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Mauro Giorgio

Pode vir quente, de novo…

Acontece de maneira silenciosa. Não há senha, mas todos reconhecem a mudança sutil e reagem quase ao mesmo tempo. No Rio, a primavera é a antessala, a mais curta das estações. À medida que os termômetros começarem a acreditar que os 30 graus são seu “ponto zero”, o verão invade a cidade e modifica o comportamento do mais desatento de seus moradores. É como se estalassem os dedos lá no céu e toda paisagem ganhasse novas cores, cheiros, significados. Viramos o centro do mundo, um lugar onde tudo pode acontecer.

E a cada verão aparece um carioca renovado, pronto para adotar novas gírias, consagrar novos points, novos sambas, para repetir “que esse verão tá quente mesmo”, pronto para aproveitar o melhor da cidade e também para enfrentar as pendências e os problemas de décadas de descaso. Sobram belezas e questões o ano inteiro, é verdade. Mas é quando o calor aumenta e a preocupação em saber se vai dar praia obscurece as demais que o carioca parece abrir as portas de sua casa para o mundo. E se nem tudo está no lugar, não tem problema. Vai assim mesmo. montagem_praia-copy

A moda vem da rua e da areia, desde o formato dos biquínis da temporada a um novo jeito de amarrar a canga. As novidades no comportamento vêm de surpresa. Expressões que já foram “E aí?”, “Qual foi?”, “Já é” e “Só se for agora”, “Formô” brotam espontaneamente e se alastram como uma boa fofoca ou arrastão em domingo de sol. Debate-se: Quem será a nova musa das areias? Até que idade dá para usar biquíni? Qual a nova fronteira da vaidade masculina, depois da adesão à depilação? Que romance vai dar o que falar em revistas, redes sociais e rodas de praia? E até quando a cidade aguenta outro verão sem que nada tenha sido feito para amenizar suas mazelas, da intermitente falta d’água aos surtos de dengue? Mas os analistas de comportamento que me desculpem. O verão carioca e suas tendências desafiam qualquer teoria.

Vai ser o último verão antes da Copa do Mundo. Por isso, não vale usar o bordão “Imagina na Copa”, porque ela já chegou. Rezemos, pois precisaremos de toda ajuda para que tudo corra bem.
Modismos vêm e vão. Alguns acabam incorporados ao cotidiano da cidade no resto do ano e convivem com tradições. Por enquanto, prefiro ficar com elas e aguardar as novidades com muito mate, água de coco geladíssima e a brisa das noites quentes que é perfeita para namorar.

                                                                                 *Mauro Giorgio é economista e assina o Blog Tudo Sobre Tudo

artigos anteriores de Mauro Giorgio

Publicado em – Edição 117
Um turista nada acidental
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Pode vir quente, de novo…
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Um Comentário para “Pode vir quente, de novo…”

  1. Oscar Rodriguez disse:

    Mais um excelente artigo Mauro! Será que além de um craque no futebol , um grande conquistador dos corações femininos, e um as do mercado financeiro, você também será inquilino na ABL? Quem sabe? Se continuar escrevendo assim, não duvido! Um abraço!

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