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Sandra Jabur Wegner

Benefícios das atividades aquáticas nos transtornos do espectro do autismo

A atração que os autistas sentem pela água é inexplicável cientificamente. Numa época pensava-se que esta seria a volta ao útero materno, mas não foi comprovado. O importante é que na água eles se sentem livres, diminuem as estereotipias, que são os movimentos repetitivos e as ecolalias, que são palavras e frases repetitivas. Eles ficam calmos na água, têm percepção espaço-temporal, ao mesmo tempo em que sentem liberdade se sentem seguros num ambiente acolhedor e limitado.

Temos tido bastante experiência com crianças e adultos autistas na natação. A criança deve começar o mais precocemente possível, com a autorização do pediatra. O bebê deve estar com a presença da mãe ou pai, ou alguém com que tenha bastante afinidade. Se não for possível, com o próprio professor como bebê personal. E depois, a partir de dois anos ou mais vai para a turminha. Esta experiência tem sido muito boa porque ele consegue ficar na turma com outras crianças realizando as tarefas propostas, participando ativamente no ritmo dele.

O importante é a iniciação deixando a criança livre, sentindo este prazer enorme de estar na água, de mexer com a água, sentir a água, acariciando e aconchegando seu corpo, como se fosse um envelope envolto pela água. Essa sensação tátil provocada pela água em todo o seu corpo, estimulando-o ao máximo sem invadir o seu espaço, ajuda seu crescimento como ser humano.

É preciso saber esperar pela reação e oferecer um ambiente próprio com muitas cores, brinquedos, mostrando o que pode ser feito e interagindo com eles seguindo os seus movimentos. Ser criança junto com eles. Estas são as melhores estratégias.

O adulto autista deve ser tratado como adulto e não ser infantilizado. Eles podem nadar bem, realizar vários exercícios coordenados com a respiração na piscina, e nados submersos. Devemos colocar alguns limites quanto ao comportamento, horários, certos rituais são amenizados com o tempo com conversas, exemplos.

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As propriedades físicas da água, como empuxo, que é a flutuação, facilita os movimentos, a pressão hidrostática exercida em volta de todo o corpo, abraçando o corpo, criando resistência na inspiração e facilitando a expiração, estimulando o controle respiratório e facilitando a fala. A turbulência, este movimento da água em redemoinhos, fortalece a musculatura, melhora a circulação e cria um ambiente interessante e estimulante.

A água encanta o autista e favorece seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo, afetivo e socializador. A natação especial para os autistas deve ser rica de experiências como também é para as outras crianças. Hoje em dia, as classificações caíram em desuso, são analisados os transtornos do espectro autista.

Nada é definitivo e imutável.
Ninguém poderá determinar o quanto ele vai desenvolver-se, que objetivos propostos ele vai alcançar, o quanto ele será capaz de realizar. O importante é oferecer um leque de oportunidades e riqueza de experiências, na água e na vida diária, para que os autistas sejam capazes de descobrir seu potencial.

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9 Comentários para “Benefícios das atividades aquáticas nos transtornos do espectro do autismo”

  1. Rubens Britto disse:

    Olá Sandra,sou fisioterapeuta na bahia! Gostaria de seu contato( Email/ Telefone) para tratarmos assuntos profissionais referente a essa bela atividade desenvolvida por você! Abraço.

  2. Sónia Eiras disse:

    Olá, trabalho com crianças autistas numa unidade de ensino estruturado e também na piscina. Gostaria de pedir se você tiver alguns exemplos de exercícios práticos a desenvolver com os alunos, dentro de água. Obrigada

  3. milca disse:

    Excelente artigo. Aprendo todos os dias com eles. Amo trabalhar natação com autista. Sempre são minhas melhores aulas e sou grata em ter eles como alunos.

  4. Eufrasia disse:

    Olá Sandra , Parabéns pelo artigo .
    mãe do Victor

  5. Adriana disse:

    Gostaria de saber mais exercício trabalho com crianças especiais amo meu trabalho

  6. Valeria disse:

    Estou precisando de aula particular para um bebê de 2 anos

  7. marlene furtado disse:

    Boa tarde!
    Tenho uma irmã com altismo, ela gosta muito de àgua, estou a procura decaula para ela mais e muito Dificíl.
    Queria muito que ela fizesse, como faço para ter seu contato

  8. hilza Maria de Freitas daCosta da Costa disse:

    Esse primeiro mes de janeiro foi iniciado vários desafios na minha vida profissional.Comecei a acompanhar com atividade de corrida um rapaz de 19 anos com baixo poder cognitivo…uma criança diabética e obesa(a qual já eliminou alguns quilos e foi de uso dois medicamentos…o trabalho no inicio está sendo bem sensibilidade corporal,espacial ,afetivo,etc…e,nesse meio me chega uma criança de 6 anos autista e para minha surpresa já gravou o meu nome.Estou buscando auxiliar-me com:relaxamento,Reiki e músicas suaves e muitas brincadeiras…

  9. Luciana disse:

    olá, sou professora de natação infantil há quase 20 anos e agora me deparei pela 1a vez com um aluno autista. Confesso que tenho tido um pouco de dificuldade pois tenho 6 alunos na turma e só eu e um estagiário…estou sem saber o que fazer em determinados momentos diante de algumas reações dele. Como podemos manter contato para alguma ajuda!?

    obrigada

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