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Sandra Jabur Wegner

Corrida minimalista e atividades aquáticas

Em 2008 lançou-se a ideia de correr descalço, como os povos primitivos faziam por não ter opção de calçados especiais. A musculatura já era trabalhada para suportar todo o impacto, irregularidades do solo, diferentes texturas e temperaturas.

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Foto divulgação_megagymacademia.com.br

Estes corredores criaram calçados minimalistas que oferecem a sensação de estar descalço, o que vai contra toda a filosofia do uso de tênis com amortecedores para evitar impacto, protegendo as articulações. O ponto positivo do tênis minimalista é a largura da parte anterior do tênis, deixando os dedos livres sem serem pressionados, evitando os famosos calos halux valgo (joanete). São muito confortáveis.

A corrida minimalista exige técnica diferente da pisada, é mais no anti-pé, na velocidade que é mais rápida com a base menor do pé sem apoiar os calcanhares como se fosse uma garça. Se correr com tênis apropriado anti-impacto já causa lesões, imagina a dificuldade de correr com esta nova técnica e com este novo tênis. É necessário um bom preparo
do corpo, da musculatura e das articulações, principalmente dos pés, para evitar lesões, como fascite plantar, túnel do tarso e outras.

A recomendação é que se treine na água em diferentes profundidades, aumentando e diminuindo a ação da gravidade
e do peso corporal. No solo, a ação da gravidade é de 100% e, consequentemente, o peso corporal também é de 100%. É mais fácil treinar esta corrida na água, fortalecendo a musculatura dos pés, pernas, glúteos, abdominais e musculatura das costas, evitando lesões nos pés, tornozelos, joelhos e coluna. A densidade da água em relação ao ar é 80 vezes superior, e a resistência ao deslocamento na água é 14 vezes superior que no ar. Com isto o corpo todo tem de trabalhar muito mais.

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Foto divulgação_megagymacademia.com.br

Devido a estas características, pode-se fazer um trabalho de fortalecimento muscular sem danificar as articulações, preparando o corpo para este tipo de corrida. O treinamento consiste em correr em diferentes direções, ritmos,
alternando o apoio na ponta dos pés e nos calcanhares para não danificar as panturrilhas, as famosas batatas da perna, até se possível correr só na ponta dos pés.

A utilização de implementos que aumentam a resistência da água é muito importante. É necessário um trabalho de
propriocepção, ou seja, equilíbrio sobre superfícies instáveis na água, o que aumenta duplamente a dificuldade,
treinando as reações de equilíbrio para evitar as possíveis torções, entorses do tornozelo durante a corrida minimalista.

É acrescentado ao treino a corrida na areia, pois o impacto é menor, em seguida na pista de tartan, para depois, progressivamente, começar a corrida no asfalto para dar tempo para o corpo acostumar–se. Lembramos que a corrida é na areia fofa, na superfície plana e não na inclinada que é irregular prejudicando tornozelos, joelhos e coluna.

Na piscina temos vários recursos, além dos materiais utilizados, como as técnicas apropriadas e variedades de movimentos com os pés e pernas em diferentes direções, ritmos e intensidades. É importante explorar todo esse
manancial para facilitar a corrida na areia, na grama e se possível na pista de tartan para depois ir para o asfalto com o tênis minimalista.

Quando começamos com a utilização deste tênis no solo, as doses devem ser homeopáticas e progressivas sentindo e ouvindo sempre as reações do seu corpo, já que cada um reage de uma maneira. Há corredores que vão adaptar-se
mais facilmente, outros levarão mais tempo e alguns não conseguirão seguir esta nova modalidade.

O importante é variar os estímulos, as atividades físicas e mentais, não ser repetitivo, ou seja, não realizar sempre os mesmos exercícios, as mesmas atividades. A rotina não é boa nem para o corpo e nem para mente. Sejamos sempre criativos, abertos a novas experiências, mas com cautela.

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