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Arlanza Crespo - Quem é Quem

Vida longa a esse homem-menino

Conheci o Ricardo em 1997 quando eu estava organizando uma exposição de arte de várias escolas. Ele ficou responsável pela barraca de artesanato do CDD, uma escola para alunos especiais que existia na Barra e que infelizmente acabou. Fiquei impressionada com ele, com sua atuação na venda dos produtos. Já era amiga da irmã e da sobrinha e lógico, fiquei amiga dele também. E quando soube que a Folha Carioca desse mês falaria sobre pessoas especiais resolvi entrevistá-lo.

foto-RicardoRicardo Antonio Nogueira da Silva nasceu em 6 de setembro de 1960 em São Paulo, e quando ele nasceu pouco se sabia sobre a Síndrome de Down, inclusive as pessoas que tinham familiares assim não queriam expô-los, por preconceito ou até para preservá-los. Foi nesse clima que seu pai, grande médico e grande ser humano, juntamente com um time de “guerreiros” fundou a APAE de São Paulo, para que existisse uma chance maior de vida para os portadores da Síndrome. Infelizmente seu pai morreu cedo, e Ricardo acabou vindo para o Rio de Janeiro, onde já moravam sua irmã e seu primo. Atualmente Ricardo mora com seu primo Milton, na Gávea, onde ele me recebeu para a entrevista.

Quando cheguei já fiquei espantada com a arrumação do quarto. Nunca vi um quarto assim, tão arrumado! Tudo organizado, nos lugares, sem bagunça. E o Milton me disse que é o próprio Ricardo que arruma. Dei parabéns e ele logo me mostrou os marcadores de livro que estava fazendo. Ele adora trabalhos manuais. Começamos um papo legal, onde ele me falou dos seus estudos e do que ele mais gosta de fazer. Ricardo terminou o Ensino Fundamental no colégio Carolina Patrício, e atualmente estuda na Escola Estadual Manoel Bandeira, no Horto, diariamente das 16 às 19h. Além dos estudos tradicionais ele tem aula de arte com o artista plástico Cláudio Roberto Castilho e é assistido numa terapia amiga pelo psicólogo Patrick Sampaio Alonso. Tem também várias outras atividades, como natação, ginástica no condomínio, cinema, caminhadas na praia, além de adorar dançar e ir a festas. E também tem uma namorada, claro!

Ricardo me mostrou as fotos de família, as fotos da escola, seus quadros, seus livros. Passamos a manhã inteira juntos, e no final eu ainda fiz um “bate bola” bem divertido com ele, onde eu dizia uma palavra e ele completava rapidinho. Ficou assim: animal-cachorro; lugar-praia; férias-Cabo Frio; cor-azul; time-Flamengo; fruta-maçã; comida-congelada. E aí eu fiquei sabendo que ele não gosta nem de cozinhar nem de lavar louça. Também, ninguém é perfeito!

Voltei para casa muito feliz, o Ricardo cativa a todos que se aproximam dele. Ele é doce e meigo. “Dele só recebemos carinho e amor”, me disse sua irmã Cristina Leal. “Ele sempre nos surpreende com a palavra certa e o gesto certo no momento certo. Somos gratos a ele, vida longa a esse homem-menino”. Dizer o que depois disso?

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