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Gisela Gold

Olhar de Bicicleta

eye.1aPequena tinha olho grande. Nesse olho cabia fantasia e mundo. Ela olhava e uma história com sua máquina contava. Seu clic fazia clac. Alguém no olho de pequena batia palmas pra vida. E ela ouvia. Ela o via.

O olho de Pequena tinha jeito de olhar de bicicleta. Ora passeava, ora corria, mas o tempo se dava para ver o que a vida aprontava. De onde vinha ? Para onde ia? Seu olhar era de trânsito. Bastava entrar nas ruas que a vida piscava pra ela.

Piscava e ela clic. Clic na clock certa. Que a grafia da foto não espera até amanhã. E Peque lá sabia esperar. Esperava quando a bicicleta queria parar e dizia pro olho que o sol ainda se escondia. Assim e só assim valia parar o pedal da retina e aquietar-se à espera da melhor luz. Pensava grande essa Pequena. Essa pequena que não parava pra se olhar. Mal sabia seu tamanho.

Pequena era miúda só na fita métrica. Que seu olho pedalava pra fora. Seu olhar de bicicleta.

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