Constituição e Neutralidade: A Pressão pela Reconstrução no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Pedrosa
21/04/2026 07h31

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise institucional após a cassação do governador e do presidente da Assembleia Legislativa (ALERJ) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido a sérios ilícitos eleitorais. A renúncia do vice-governador agravou a situação, levantando a questão sobre quem deve assumir a liderança do Executivo até que novas eleições sejam convocadas.

A Constituição estadual determina que, na vacância dos cargos de governador e vice, o presidente da ALERJ e, posteriormente, o presidente do Tribunal de Justiça assumem o poder. Contudo, essa regra deve ser aplicada considerando o contexto atual. A recente eleição de um novo presidente da Assembleia não altera essa dinâmica, pois permitir que rearranjos políticos mudem a liderança do Executivo poderia criar mais instabilidade em um momento que pede previsibilidade.

É essencial, em tempos de crise, respeitar as normas para preservar a ordem institucional. O princípio da neutralidade institucional deve prevalecer, evitando que disputas político-partidárias interfiram na condução do governo. A interinidade de uma autoridade judicial pode funcionar como um mecanismo de transição, afastando o comando do poder da lógica partidária e ajudando a restaurar a confiança pública.

O Rio de Janeiro também sofre com a erosão de suas instituições e a influência do crime organizado na política. Nesse contexto, a interinidade deve servir como um instrumento de recomposição democrática, garantindo condições adequadas para que o poder seja devolvido aos eleitores.

A liderança do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Desembargador Ricardo Couto, deve ser vista como uma alternativa responsável até a realização das eleições. Essa interinidade não deve ser confundida com protagonismo político, mas sim como uma forma de assegurar a normalidade institucional até que um novo governo seja escolhido.

O Estado se encontra em um momento crucial, que transcende a escolha de indivíduos. É necessário preservar os princípios democráticos e a integridade do processo eleitoral. A continuidade da interinidade até as eleições é uma medida de responsabilidade institucional, essencial para restaurar a legitimidade democrática e garantir um futuro estável para o Rio de Janeiro.