo se entende. Afinal, como bem disse o professor Ciro Mestroff, 59, “roqueiro só quer sossego para escutar o som que gosta, de preferência tomando umas e outras com os amigos, sem aporrinhação. O rock é mais que um som, é um estilo de vida.”

Terreiro de roqueiro

“Cerveja? Só vale gelada./ Em copos limpos… e gelados!/ (…) Claro, há de ter boa música!/ Rock, blues, jazz, samba. Só clássicos eternos./ Quem vem ao OsBar não tem pretensões./ Sabe que é um boteco, alma boêmia,/ boa conversa, celebração.”
Os versos ilustram o cardápio do OsBar, que faz a alegria do happy hour dos roqueiros que trabalham no centro do Rio. A decoração segue o melhor estilo dos clássicos botecos [de verdade] da cidade, com balcão grande, paredes de azulejo, prateleiras repletas de garrafas e, seu lado roqueiro, é composto por retratos de grandes ídolos do rock espalhados por todos os cantos e pelo som ambiente. “Não há melhor lugar no centro para se tomar uma cerveja verdadeiramente gelada, ouvindo um som. Está sempre rolando Beatles, Led Zeppelin, Jimmy Hendrix etc. O lugar é bem frequentado, tem um público equilibrado, gente bonita, o sanduíche de filé com queijo é excelente e, principalmente, tem mesa na calçada, que é algo importante para um fumante como eu, apreciador de um bom boteco. Gosto também que o OsBar não se prende a um movimento único, dá uma passeada por outras misturas ligadas ao rock e não fica preso ao [Eric] Clapton. É destino certo para uma pausa após o trabalho”, diz o jornalista Nicola Pamplona, 38.

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O típico boteco OsBar faz a alegria do happy hour dos roqueiros que trabalham no centro do Rio

Natural de Juiz de Fora, Pamplona conta que nos seus primeiros anos no Rio, pelos idos de 1998, costumava frequentar o bar Empório, em Ipanema, outro reduto rock’n’roll muito famoso na Zona Sul. “Na época, morava em Botafogo e o Empório era o meu bar da cidade. Podia chegar lá e ouvir Orgasmatron (Motörhead), ou Sepultura, no talo. Isso não tem preço. Posso dizer que deixava metade do meu salário lá, mas valia muito a pena. Muito tempo se passou, casei, tive filhos e mudei para Niterói. Afinal, a vida agora é outra, mudou o ritmo, mas o rock continua. Atualmente gosto de ir ao OsBar e ao Rio Rock & Blues (www.riorockebluesclub.com.br), que fica na Lapa”, conta.

E por falar na Lapa, o mais famoso reduto boêmio da cidade, ao contrário do que possa pensar muita gente, não restringe o terreiro ao tradicional dueto samba e chorinho. Claro que os ritmos são onipresentes, mas os roqueiros sempre tiveram o pé fincado ali, tanto que a região possuiu até um, chamado, quarteirão do rock e um museu dedicado ao gênero, localizado no Rio Rock & Blues. O dono do espaço, o guitarrista e empresário Marcelo Reis, 47, abriu a casa há seis anos, depois de tocar por um tempo a proposta na Barra da Tijuca, onde mora. “Eu e alguns amigos queríamos ter um espaço descontraído para tocar, que nos desse prazer e pudéssemos fazer sempre uma jam [session], tipo um clube para roqueiros. Mantivemos por dois anos um lugar na Barra, que revolucionou a vida de todos os envolvidos”, conta. O clube nasceu depois que Reis, próximos aos 40, ganhou uma guitarra da esposa, a jornalista Érica Reis, após passar quase 20 anos distante dos amplificadores.

A força do rock

A força da revolução do rock foi tamanha, que o guitarrista deu uma quinada de 180 graus na própria vida. “Toco desde novo, mas na juventude larguei o sonho para me dedicar à carreira de publicitário, na qual tinha mais perspectiva financeira na época. Para isso, vendi tudo que possuía relacionado a música, para não perder o foco. Tive minha empresa e era bom no que fazia, mas não era feliz. Com o tempo a coisa foi ficando tão séria, que acabei tendo um colapso por estresse e fui parar na CTI de um hospital. Quase morri e, nesse momento, decidi que se saísse daquela situação, iria fazer o que amo e parar de desperdiçar minha vida”, relembra. Reis sobreviveu e cumpriu sua promessa. A chama reacendida pela esposa tomou outra proporção. O ex-publicitário se desfez do escritório que tinha e se aventurou em abrir o espaço que há hoje na Lapa.

A experiência não só trouxe melhorias visíveis à saúde e fisionomia do roqueiro, como resultou em um livro, lançado este ano, chamado “Até que enfim é segunda-feira. Apaixone-se pelo trabalho e transforme sua vida”, que traz histórias e experiências de pessoas que trabalham, ou não, com o que amam e apresenta como isso afeta suas vidas. Reis realizou quase 500 entrevistas com profissionais de diversas áreas para o projeto.

A paixão pelo rock foi também o que possibilitou a abertura do espaço e a criação do Museu do Rock no casarão histórico de quatro pavimentos na Lapa, com dois ambientes para shows que têm programação intensa. “O clube que montamos na Barra foi crescendo e acabou ficando grande demais para o local. Com o apoio dos amigos, passei a procurar um imóvel em que coubesse a proposta. Nada melhor do que um desses casarões antigos aqui do centro. Os amigos passaram a doar objetos relacionados ao ritmo e, somando as contribuições, conseguimos montar o museu. Nossa homenagem ao ritmo que tanto amamos. Nele, inclusive, está exposta a guitarra que ganhei da minha esposa e que influenciou positivamente minha vida, a qual chamo de número um”, diz.

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O músico BNegão no palco do Teatro Odisséia, participando da noite “Rock pela Paz”, organizada pelos integrantes da banda ZeroCalibre

Muitos bares do ritmo já abriram e, infelizmente, fecharam por ali, mas mesmo assim, há boas opções. Na região está também o Irish Pub, que funciona desde 2009 tocando rock no talo. Outros destinos por ali que, apesar do ecletismo, costumam também ter noites dedicadas aos roqueiros são o Teatro Odisséia (www.teatroodisseia.com.br) e o Teatro Rival (www.rivalpetrobras.com) mas é preciso ficar de olho na programação para não ir atrás da guitarra e acabar no surdo.

E para finalizar este humilde roteiro dedicado ao rock, não podemos deixar de fora outros dois pontos sagrados da Lapa, a Fundição Progresso (www.fundicaoprogresso.com.br) e o Circo Voador (www.circovoador.com.br), ambos palcos consagrados da cidade que, por mais que também recebam os mais variados gêneros musicais, nunca deixam de presentear a plateia com memoráveis shows de rock. O Circo, inclusive, tem sua origem e trajetória fincada no ritmo, desde os tempo da praia do Arpoador, e compõe a alma roqueira do Rio.

Se você possui outras sugestões de lugares onde vale a pena ir para curtir um som com os amigos, entre em nossa página na web (www.folhacarioca.com.br) ou em nossas redes sociais e deixe sua indicação. A Folha Carioca e o Rock’n’roll agradecem.

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Detalhes de peças do Museu do Rock no bar Rio Rock and Blues Club, na Lapa. Um casarão de quatro pavimentos dedicados ao estilo, que transformou a vida do roqueiro Marcelo Reis (retrato) e de seus amigos

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