O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), rejeitou nesta terça-feira (21) as acusações de que teria autorizado a liberação de R$ 730 milhões do Fundo Soberano do estado antes de deixar o cargo. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, ele classificou a informação como “fake news” e garantiu que nenhum recurso foi gasto.
Castro explicou que houve apenas uma análise técnica para verificar se certos projetos se enquadravam nas regras do fundo, sem que isso implicasse em uma liberação imediata de verbas. “Não teve nada disso. Esses fundos no Estado fazem enquadramentos, perguntando se o projeto cabe no fundo”, afirmou.
O ex-governador detalhou que a reunião do conselho do Fundo Soberano tratou apenas da adequação dos projetos aos critérios estabelecidos. Ele ressaltou que, mesmo após essa análise, a liberação de recursos ainda dependeria de etapas administrativas adicionais. “Para vocês verem, só no Fecam tem mais de R$ 5 bilhões em projetos aprovados. Ter projeto aprovado não quer dizer nada”, disse.
Na mesma manifestação, Castro destacou que os recursos tinham um destino específico, voltado para ajudar municípios afetados pelas chuvas. “Os recursos vêm do Fundo Soberano, foram analisados por reunião ordinária do comitê e seguem regras bem definidas. Não existe decisão isolada, nem improviso”, declarou.
A polêmica surgiu após o governador interino, Ricardo Couto, bloquear a liberação dos R$ 730 milhões, que seriam destinados a 16 municípios fluminenses para obras de pavimentação e contenção de encostas. O Fundo Soberano foi criado em 2022, com receitas oriundas da exploração de petróleo e gás, para financiar investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
A autorização para o enquadramento dos projetos ocorreu em uma reunião do conselho no dia 23 de março, pouco antes de Castro anunciar sua renúncia à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Couto afirmou que não foi informado sobre a questão e que, por enquanto, não haverá liberação dos recursos, que passarão por análise das novas gestões técnicas.
Os R$ 730 milhões estão divididos em três frentes. A Secretaria de Cidades tem R$ 250 milhões destinados a um projeto sem detalhes divulgados. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) conta com R$ 248,1 milhões para sete projetos em municípios como Natividade e Angra dos Reis. Por fim, a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas ficará com R$ 232,5 milhões para dez projetos em cidades como Araruama e Volta Redonda.



