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Oswaldo Miranda

Por quem os sinos dobram… O Dr. Ulysses e os Três Patetas

“A história de Mora. A saga de Ulysses Guimarães” foi das melhores coisas acontecidas na imprensa nestes últimos anos. Trabalho excelente do confrade Jorge Bastos Moreno, que assina o Nhenhenhem, coluna do O Globo aos sábados, que não perco. Tudo foi resumido num livro que teve lançamento concorrido na Livraria da Travessa, Shopping Leblon. Eu começava a escrever quando Cecília me telefonou avisando que Moreno estava no programa Sem Censura. Peguei um bom pedaço. Dizia ele que Ulysses queria por que queria ser presidente da República, sua obsessão. Que ele teve um tempo que ficou louco, mas se recuperou, que com seu olhar paralisava um político, que foi o político mais importante em seu tempo, fazendo campanha para as eleições diretas até para cinco, dez pessoas, na sua luta contra a ditadura que o poupou, que foi teimoso ao querer voar de helicóptero com tempo ruim, morrendo no mar, onde ficou para sempre…

3 patetas

Ulysses foi anticandidato à presidência da República, com Barbosa Lima Sobrinho como vice. Afrontou, corajoso e desafiador, a generalada que tomara conta do país. Mas o que quero mesmo lembrar, segundo o Nhenhenhem do moreno, era sua dura aversão aos milicos, coisa de macho. Quando morreu o ditador Costa e Silva, havia um vice-presidente, o deputado Pedro Aleixo, a quem fora confiada a redação de um novo texto constitucional. Lógico, ele assumiria. Coisa nenhuma! Um civil, um paisano na presidência? Instituíram, então, uma junta militar que durou até que viesse um novo ditador, o general Emílio Garrastazu Médici, que colocou como vice o Radmaker.

Tal junta militar ficou assim: general do exército Lyra Tavares, almirante de esquadra Augusto Radmaker Grunewald e marechal do ar Narcio de Souza Mello, de acordo com o Ato Institucional (mais um!) n° 12, de 31-8-1969. Inconformado, Ulysses não conteve sua revolta e do alto de sua indiscutível autoridade, classificou-os de Os Três Patetas, protestando contra mais um ato arbitrário dos militares. Era uma ilação com os famosos comediantes que no cinema ficaram famosos fazendo rir as plateias de seus filmes de estripulias nas décadas de 50, 60… Eram eles os irmãos Mae, KLarry e Curley, três idiotas a serviço do melhor humorismo. Em tempo: foi Ulysses que falou… Esse que foi um dos maiores políticos que o país já conheceu, e cuja vida é livro, vai virar filme e novela a ser apresentada possivelmente na CBN, tendo a atriz Mariana Ximenes vivendo Dona Mora. É pra lá de bom que as novas gerações saibam quem foi o Dr. Diretas, o homem que apresentou ao país a Nova Constituição Brasileira, 1988. A capa do livro de Jorge Bastos moreno é a reprodução de uma fotografia de Ulysses, em silhueta, na capa da revista Veja, da época, com o título Por quem os sinos dobram…

Primavera
21 de setembro, Dia da Árvore, ops! Dia do toco…

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What a wonderful world!
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