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Samantha Quintans - TUDONOVODENOVO

Reforma não tem hora, nem idade

samantha“Estive fora uns dias, numa onda diferente e provei tantas frutas que te deixariam tonta…”* Fui parar longe. Observei, absorvi, fantasiei. Alimentei-me de hábitos, línguas e dialetos, perambulei em becos entorpecida pelo desconhecido. Comemorei a preciosa privacidade em esquinas comumente compartilhadas com estranhos.

Dancei ao som do que havia de melhor no Festival PalinKa. Visitei Reinos, palco de grandes disputas históricas. Emocionou-me o concerto de música clássica, o violino em par com o violoncelo que animavam a maratona sem fim e a visita ao inenarrável Predjama Castle. Turista e sedenta, dia e noite misturada à rotina de cada lugar, fui testemunha de pequenas e constantes reformas. O velho mundo se cuida, é por isso que ele permanece novo e sedutor. Ao cerrar das portas do comércio, nas frias madrugadas de outubro, a organizada Budapeste trabalha recuperando suas praças. Já Viena, é uma cidade de jardineiros: toda trabalhada na poda. E quem cuida e usufrui do velho mundo, são muitos dos velhos que vivem nele. Vi muitas cabeças brancas, guiando corpos ativos e altivos, desfilando por centros históricos e vi outras tantas, com a mão na massa: servindo, comercializando, criando, esculpindo e trabalhando na manutenção das ruas. Desse precioso grupo de cabeças brancas, as chiquérrimas damas de fios finos e bem cortados, me fizeram lembrar que a liberdade é branca e não tem idade. Em algum momento é inevitável, as raízes gritam. Se não de dentro, gritam de fora. Abduzida em uma cervejaria chamada St. Bernardus, assisti a animados cidadãos que cantavam em dialeto local, o clássico sucesso “Tristeza, por favor vá embora…”, no “lalaiaa” da canção já tínhamos nos apoderado da autoria da obra, cantando em alto e claro coro a marchinha no mais íntimo português.

Não precisava ter ido tão longe para escrever “Reforma não tem hora, nem idade”. De volta ao lar, em visita aos meus pais, duas cabeças brancas, tudo estava diferente. Em 15 dias, orquestraram uma reforma. Ergueram e revestiram paredes, teto e piso. Ampliaram espaço, serviço e organização. Em pleno funcionamento, a dupla permaneceu alimentando seus clientes com a mesma excelência e em paralelo, foi capaz de construir seus sonhos com foco e determinação. Tive também a oportunidade de participar da reinauguração da imobiliária da minha tia. Há mais de 20 anos no mercado, e dona de invejável cabeleira branca, comemorou no novo espaço entre amigos e clientes, o sucesso já alcançado e com fôlego de quem tem muita vida pela frente, planejou com garra o futuro. Admirável mundo de quem não tem tempo a perder. Quem tem tempo a perder? Existe idade para se ter tempo a perder? A vida não seria um eterno exercício de reforma, reciclagem, recalibragem? Te sugiro seguir mais cabeças brancas, mesmo que camufladas. Te convido a mergulhar na história das coisas e das pessoas, aprendendo com elas. E por fim, te conto um segredo: a vida, em qualquer idade, é feita de escolhas e tudo pode ser novo de novo.

Samantha Quintans é personal organizer
* Trecho de letra de Herbert Viana

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