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Oswaldo Miranda

Balzac no carnaval

Honoré_de_BalzacÉ do livro de Carlos Didier que vou tirando o que me ocorre agora, na lembrança do velho companheiro da Última Hora e grande compositor de carnaval, Nássara. Francisco de Assis Barbosa, nosso colega também de redação, mais tarde eleito para a Academia Brasileira de Letras, movimentava-se para as celebrações do centenário de morte de um dos maiores escritores de todos os tempos, Honoré de Balzac, autor, entre outras obras imortais, de A Comédia Humana.

Acontece que o escritor francês também escrevera ‘La femme de treinte ans’ (A mulher de trinta anos), que ganhou popularidade como a balzaquiana, expressão que vem até nossos dias.
Nássara ficara com a coisa na cabeça, ainda mais estimulado pela atuação de Francisco de Assis Barbosa no seu projeto em relação a Balzac, e pelo que lhe falara também a respeito, seu futuro parceiro, bamba como ele em compor, Wilson Batista, que lera algo sobre o escritor.

Nássara, além de festejado caricaturista, já tivera vários sucessos em sua carreira como: Formosa,Tipo Sete,Coração Ingrato, Periquitinho Verde, Ala-la-ô (com Haroldo Lobo) e logo pegara a inspiração para fazer mais uma marcha carnavalesca, com o mote Balzac, Wilson na parceria.

Nasceu assim Balzaqueana, na boca dos foliões no carnaval de 50.

Não quero broto, não quero, não quero não/ Não sou garoto pra viver de ilusão/ Sete dias na semana/ Eu preciso ver minha balzaqueana.

Solo: O francês sabe escolher/ Por isso ele não quer qualquer mulher / Papai Balzac já dizia/ Paris inteira repetia/ Balzac tirou na pinta/ Mulher só depois dos trinta.

Bem, Michel Simon deu de fazer uma versão para o francês, com a marcha gravada por Jorge Goulart, que foi cantada na França por ocasião dos festejos pelo centenário da morte de Balzac. Ficou assim: Pas de “tendron” no, non/ Pas de “tendron”/ Suis pas garçon/ J’ai libere des illusion/ Tous les jour de la semaine/ J’ai bensoin d’amour/ Une balzacienne.

Na segunda parte foi aproveitada a melodia de La Vie en Rose, de Edith Piaf e Louis Gugliemi: Quand il me prend bras/ Il me parle tout bas, seguindo então a marchinha. Isabel Lustosa também biografou Nássara, mas está esgotada. Dai não aparecer aqui, no solo, a segunda parte da versão de Michel Simon que ela deve ter colocado em seu livro.

A verdade é que por causa da versão, os franceses cantaram o sucesso do carnaval que ainda entrou para o museu de Balzac. Lá por onde está, Nássara deve ter dado boas gargalhadas, vibrando com o que viria a acontecer com a saborosa marchinha feita com Wilson Batista. Imaginem: Balzac no carnaval com a sua La Femme de treinte ans, a balzaqueana…

Enquanto isso…

Elizabeth

Enquanto lá na praia o carnaval corre solto, a colombiana Elizabeth, indiferente, toca Bach, Vivaldi, Mozart e outros, para conseguir alguns trocados com o seu violoncelo. Os opostos se atraem, não, no caso se chocam, sim, porque o som do toque suave de Elizabeth, não tem nada a ver com a Cabeleira do Zezé… Por outro lado, se Balzac está no carnaval, porque os clássicos da música também não podem estar?

jornal_deunamidia

Susana-VieiraCONTIGO – CAPA: “Susana Vieira – Chega de dar minha cara a tapa”. Quer dizer que…

GERAL: “A Suécia fechou algumas penitenciárias por falta de presos”. Aqui eles se amontoam uns sobre os outros nas cadeias superlotadas. Que tal exportarmos alguns dos nossos mensaleiros, por exemplo?

 

Joaquim-BarbosaELEIÇÕES: “A doação compromete a normalidade e a legitimidade do pleito eleitoral. Compromete seriamente a independência dos representantes”. Assim, falou o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, aquele que sempre sabe o que diz.

COPA: “Voos para os dias de jogos estão 620% mais caros. Rio-São Paulo passa de R$152,00 para R$1.104,00”. Procon nas voadoras!

DrumondDRUMMOND, MAIS UMA VEZ: “Pablo Lucas e July Bernardes Vasconcelos Reis picharam a estátua do poeta em Copacabana, por que estavam deprimidos…” Tinha dois boçais no meio do caminho…

CARNAVAL: “Abre-alas da Mocidade terá vinte mulheres com seios à mostra, lembrando Monique Evans que em 1980, Rainha da bateria, desfilou com uma estrela em cada um, símbolo da escola”. Agora, tem uma coisa: topless, sim, mas sem silicone…

PeléCOPA: Vocês viram – ouviram? No sorteio das chaves, só música brasileira: ‘Brasil, pandeiro’, de Assis Valente (chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor…) e ‘1×0’, choro de Pixinguinha. Nada dessas bobagens que se está ouvindo por aí, adoidado, valha-me Deus!

MUTRETA: A Caixa Econômica Federal se apropriou de 525.427 contas de poupadores para turbinar, maquiar, inflar em R$ 420 milhões seus lucros em 2013. Aécio botou a boca no trombone e pediu investigação sobre a operação criminosa (!), enquanto a Caixa e a Fazenda fizeram outra boca, a de siri, sobre o golpe sujo, sim senhor! E tem ainda a história da falsa mega-sena de R$ 73 milhões…

1-Orani-Tempesta-001ÉPOCA: “Com a marca de Francisco. Dom Orani Tempesta também encarna a Igreja das ruas”. Ele estava numa favela quando recebeu a notícia de que fora nomeado Cardeal pelo Papa. É no momento uma das nossas poucas unanimidades.

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Publicado em – Edição 117
Osmar de Guedes Vaz, gozador contumaz…
Publicado em – Edição 116
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What a wonderful world!
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