Debate no Carnaval ignora a voz do povo e reflete na política atual

Por Rodrigo Pedrosa
15/04/2026 08h43

O Carnaval do Rio de Janeiro está em meio a uma polêmica que pode alterar o futuro dos desfiles de escolas de samba. A discussão gira em torno do número de agremiações que se apresentarão no Grupo Especial, refletindo a importância cultural e econômica do samba para a cidade e todo o estado. Nos últimos dias, líderes de escolas, especialistas e autoridades municipais se reuniram para debater o tema, que afeta diretamente milhares de foliões e trabalhadores envolvidos na festa.

Historicamente, os desfiles das escolas de samba foram organizados de forma a garantir a participação de todas as agremiações no mesmo dia. Desde a primeira competição oficial, promovida em 1932 pelo jornal Mundo Sportivo, o domingo de Carnaval é a data emblemática. Contudo, essa estrutura mudou em 1984, quando a competição foi dividida em dois dias, uma decisão controversa do então governador Leonel Brizola.

Com a criação da Liga Independente das Escolas de Samba (LIesa), em 1985, o evento se tornou mais profissional, com 12 escolas desfilando no domingo e na segunda-feira. Em uma mudança significativa, a LIesa anunciou que, a partir de 2025, o Carnaval contaria com três noites de desfiles, aumentando o número de escolas, mas gerando descontentamento entre os foliões, que teriam que pagar mais para ver menos agremiações por noite.

Recentemente, o ex-prefeito Eduardo Paes propôs aumentar o número de escolas desfilando de quatro para cinco por noite, além de convidar agremiações tradicionais como Império Serrano e Estácio de Sá. O novo prefeito, Eduardo Cavaliere, seguiu essa sugestão, anunciando 15 escolas no Grupo Especial, o que gerou críticas da LIesa sobre a viabilidade logística dessa mudança.

As conversas entre a prefeitura e a LIesa se intensificaram nas últimas semanas, com representantes dos diversos grupos do Carnaval envolvidos nos debates. No entanto, a participação popular ficou em segundo plano, com pouca consulta aos sambistas e ao eleitorado sobre as mudanças. O carnaval não é apenas uma festa; ele representa as comunidades, com projetos sociais e culturais que vão além dos desfiles.

Em 2027, a previsão é de que 93 escolas se apresentem nos cinco grupos do Carnaval, com destaque para a Passarela da Marquês de Sapucaí e a Estrada Intendente Magalhães. A discussão sobre o formato dos desfiles culminou em um acordo: o Grupo Especial terá 15 escolas, mas essa mudança só valerá a partir de 2030. Assim, a partir de 2027, duas escolas da Série Ouro subirão para o Especial, e uma cairá.

As decisões tomadas nas cúpulas do samba, embora alinhadas com as diretrizes do novo prefeito, levantam a questão sobre a real participação da população nas decisões que afetam suas tradições. Como destaca o portal de notícias tempo real rj, “o carnaval é um reflexo da sociedade carioca e merece ser discutido por todos os envolvidos”.

A expectativa agora é como essas mudanças impactarão o desfile e o futuro das escolas de samba no Rio de Janeiro. As incertezas políticas que cercam o governo do estado adicionam uma camada extra de complexidade a essa discussão, deixando muitos se perguntando sobre o que está por vir para a festa mais famosa do Brasil.