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Uma carioca que adota sua cidade

jardineira
texto_LILIBETH CARDOZO

Ela é miúda, ágil e apaixonada pela cidade. Neide, 59 anos, mora em Copacabana e é uma vendedora de doces e há mais 20 anos vem adoçando os passantes da esquina carioca da rua General Dionísio com Voluntários da Pátria, no Humaitá

jardineira3Quase todos os dias ela arma seu tabuleiro de docinhos que vende muito e tem licença da prefeitura. Acostumada a ser vista todos os dias pelos que passam por alí no Humaitá, fez amigos e conhece muita gente. De tanto conversar com os pedestres, conhecer comerciantes, porteiros, moradores e os técnicos das vizinhas Casas de Saúde São José e Santa Lúcia, ficou sabendo dos perigos escondidos nos canteiros abandonados naquela esquina. Segundo Neide, bem cedinho alguns roubos, furtos e assaltos vinham acontecendo, praticados por pessoas que se escondiam no que um dia foi um jardim. Além de dormitório para os deliquentes, os canteiros se tornaram depósito de lixo. Neide resolveu limpar os canteiros, adubá-los e plantar. Segundo Neide, quando ela resolveu agir foram retirados de 20 a 30 sacos de entulho por dia e a Comlurb jardineira2exigia tudo ensacado para levar. Ela comenta: “No meio do mato, tinha de tudo, até um colchão. Fiz a limpeza e ganhei, de alguns garis, sacos para destinar o lixo. Adotei o jardim da esquina”.

Encontramos Neide num sábado de outubro, trabalhando incansável na poda de algumas plantas do canteiro de um dos prédios que fazem a esquina. Ela foi contratada pelo síndico do edifício que a reconheceu como uma trabalhadora ligada à jardinagem e ofereceu o serviço. Durante a semana, a vizinhança encontra Neide vendendo seus docinhos, sempre à tarde. Pela manhã, como qualquer trabalhadora comum, mas voluntariamente, a doceira e jardineira começa às sete da manhã a fazer jardinagem. Ela nos conta que buscou ajuda para novas mudas de plantas em várias lojas e quiosques nas redondezas e não ganhou nada. “Todos olham, admiram, mas poucos ajudam. O síndico do edifício da esquina me cede uma mangueira e autoriza eu usar a água para regar. Ganhei também as placas. Uma vizinha daqui, vendo que eu escrevia as placas com canetas hidrocor, se ofereceu para fazer no computador. Assim que ela me entregou eu montei as placas.”

As mensagens, bonitas e carinhosas, refletem o espírito da jardineira, pois segundo ela todos se sentem mais responsáveis em não sujar. Perguntada sobre o que espera ela sentencia: “A natureza me dá o retorno”. A carioca Neide é um exemplo de amor ao Rio e gente que faz a diferença.

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