Empresas de Douglas Ruas adquirem precatórios de anistiados da ditadura e ex-policiais expulsos

Por Rodrigo Pedrosa
22/04/2026 13h44

Empresas associadas ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, estão sob os holofotes após investirem na compra de precatórios vinculados a uma anistiada política da ditadura militar e a um ex-agente da Polícia Civil acusado de corrupção. Os detalhes surgiram em uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada na terça-feira (22).

As operações envolvem a Saur Construção, da qual Ruas possui 90% das ações, e a Mical Invest e Participações, empresa de sua esposa, Mariana Barbosa. O deputado informou que as decisões de investimento na Saur são tomadas exclusivamente pelo sócio-administrador, sem sua intervenção direta. Ele também destacou que as aquisições foram feitas por meio de um escritório especializado em investimentos.

Entre os precatórios adquiridos, um pertence a uma mulher de 75 anos que recebeu indenização por torturas sofridas durante a ditadura militar. Ela foi presa três vezes, incluindo uma vez aos 14 anos, e relatou torturas em 1972. O precatório emitido em seu nome totalizava R$ 917 mil, mas o valor efetivamente pago pela Saur não foi revelado.

Outros dois precatórios comprados pela Mical Invest pertenciam a Carlos Antônio Torres, ex-comissário da Polícia Civil demitido em 2018 por alegações de corrupção. Torres reivindicou pagamentos por férias e licença-prêmio não gozadas, resultando em precatórios de R$ 339 mil e R$ 429 mil, que foram adquiridos pela empresa de Mariana Barbosa.

Douglas Ruas afirmou que todas as negociações foram mediadas por um escritório especializado, que atua na intermediação entre credores que desejam vender precatórios e investidores em busca de retorno financeiro. O caso intensifica a pressão política sobre Ruas, que é cogitado como pré-candidato ao governo do estado.

A revelação das transações pode impactar sua imagem pública em um momento crítico de sua carreira política. O deputado, por sua vez, reforçou que não participa das decisões diárias de sua empresa, atribuindo as aquisições à gestão técnica do portfólio.