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Arrá..urrú…o Maraca é nosso

O Maracanã é uma feijoada completa: carne seca, pé de porco, linguiça, farofa, couve, arroz, laranja e muito molho de pimenta. Cheira à beça seu tempero, produz barulhos, mexe com os nervos da galera e o bicho pega.

Texto_ Luis Turiba

Luis Turiba

Luis Turiba

Ver jogo em estádio é totalmente diferente da televisão. Você não é só um assistente confortável sentado no sofá, mas um partícipe ativo em um espetáculo que envolve milhares e milhõe$. Você não chuta, é verdade; mas empurra o chute e o time.

Nada vem digerido, tudo é pura dialética. A disputa acontece em torno da Brazuca, na força atlética do aqui e agora. A dimensão geo-física-espacial é outra. A bola é mais redonda, os passes são mais precisos, os dribles têm mais magia.
Aos 64 anos o Maracanã está enxutaço. Nasci com ele, por isso falo com certidão de nascimento debaixo do braço. Sei que custou caro e fez a vida de muita gente. No embalo da corrupção, o “maior do mundo” passou por reformas profundas e estéticas. Implantou cabelos, fez lipo, ponte de safena, prótese ereta.

Fui lá testar. Tudo a contento. Cercado de grades e polícias para os jogos da Copa. É muita gente trabalhando pra te receber, te orientar, te acolher. Voluntários de megafones nas mãos falando em vários idiomas. Até na hora do clássico xixi, tem um cara ali te orientando. Ah… e os banheiros novos. Exalam perfume. Foi lá que ouvi a frase do jogo: “Pô, que banheiro cheiroso, perfumado! Deixa a torcida do Flamengo vim aqui. Vão roubar tudo isso”. Que maldade, gente!?
Ah-rrá..uh-rrú…O Maraca é nosso! Voltar ao velho e bom Maraca numa Copa do Mundo no Brasil é demais prum pobre torcedor. Me coube no latifúndio da FIFA o jogo França x Equador. E lá vou eu todo-todo vestido de equatoriano. Como “eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro do banco”, vesti minha camisa amarela e sai por aí.

MaracanaOra, se o Hino Nacional cantado juntinho emociona, imagina La Marseillaise. Milhares de franceses no Rio para ver a “Le bleu”. Pensem na cena: o Maraca lotado e vibrante: quando se entoaram as primeiras notas do clássico hino francês, a torcida veio junto. A Marseillaise é um hino universal, forte e libertador. Como um ingrato torcedor do Equador, não resisti e cantei junto a plenos pulmões. Me senti o próprio “partisan” da Resistência francesa caminhando pelas montanhas para combater soldados nazistas, com minha espingarda caseira em punho.

Allons enfants de la Patrie/ Le jour de gloire est arrivé/ Contre nous de la tyrannie/ L’étendard sanglant est levé
Foi um grande momento da Copa: a França foi o país que mais jogou no Maraca. Teve outros: brochada dos campeões espanhóis; fracasso do metrossexual Cristiano Ronaldo; mordida do vampiro Suárez; recordes de gols; invasão de argentinos; o lindo gol-voo do holandês Persie; greve de 6 milhões de dólares dos jogadores de Gana; passeatas dos “não-vai-ter-Copa” em plena Copa; vaias da elite branca à presidente Dilma; bundalelês em Copacabana e gringos para todos os lados.

Posso garantir que o Maraca está pronto para voltar a ser o maior do mundo. Chega-se rápido e tranquilo de metrô. A saída também foi maneira. Lá dentro, cadeiras confortáveis, lanches merrecas e baratos, cerveja gelada. O burburinho do estádio e o clássico huuuuummmm quando a bola passa raspando a trave.

Nós, brasileiros, somos realmente o melhor do Brasil na Copa- incluindo aqueles que torcem contra e jogam pedras. Mas, pena, presenciei mijões atuando atrás das pilastras (fora dos banheiros) no anel superior do Maracanã.

O tão carioca “Imagina na Copa” é hoje uma canção planetária. O Rio ganhou a Copa. Todo mundo curtindo e o bicho pegando. Acontece como um clipe cibernético de vitórias e alegrias; dramas e derrotas; angustias e explosões; choros e surpresas. Gols de placa e gols contra. A bandeira nacional pintada na bunda daquela rechonchuda morena, no cangote de um gringo na FanFest de Copacabana. De um lado, a ordem. Do outro, o progresso. Chegou a hora dessa gente bronqueada mostrar seu valor Campeão? Torçamos pelo Brasil, mas se não… o Maracana é nosso. Ah-rrá! Uh-rrú!!

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