MPF pede fim de tortura e retirada de itens básicos no BBB 26

Por Rodrigo Pedrosa
06/04/2026 23h47

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação à TV Globo para implementar imediatamente medidas que garantam a proteção física e mental dos participantes do Big Brother Brasil 26. A ação, assinada pelo procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, fundamenta-se na defesa da dignidade humana e na proibição constitucional de tortura e tratamento degradante.

Essa iniciativa surge a partir de um inquérito civil que investiga incidentes preocupantes na atual edição do reality show, como o desmaio da participante Rafaella após longas horas de confinamento no “Quarto Branco” e o mal-estar de Ana Paula Renault durante o “Castigo do Monstro”. O MPF ressalta que as dinâmicas promovidas no programa, que incluem privação de sono e restrição de necessidades básicas, assemelham-se a práticas de tortura, desconsiderando o suposto consentimento dos participantes.

Entre as recomendações, o MPF destaca a necessidade de que a emissora não restrinja o acesso dos participantes a banheiros, água potável e alimentação, independentemente das atividades em andamento. Além disso, a TV Globo deve suspender qualquer prática que coloque os concorrentes em situações degradantes, como o isolamento sob luzes intensas ou a exigência de permanecer em pé por períodos prolongados.

O MPF também enfatiza a importância de um controle de saúde mais rigoroso. A emissora deve analisar o histórico médico dos participantes para evitar que aqueles com condições preexistentes, como problemas cardíacos ou de coluna, sejam expostos a provas que possam agravar suas situações. O caso de Ana Paula Renault, que havia realizado recentemente uma cirurgia de hérnia de disco, é um exemplo de como essas dinâmicas podem ignorar limitações físicas.

Além das alterações nas dinâmicas das provas, a TV Globo precisa garantir que qualquer participante possa interromper uma atividade ao sentir mal-estar, sem sofrer penalizações. Por fim, a recomendação estabelece que a emissora deve oferecer acompanhamento psicológico indefinido para todos que se retirarem ou forem eliminados do programa.

O descumprimento dessas orientações pode resultar em novas ações judiciais e administrativas dentro do inquérito civil em andamento. Para mais detalhes, é possível acessar as informações completas sobre o assunto aqui, conforme divulgado pela Prefeitura.