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Por trás do cafezinho nosso de cada dia

Segundo as estatísticas da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), em 95% dos lares brasileiros se consome café. Este número impressiona, quando visto impressiona,  permitindo-se concluir que: quase todos  em  nosso imenso país fazem  uso desta saborosa e delicada infusão.  Cada um tem uma forma, um jeito, diferente ou peculiar de preparar e até mesmo degustar o café. Pode ser coado, filtrado, expresso,  moka , na prensa, turco ou  mesmo  o da vovó. Todos têm a mesma origem: a fazenda, o cafeeiro, em suma o grão do Café.

TEXTO_Alexandre Martins Alves*

Refletindo sobre o dado da ABIC, acredito poder dizer que a grande maioria dos brasileiros é apreciadora de café. Já que podemos encontrá-lo em pó, em grãos, no supermercado, na padaria, no bar, no restaurante, na cafeteria … Assim a maior parte (para não dizer todos) dos estabelecimentos que trabalham com venda de alimentos oferecem café aos seus clientes hoje. E se há oferta é porque tem demanda.

Como disse antes, o brasileiro é um apreciador da bebida em questão. Então vamos ao ponto. Qual café bebemos? Ele é bom ou ruim? Tem boa procedência? De qual região do país ele vem? Forte, fraco ou extra forte? Será que quando escolhemos a marca do nosso café e vamos ao supermercado, já temos respostas para essas perguntas? Acredito que grande parte dos consumidores não. Porém essas são algumas das respostas importantes para nos qualificar realmente como bons apreciadores.

cafeSem querer tornar o texto formal, preciso falar de alguns pontos técnicos e desta forma contribuir para formação das pessoas que leem este artigo e bebem café. Mesmo não bebendo é bom saberem para ajudar na difusão desta informação. O café quando qualificado pela bebida ( e me refiro à avaliação sensorial na xícara, do paladar, dos aromas) e não a aspectos físicos do grão. Desta forma ele pode ser: Rio Zona, Rio, Riado, Duro, Mole e Estritamente Mole. Comentarei rapidamente cada um destes aspectos, para ajudar a elucidar a qualidade do café que entra em nossas casa, escritórios etc.

O Rio Zona é um café com sabor e aroma muito acentuados que se assemelha a iodofórmio e mofo, um sabor muito ruim; o Rio tem sabor acentuado de iodofórmio; o Riado tem leve sabor de iodofórmio; o Duro é um café adstringente e áspero; o Mole tem aroma e sabor agradáveis, brandos e adocicados; E o Estritamente Mole: um café que apresenta todos os requisitos do Mole, porém muito mais acentuado.

Considerando o vultoso número de brasileiros que bebem café, posso dizer que a maior parte do café ingerido por nós é de baixa qualidade. Os cafés que são oferecidos nas gôndolas do supermercado em sua esmagadora maioria está classificado entre Rio zona, Rio e Riado ( Riado quando o café é muito bom).Os cafés das outras classificações Duro, Mole e Estritamente Mole são destinados ao mercado de café expresso e às exportações, visto que têm alto valor comercial, e isto dificulta a entrada no grande mercado do consumo residencial.

Os cafés produzidos com grãos de características sensoriais Mole e estritamente Mole recebem o título de Gourmet ou Especiais. Estes são vendidos para cafeterias, restaurantes e consumidores dispostos a pagar um pouco mais caro para ter qualidade em casa.

Não digo que todo o grão destinado ao nicho do café expresso é de boa qualidade. Dentro deste mercado temos cafés que apresentam características sensoriais indesejadas e com valores comerciais muito baixos. Assim o consumidor deve solicitar informações sobre a bebida servida , e o produto que ele leva para casa, obrigando as torrefações a elevar a qualidade do produto que oferecem no mercado.

O grande desafio do mercado de cafés especiais é informar aqueles que consomem o café. Este caminho já foi percorrido pelo vinho e hoje temos consumidores de vinhos muito conscientes. E que sabem o que bebem e o que querem beber. Hoje cada brasileiro aprecia o café da forma que lhe foi transmitida e ensinada. E o amadurecimento do consumidor de café nos conduzirá ao caminho onde saberemos o que bebemos e o que queremos beber.

*Produtor Cultural
Atua no mercado de café
especial há 12 anos

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