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Oswaldo Miranda

Osmar de Guedes Vaz, gozador contumaz…

Foi com alegria que pulei a barreira 93 para 94. Coisa de Deus, ora… Cheguei a 2014! Com essa alegria faço a segunda edição do ano, falando de um cidadão raro, incomum, chamado Osmar de Guedes Vaz, companheirão de largo tempo de minha vida. Fui honrado por ter a ventura de viver a seu lado na Residência do antigo DNER, na Ponte dos Fones, em Petrópolis, na Tribuna e na Rádio Difusora.

O destino às vezes erra, como errou ao levar Osmar daqui mais cedo quando tinha ainda muito e muito a produzir, seja
nos diversos cargos públicos que ocupou com sucesso, seja como poeta, dos bons, especialista nas sátiras, em que foi mestre. Seu filho, José Afonso, que dele herdou esse original legado e os outros mais, como cidadão de bem, chefe de família e empresário vitorioso, mandou-me a bela biografia que fez do pai, bem como outras publicações que reproduz em parte da obra poética de Osmar. Li, fui lendo e, claro, me deleitando no folhear as páginas. Eta, Osmar!

O grande blaguer, o piadista, o sábio gozador da vida! Quanta saudade! A Residência do DNER, chefiada pelo Dr. Natal Crozato era a base que tinha a responsabilidade de cuidar da Estrada Rio-Petrópolis, a primeira rodovia moderna do país, de 1928, governo Washington Luiz. Turmas de operários faziam obras de emergência, o leito, os viadutos, as muradas, as obras de arte, faxina… A importante via sempre na mais absoluta ordem para o tráfego, nada como hoje, como mostrou o Globo há dias, indicando que a concessionária Concer não atende às exigências do pesado movimento de agora.As turmas à tarde voltavam para fazer o relatório dos trabalhos, as partes.

Um dos chefes, Napoleão, era bom na tarefa, mas mal de escrita. O que redigia tinha que ser quase traduzido… Osmar não perdeu tempo: Napoleão Mau.. na parte. Na orelha do livro, de Roberto Manhães Coutinho, está o desfile de muitos cargos públicos que Osmar ocupou, com brilhantismo. Bacana! Chegou, então, ao que queria: os versos, o ritmo, o
renitente, as trovas, o gozo, as pilherias, tudo dosado do melhor bom humor possível.

E vamos lá:
“Ao ver nascer-lhe o menino / de olho azul, mas escurinho /
alguém disse, em tom ferino /É o retrato do vizinho…”
Outra:
“Teve em terra pouco lida /nunca foi estivador /
Mas puxou no cais da vida / muito saco de doutor”…
Segue:
“Não se fez qualquer segredo / falou-se calmo e bastante /
Já que o anel no seu dedo /Era, asseguro… di…amante”.
Ainda:
“Sem qualquer explicação / com milhões hoje ele está /
Não seria, outra edição? Do famoso Ali Babá?”
Mais uma:
“Foi pão duro… na munheca /prendeu sempre o seu tostão /
Nem sequer jogou peteca / Para não abrir a mão”.
Continuo nesta divertida sequencia:
“Andando de tal maneira; de forma que sempre quis / parecia ser solteira /
Mal casada… ou mera… atriz”.
Segue nosso Osmar:
“A Rita, aqui não fez nada / Só deu murro… e como deu /
Mas lá na Serra Pelada / De repende, enriqueceu…”
O bom conselheiro:
“Cuidem bem das crianças / Com carinho e muito afã /
Ela é, pois, nossa esperança / Na grandeza do amanhã”.
Homenagem à professora:
“Toda vez que a sua Mestra / volta a cruzar seu caminho /
Meu irmão, beija-lhe a destra / Com gratidão e carinho”.
Antevendo a despedida:
“Face ao fim, que já se vê / E antes que o lago se tisne /
Eu deixo aqui pra você / Este meu… Canto do cisne…”
que é o título do livro ‘in memoriam’, publicado pelo filho, José Afonso, herdeiro do rico legado do pai, perfeita extensão
humana do Osmar, certamente agora, lá no Olimpo, versejando com os anjos, numa boa, com suas rimas à farta. Minha saudade. E lá vou eu, também: Osmar de Guedes Vaz – gozador contumaz…

fotoZorra total…

Carros com placas de Presidente Prudente, Curitiba, Porto Alegre, Amapá, Belo
Horizonte, de todo o Brasil, estacionados de graça, com segurança, tempo livre: no pátio do Conjunto dos Jornalistas (Condomínio Jardim de Alah), 40, 50 e até mais nessa área do Leblon, o bairro nobre do Rio, onde o estacionamento beira os R$500,00 por mês! Zorra total, como no humorístico do Sherman na Globo… mas sem graça.

artigos anteriores de Oswaldo Miranda

Publicado em – Edição 117
Osmar de Guedes Vaz, gozador contumaz…
Publicado em – Edição 116
Balzac no carnaval
Publicado em – Edição 115
What a wonderful world!
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