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Adrenalina por opção

Um giro por alguns dos esportes de aventura no Rio de Janeiro

Texto_Fred Pacífico
Fotos_Arthur Moura

Kitesurf-8508O sol forte do verão convida cariocas e visitantes para programas ao ar livre, perto do mar, das áreas verdes, envoltos  pela generosa natureza de nossa cidade. Os cenários são vários e, para quem procura emoções mais fortes em meio a tanta beleza, o que não falta é opção. Seja nas rochas, matas, no céu ou no mar, o Rio de Janeiro abriga diversas vertentes de esportes radicais ou de aventura. A Folha Carioca percorreu e reuniu para vocês, neste Especial de Verão, vários destinos onde adrenalina e natureza se misturam.

Começando pelas abundantes praias de nosso litoral, o vento abençoa quem dele faz a força de sua prática esportiva. A
zona oeste é uma região repleta de possibilidades para quem quer conhecer e experimentar esportes que envolvem vento. O kitesurf é um bom exemplo e a modalidade tem crescido muito no Rio de Janeiro, nas últimas décadas. Segundo seus praticantes, a orla carioca é um dos melhores lugares do país e do mundo para o esporte criado e patenteado pelos irmãos franceses Dominique e Bruno Legaignoux. O kite é um tipo de pipa inflada de ar, que, com a força do vento, impulsiona a pessoa sobre uma prancha presa a uma espécie de cinto com gancho frontal, onde é fixado um elaborado sistema de linhas e roldanas, chamado cabresto, usadas para controle dos movimentos. Os praticantes conseguem literalmente voar sobre as ondas, em manobras alucinantes, e o kite, por ser infl ado, dá autonomia para o praticante o erguer somente com a ajuda do vento, sem necessitar de auxílio.

Kitesurf-8445A turma do kitesurf se reúne no Posto 2, na praia da Barra da Tijuca, o único local da cidade liberado pela prefeitura para o esporte. Segundo Frajola, kitesurfista e professor da K08 Kite Surf Club, o local é ideal para a prática e tem condição de receber de iniciantes a veteranos com toda segurança necessária. A área serve de sede para a ABK (Associação Brasileira de Kitesurf) e para a ACK (Associação Carioca de Kitesurf) e é também dividida com outros esportes de ação como o windsurf e o surf, mais tradicional e difundido.

O primeiro é uma combinação de prancha e vela que faz o esportista planar sobre a água, possibilitando manobras impulsionadas pelo vento. O windsurf é um dos esportes olímpicos aquáticos e é a modalidade mais praticada no país. É possível aprender e treinar também nas redondezas da Lagoa Marapendi, onde os ventos são mais amenos e as ondulações pequenas. O point é antigo na cidade e de lá saíram alguns dos nossos representantes olímpicos do esporte, como o Ricardo Winick, o “Bimba”. Há no local a Rio Wind (www.riowind.com.br), uma escola de windsurf localizada atrás do condomínio Novo Leblon.

O mar como destino

Já o surf é mais onipresente. Das pedras do Arpoador à Prainha, no Recreio, são vários os pontos possíveis para a prática do esporte. Tal potencialidade atrai surfi stas de todo o mundo e incluem o Rio no Circuito Mundial de Surf da ASP (Association of Surfi ng Professionals). Acontece que, nos últimos anos, as águas têm sido ocupadas também pelos pranchões do stand up paddle, ou SUP. Novas vistas da cidade se apresentam para os praticantes, que remam tranquilos pela orla, lagoas, ilhas e costões. O pessoal do SUP (www.standuppaddlerio.com.br) é encontrado em toda a orla carioca, da Urca e Copacabana ao Pontal, e as pranchas podem ser alugadas por quem deseja ter sua primeira experiência remando.  Quem também acaba indo um pouco mais longe em mar aberto é a turma da canoa havaiana, ou outrigger como também é conhecida, que se aventura até às Ilhas Cagarras no ritmo candente das remadas.

