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Iaci Malta

Maria

mariaEu nunca dei atenção a conexões entre fases da vida e idade cronológica, no que diz respeito a mim mesma. Estou me referindo àquela estória bem conhecida de crise dos trinta, quarenta, cinquenta… Talvez por ter começado minha vida adulta muito precocemente e, fisicamente, sempre me atribuírem uma idade bem, bem menor que a real.

Mas agora, começo a pensar que estar próxima dos setenta anos de vida está mexendo comigo de alguma maneira (boa), já que depois de, recentemente, descobrir o mundo mágico, resolvi me rebatizar: vou me chamar Maria.

A ideia de mudar de nome eu sei de onde veio: recebi um hóspede que se disse chamar Inefavel, ou Ine ou Favel, e que atualmente esse era seu nome. Ao notar meu olhar de curiosidade ou de quem não está entendo nada ele explicou: “De tempos em tempos eu mudo de nome. O último que escolhi foi esse, Inefavel”.

Ocorreu que poucos dias depois, eu acordei com essa ideia na cabeça (como se ideia pudesse estar em outro lugar que não na cabeça…), isto é, “vou mudar de nome, vou me chamar Maria. Vou me rebatizar no dia do meu aniversário que é em agosto”.
As reações em casa, quando anunciei a novidade, foram variadas: um achou que eu gostava de nomes simples, outra que eu devia mesmo me chamar Maria porque era uma ‘grande mãe’, no sentido de carregar muitos ‘filhos’. Meu netinho de sete anos perguntou: “Mas eu não mais vou ter uma vó Iaci?”.

Alguém até observou que a escolha do nome denunciava o quanto “eu me achava”, isto é, tão maravilhosa, que até podia me chamar Maria, simplesmente Maria. Outros, ao contrário, disseram que a escolha refletia minha modéstia.
O mais engraçado da experiência é que ninguém questionou a mudança em si (quase como se isso fosse ‘normal’), ninguém disse que eu estava maluca ou gagá, todos se concentraram ou na lamentação da perda da Iaci ou na escolha do nome.

Por que Maria?
Isso eu já não sei, mas me lembrei de dois fatos da minha história. Minha avó paterna, que foi minha avó-mãe, se chamava Maria Lia e, minha mãe conta a estória de que quando nasci com o cordão umbilical enrolado no pescoço, alguém disse a ela que, já que havia sobrevivido ao nascimento numa situação desfavorável, eu deveria me chamar Maria.
Já uma amiga muito querida disse que um novo nome cria uma nova persona e, portanto, mexe com as expectativas depositadas na persona antiga. Quem sabe…?

Penso que essa é uma experiência que só pode ser entendida depois de vivida e eu estou me dando a oportunidade de vivê-la.
Enfim, não sei por que, mas a partir do próximo dia 16 de agosto, meu nome é Maria, só Maria.

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Publicado em – Edição 117
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