Como a música pop transformou os gramados em verdadeiras pistas de dança do mundo inteiro

Por Rodrigo Pedrosa
27/04/2026 10h16

As vuvuzelas soaram em uníssono na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, mas não conseguiram ofuscar o sucesso de “Waka Waka”. A canção de Shakira, em colaboração com o grupo Zangaléwa, não apenas elevou a artista a um novo patamar, como também transformou o torneio da FIFA em um fenômeno musical global. Desde então, a busca por músicas oficiais memoráveis se intensificou, envolvendo executivos de gravadoras e alimentando a expectativa dos torcedores para a Copa de 2026.

Historicamente, as trilhas sonoras das Copas do Mundo, como “El Rock del Mundial” de 1962, tinham um caráter apenas festivo. A mudança significativa ocorreu em 1998, na França, com “La Copa de la Vida” de Ricky Martin, que não só catapultou o cantor ao estrelato, mas também estabeleceu um novo padrão: as músicas oficiais precisavam de um apelo multicultural e energético, capaz de ressoar com torcedores em diferentes partes do mundo.

Além da celebração do futebol, as trilhas sonoras desempenham um papel diplomático, promovendo uma narrativa de união e, muitas vezes, escondendo tensões sociais e econômicas nos países-sede. Para o torneio de 2026, que será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá, a música se torna um elemento crucial para a integração cultural, com a canção “Somos Más”, uma colaboração entre Carlos Vives, Emilia, Wisin & Yandel e Xavi, sendo escolhida como hino oficial.

A produção musical moderna exige uma fusão de tradições locais com um ritmo digital acelerado. “Somos Más” combina pop, reggaeton e ritmos caribenhos, estrategicamente criada para maximizar o engajamento nas redes sociais e conectar-se com a ampla população hispânica na América. Nos bastidores, iniciativas como o Sonic ID mapeiam a sonoridade autêntica das cidades-sede, misturando influências diversas, desde mariachis até elementos do funk e samba.

A memória afetiva dos torcedores está intrinsecamente ligada às músicas que marcam cada edição da Copa. As canções que permanecem na lembrança têm refrões cativantes e batidas que evocam a energia das arquibancadas. Exemplos notáveis incluem “Un’estate Italiana”, que captura a melancolia do futebol de 1990, e “Wavin’ Flag”, que se transformou no hino emocional de 2010, conectando-se com o público por sua mensagem de resiliência.

O legado de uma Copa do Mundo vai além da entrega do troféu. Enquanto “Somos Más” e outras faixas de 2026 começam a ganhar destaque nas paradas, o verdadeiro teste será sua aceitação e ressonância entre os torcedores. No final das contas, a canção que realmente importa é aquela que ecoa nas vozes dos fãs após o apito final, quando as luzes do estádio se apagam.