Os destinos dessa turma variam de acordo com as condições marítimas, mas normalmente incluem, além das ilhas
oceânicas, Leblon, Ipanema, Arpoador, e praias de Niterói e da Barra. A Praia da Urca e a Praia Vermelha, na Urca, são
pontos de partida do esporte na cidade, onde se reúne o pessoal do Carioca Va’a Clube (canoahavaianarj.com.br), que
pode ser procurado por quem quiser se aventurar na remada. O mais visto é a prática do esporte em grupo, mas as canoas podem ser tanto individuais, como de dois, quatro ou até seis remadores. Cada remador tem, de acordo com a posição que ocupa na embarcação, funções e responsabilidades distintas. A prática requer sincronia e trabalho em equipe, o que promove integração entre os praticantes.

Sem medo de vertigem

Via-dos-Italianos---Companhia-da-Escalada-01Agora se sua praia não é água, há muitas opções nas alturas. Incrustada na serra do mar, a cidade tem incontáveis  oportunidades para quem gosta de ver o Rio de Janeiro de cima. A escalada é uma delas e são muitas as vias disponíveis. Vias é como são chamados os caminhos já percorridos no esporte e, só na Urca, há mais de 350, juntando as do Morro da Urca, Morro da Babilônia e Pão de Açúcar. Só o famoso ponto turístico possui 50 vias com vistas cinematográficas da cidade. Não é a toa que o estado do Rio é conhecido também como um dos lugares mais propícios do mundo para a prática, que vão desde as vias em outros pontos do estado, como Itatiaia e a Serra dos Órgãos, quanto as existentes dentro do próprio município, como o Corcovado, o Pico da Tijuca e a Pedra da Gávea, no Parque Nacional da Tijuca.

A Pedra da Gávea é, atualmente, junto com o Pão de Açúcar, uma das montanhas mais frequentadas do Rio de Janeiro e talvez do Brasil. Sua via mais famosa é a Passagem dos Olhos, e de lá é possível fazer escaladas também na Pedra Bonita e na Agulhinha da Gávea, além de caminhar até o cume. Há também quem prefira escalar à beira-mar, nas redondezas de Guaratiba, que conta com 120 vias, sendo cinco delas na Prainha. Para quem deseja se aventurar no esporte, há opções  de cursos de escalada em rocha para todos os níveis, do iniciante ao profissional, além de clubes, ginásios e guias que acompanham escaladores em vias mais elaboradas, para aqueles mais experientes.

Segundo Arthur Estevez, dono e instrutor da escola de escalada Cumes (www.cumes.com.br), o carioca está, cada vez mais, descobrindo suas montanhas. “Houve um crescimento significativo do esporte nos últimos dez anos, apesar da prática ser antiga na cidade. Eu não consigo entender como um carioca nunca subiu a Pedra Bonita ou a Pedra da Gávea. Em poucos lugares do mundo você encontra vias tão inacreditáveis como há no Rio. Quase todas as pedras da cidade possuem vias abertas, inclusive as que estão dentro de comunidades, que voltaram a ser visitadas agora, depois das UPPs. Rocinha, Dois Irmãos, Vidigal, Chacrinha, Corte do Canta Galo, Cabritos, dentre muitas outras, voltaram a ser incluídas no roteiro dos escaladores”, conta.

Estevez adverte, a quem se interessar pelo esporte que sempre busque escolas e cursos homologados pela Femerj – Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro – e guias qualificados e credenciados pela Aguiperj – Associação de Guias, Instrutores e Profissionais de Escalada do Estado do Rio de Janeiro, por esta ser a única entidade certificadora de profissionais de escalada e montanhismo no Brasil. “A segurança deve sempre vir em primeiro lugar. Um profissional credenciado e qualificado está apto a zelar pelo bem estar do aluno, além de ter toda condição de dar a assistência em caso de necessidade. Há muitos clubes e grupos de escalada pela cidade. A escalada é um esporte fisicamente exigente, mas qualquer pessoa fisicamente ativa tem condição de fazer. Não precisa ser um super atleta para conseguir, pois o esporte é tão acessível quanto o surf”, diz.

Há também no Rio uma turma que mistura pedras altas com o mar, são os praticante do cliff diving, uma modalidade na qual o aventureiro salta de penhascos dentro d’água. O estado do Rio, inclusive, está no roteiro do Mundial de Saltos de  Penhascos, o Red Bull Cliff Diving (www.redbullcliffdiving.com), programado para acontecer em Niterói em outubro deste ano.

