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A vitamina da “moda”

Muito se tem comentado sobre a vitamina D, considerando-se que existe praticamente uma “epidemia” de pessoas com baixos níveis no sangue desta vitamina. Estudos têm demonstrado que cerca de 20% a 60% da população em geral têm carência desta vitamina, dependendo do país e faixa etária. Idosos, gestantes, crianças, obesos, pessoas que não se expõem a luz solar e pacientes em uso de diversas medicações constituem grupo de maior risco.

Mas por que tantas pessoas com essa deficiência? Isso pode levar a algum problema de saúde? Como posso saber se estou com deficiência de vitamina D. Tem algum sintoma? Existe efeito colateral da reposição de vitamina D? Essas são algumas perguntas frequentes no consultório.

A vitamina D tornou-se um sucesso décadas atrás quando foi comprovada sua importância na saúde óssea. Crianças com deficiência de vitamina D apresentavam “amolecimento” dos ossos (osteomalácia), deformidades ósseas e até raquitismo. Nos adultos, a carência de vitamina D pode levar a osteoporose, dor e fraqueza muscular, além de aumentar o risco de quedas.

Edno Wallace, médico cardiologista da Clínica São Vicente e especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Edno Wallace, médico cardiologista da Clínica São Vicente e especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Estudos epidemiológicos vêm demonstrando outros papéis da vitamina D, estando baixos níveis sanguíneos associados a um aumento de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, câncer, infecções, além de esclerose múltipla.

A vitamina D é um hormônio que está presente em escassas fontes alimentares, como óleo de fígado de bacalhau, salmão, atum e alguns outros peixes, sendo fundamentalmente produzida na pele em resposta a exposição aos raios solares ultravioletas tipo B.

Mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas, como a adoção de hábitos essencialmente urbanos, com pouca ou nenhuma exposição solar, uso cada vez maior de filtros solares potentes, devido a preocupação com câncer de pele e foto envelhecimento estão contribuindo para esta deficiência.

Em junho de 2014, pesquisadores da Universidade da Califórnia, publicaram um trabalho de meta-análise no “American Journal of Public Health”, resumindo 32 estudos de 14 países que envolveram 566.583 participantes e examinaram o nível de vitamina D e a taxa de mortalidade. O resultado foi impactante: um risco de morte duas vezes maior no grupo com níveis de vitamina D abaixo de 30 ng/ml.

Por outro lado, já foi demonstrado que a reposição indevida ou com doses inadequadas pode causar elevação dos níveis de cálcio no sangue, propiciando a formação de cálculos renais.
Existe um exame laboratorial, feito através de uma amostra de sangue, que mede seu nível de vitamina D. Dependendo do resultado, seu médico pode orientar o uso de algum suplemento.

Grandes investimentos em pesquisa estão sendo concentrados nesta área da medicina, sendo que estudos científicos robustos já estão em andamento para responder a principal pergunta: será que a reposição de vitamina D pode evitar o surgimento de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, câncer e doenças imunológicas? Qual seria a dose preventiva?

Até termos acessos a esses resultados, devemos nos lembrar de tomar aquele tradicional banho de sol durante cinco a 20 minutos, antes das 10h ou após às 16 horas, três vezes por semana.

 

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