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Maternidade à vista!

Texto_ Juliana Marques
Foto_Arthur Moura
Publicação feita originalmente na Revista Indo & Vindo, a revista do rodoviário da Fetranspor

A gravidez, período de desenvolvimento do bebê desde a sua concepção até seu nascimento; momento especial que anuncia a chegada de mais um ente na família. Em homenagem ao Dia das Mães, convidamos (*) Nathalie Raibolt, ginecologista e obstetra, para falar um pouco sobre o antes, o durante e o depois dessas cerca de 40 semanas em que tudo se transforma dentro e fora da barriga da mulher.

“Enjoo e tontura são os sinais básicos do início da gestação. O volume dos seios aumenta, assim como o cansaço. Ao longo da gravidez, algumas partes da pele escurecem. As manchas são causadas pela alteração natural de hormônios e, em algumas pessoas, podem regredir. Outras necessitam de tratamento dermatológico”, explica a médica.

É importante preparar-se antes mesmo da concepção, evitando, por exemplo, o estresse e a obesidade, lembrando que esta última facilmente se associa à hipertensão e à diabetes. “Se a futura mamãe estiver com sobrepeso, será necessário emagrecer. Tratar infecções, como sífilis; identificar a presença de HIV; deixar vacinas em dia contra tétano, hepatite B, gripe e principalmente rubéola fazem parte do preparo. Quanto mais saudável for a vida da mulher, melhor será a sua gestação”, afirma Nathalie.

Comer bem e sempre

Uma boa dica é evitar fazer refeições com alimentos do mesmo tipo e ao mesmo tempo, como arroz com batata e macarrão. “Leve à mesa os conhecidos pratos coloridos, com carboidratos, vegetais, legumes e fibras; todos trazem nutrientes diferentes. Durante esse período, não é bom ficar sem se alimentar por intervalos longos, porque pode causar tonturas devido ao baixo nível de glicose, uma ocorrência natural na gravidez. A alteração da liberação de alguns hormônios torna a digestão lenta, e dividir as refeições (ideal em seis vezes) ajuda a diminuir a sensação de enjoo, de azia, de queimação e de sentir-se cheia”, orienta a médica.

Uma vitamina muito importante para a formação do sistema nervoso do bebê é o ácido fólico, que deve ser ingerido antes do início da gestação. De acordo com Nathalie, esta vitamina já está sendo introduzida nos alimentos da cesta básica, mas, para evitar a sua deficiência, é preciso complementar a dose diária necessária (até 0,4 mg).

Respeitando os limites

Durante a gravidez, é normal engordar de nove a 12 quilos, principalmente a partir da 28ª semana, devido ao crescimento e ao ganho de massa do bebê. Exercícios de baixo impacto, como natação, hidroginástica, yoga e alongamentos, só trazem benefícios, e a recomendação é para que sejam supervisionados por um profissional.

Hoje em dia, é comum mulheres com mais de 40 anos engravidarem, mas os riscos de haver má formação fetal e de surgirem síndromes genéticas aumentam significativamente. “As mais jovens e as mais velhas tendem a ter complicações e sofrerem com a hipertensão, bastante comum nos últimos meses da gestação. Nesse período, as consultas devem ser feitas em intervalos menores”, diz Nathalie.

E não importa a idade: não há nível seguro para quaisquer substâncias tóxicas. “A placenta é um órgão de circulação, de troca de oxigênio e de nutrientes entre o sangue do bebê e o da mamãe, e o cigarro interfere muito, podendo causar insuficiência placentária. A maconha e a cocaína podem ser fatais, e o consumo de álcool em grandes quantidades pode levar à má formação do bebê”, alerta a médica.

Escutei isso em algum lugar

Sempre tem alguém para contar uma história sobre  gravidez, cercando-a de mitos. Um deles, por exemplo, é em relação ao rompimento da bolsa antes do trabalho de parto. “Pode acontecer, mas normalmente a bolsa se rompe durante o procedimento”, explica a obstetra. Outro: o bebê se enroscou no cordão umbilical. Segundo Nathalie, isso é normal, porque o bebê se mexe muito no final da gestação; contudo, ele se desenrola da mesma forma que se enrola.

E ainda: amamentar emagrece. A médica esclarece que não. A amamentação é um desgaste físico grande para a mulher, que exige alto consumo de nutrientes e de líquido. E nesta fase, é difícil conseguir fazer todo o necessário, até mesmo comer, dormir ou tomar banho direito. “É claro que se perde um pouco de peso porque, após o nascimento, o corpo começa a se transformar novamente. Mas emagrecer é mais pelo desgaste físico”, desmistifica a especialista.

Não existe leite fraco, e a melhor forma de estimular a produção é colocar o bebê para mamar. Para não empedrar o leite, é só esvaziar a mama toda, o que evita também infecções graves. E os desejos?  “Não existe uma justificativa médica para os desejos. A vontade de comer parede ou tijolo pode estar associada a um quadro anêmico da paciente. Mas os desejos de doces, frutas, ou qualquer outra coisa, se não for pela necessidade de glicose, não há justificativa”, esclarece a médica.

Do pré-natal ao parto

Ter um acompanhamento médico é fundamental, até no período pré-concepcional, quando são avaliadas as condições do corpo da mulher. Muitas mamães procuram obstetras para fazê-lo; porém, no posto de saúde, enfermeiras, clínico geral e médicos da família também realizam este trabalho com as gestações de baixo risco. Se a paciente apresentar doenças como diabetes, hipertensão ou rubéola, o especialista deve ser procurado.

O aborto é um evento comum e pode acontecer com qualquer pessoa. A maioria ocorre ao acaso, porque pode existir um erro de formação genética, e a própria natureza se encarrega de interromper a evolução da gestação. Isto não significa que a mulher tenha tendência a abortar.

Existem enfermeiras capacitadas para realizar parto onde há estrutura médica para suporte, caso surja alguma complicação que exija uma cesariana. “O mais saudável tanto para a mulher quanto para o bebê é o parto normal. A cesárea existe para tentarmos solucionar alguns problemas que podem surgir, mas o processo normal é o parto vaginal, cujos riscos são menores. Não há abertura da barriga, exposição de tecidos ao ambiente hospitalar, nem uso de anestesias. As pessoas não se preparam para o parto normal, não buscam informações, e pensam sempre no lado trabalhoso e doloroso. O corpo da mulher está preparado para isso, a recuperação é mais rápida e não requer toda a estrutura de um centro cirúrgico”.

E o papai?

Essa fase exige muita paciência. Alguns pais também ficam “grávidos” e apresentam até enjoos. Outros só conseguem perceber a paternidade com o nascimento do bebê, diferentemente da mamãe, que o tem dentro de si e sente todas as modificações.

Muitas vezes, o homem não se inclui na rotina da mulher por estar distante devido ao trabalho. Contudo, é importante compreender as mudanças que estão acontecendo com ela e as novas demandas que acompanham o nascimento do filho, tanto em relação à pequena família quanto às cobranças de parentes, até em termos de comportamento. É preciso ser parceiro e cúmplice nessa hora.

*Nathalie Raibolt  
Consultório especializado em ginecologia, pré-natal e assistência ao parto, diagnóstico e tratamento de lesões do colo do útero.
Rua Marquês de São Vicente, 124, sala 213 – Gávea

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