Aventura em família

Foto: Divulgação / Lagoa Aventuras

Foto: Divulgação / Lagoa Aventuras

Para quem procura uma atividade para integrar toda a família que também tenha um  pouco de adrenalina, mas nem tanto, e misture contato com a natureza e vistas deslumbrantes da cidade, o arvorismo do Parque da Catacumba é a opção. Administrado pela Lagoa Aventuras (lagoaaventuras.com.br), as atividades e os circuitos atendem adultos e crianças. Cada atividade possui uma exigência de altura ou idade mínimas, é aconselhável se informar antes pelo site da empresa. O circuito infantil tem 65 metros de comprimento, com cinco obstáculos a dois metros do chão. Já o circuito adulto possui nove obstáculos em seus 120 metros de comprimento, alojados a uma altura de sete metros do chão. Há também no local um muro de escalada de sete metros, que aceita crianças acima de quatro anos. Para os mais  aventureiros, é possível descer uma tirolesa de 75 metros de extensão, de onde avista-se toda a Lagoa Rodrigo de Freitas, ou experimentar descer a Pedra do Urubu de rapel.

O céu é o limite

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Há quem prefira tirar os pés do chão para ver a cidade de cima. Para esses o voo livre, de asa-delta ou parapente, são as opções dentre os esportes radicais. O ponto de encontro dos voadores, profissionais ou iniciantes, é a Praia do Pepino,  onde estão localizadas a pista de pouso e a sede do CSCVL – Clube São Conrado de Voo Livre (www.cscvl.com.br). O  primeiro passo para quem quer experimentar o mundo visto do céu é o voo duplo de instrução, através do qual o aluno recebe uma aula básica sobre o equipamento e suas funcionalidades, segurança durante o voo, como pousar, como decolar e sobre meteorologia dentre outros assuntos.

Voo-Livre-2158É muito importante se certificar que o instrutor escolhido seja credenciado pelos órgãos responsáveis, como a ABVL
– Associação Brasileira de Voo Livre , e esteja com a habilitação de instrutor de voo duplo em dia. Há diversos instrutores qualificados e opções de escolas pela cidade, que estão listados no site da CSCVL. Não é necessário  experiência para se aventurar no voo duplo e a aventura no céu dura de dez a trinta minutos. Os voadores partem da praia do Pepino para a rampa da Pedra Bonita, localizada a 517 metros de altitude, dentro do Parque Nacional da Tijuca.

A vista é de tirar o fôlego e encher os olhos dos voadores de primeira viagem. Lá há duas rampas de decolagem, uma de
madeira e metal para os voos de asa-delta, e uma natural para as decolagens de parapente. A turista Patrícia Alvarenga, natural de São Paulo, afirma que quem experimenta nunca esquece, quando não se apaixona de vez por voar. “Meu namorado pratica parapente e é um apaixonado. Sempre fui receosa, mas resolvi experimentar voar no Rio, por conta de sempre ter sonhado ver essa cidade do alto. Foi a experiência mais maravilhosa de toda minha vida”, conta.

Ação em velocidade

Skate-1925Diversas precauções precisam ser tomadas para quem se aventura na modalidade. Além dos tradicionais equipamentos  de segurança, como capacete, joelheira e cotoveleira, são necessárias: roupas, coletes e luvas especiais; skates adaptados, com eixo resistente para evitar que balance demais; e rodas de cerâmica, para aguentar o calor da pista sem estourar. Vários brasileiros têm se destacado na modalidade e o carioca Felipe Cobra é um dos expoentes do esporte no país.

Skate-2600Há quem pratique em estradas como a das Paineiras ou nas rodovias que cortam as serras cariocas, mas a opção mais segura na cidade para quem quer conhecer e praticar a modalidade são as ladeiras localizadas atrás do Condomínio Mundo Novo, na Barra da Tijuca, sentido Recreio. São duas ladeiras no local, uma mais íngreme e curta, e outra mais comprida e menos inclinada. Por ser fechada para carros, a via atrai um grande número de praticantes e iniciantes
do esporte.

Seja em terra, na água, ou no ar, aventure-se e acrescente um pouco de adrenalina ao seu verão. Seja experimentando, ou mesmo assistindo aos corajosos, o importante é nunca esquecer a segurança e aproveitar a natureza que faz desta cidade a merecedora do predicado maravilhosa. Aproveitem.

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