55% dos anfitriões do Airbnb no Rio são mulheres e quase 30% são aposentados

Por Rodrigo Pedrosa
20/04/2026 16h59

A hospedagem por temporada no Rio de Janeiro, especialmente pela plataforma Airbnb, está cada vez mais nas mãos de moradores comuns. Dados de 2025 revelam que 55% dos anfitriões cariocas são mulheres, quase 30% são aposentados e mais de 70% não dependem dessa atividade como sua principal fonte de renda. Essa realidade se destaca em um momento de alta demanda, com o show de Shakira em Copacabana se aproximando, marcado para 2 de maio.

O Airbnb observa que o aluguel temporário se tornou uma fonte significativa de renda para muitos. Mais de 60% dos anfitriões relataram que a receita obtida os ajudou a permanecer em suas residências. Metade deles utiliza os ganhos para pagar contas, enquanto cerca de 35% afirmam que a renda auxilia no enfrentamento do custo de vida crescente.

Em uma cidade acostumada a grandes eventos, essa dinâmica é ainda mais relevante. A plataforma revelou que mais de 50% dos anfitriões no Rio já receberam hóspedes para eventos locais ao longo de 2025. Isso demonstra que a hospedagem em residências está se tornando um suporte direto à capacidade de atender a demanda durante períodos de pico.

Os benefícios do turismo também se espalham pelos bairros. Quase 75% dos anfitriões afirmaram ter contratado serviços de limpeza para preparar suas propriedades, e mais da metade recorre a profissionais locais, como eletricistas e encanadores. Quase 90% dos anfitriões que costumam orientar visitantes recomendam comércios e atrações nas proximidades, ajudando a distribuir a renda além dos pontos turísticos tradicionais.

Com a aproximação do show de Shakira, esse cenário se intensifica. Em março, a Embratur anunciou que 8.477 passagens aéreas internacionais foram reservadas para a semana do espetáculo, com destaque para turistas da Argentina, Estados Unidos e Europa. Isso aumenta a pressão sobre a rede de hospedagem da cidade, tanto a convencional quanto a de temporada.

Histórias de anfitriões, como a de Márcia Beserra, advogada e anfitriã na Zona Sul, ilustram essa realidade. Ela encontrou na hospedagem uma forma de complementar sua renda e divide a rotina de receber hóspedes com a filha. “Quando a cidade fica mais cheia, busco alinhar as regras e deixar tudo claro para o hóspede, o que facilita a convivência”, explica.

Fiamma Zarife, diretora-geral do Airbnb na América do Sul, afirma que essa mudança reflete uma nova maneira de fazer turismo no Rio. Segundo ela, a cidade tem uma capacidade única de acolher visitantes, e isso ocorre cada vez mais nas casas dos moradores. Para os viajantes, é uma oportunidade de vivenciar a cidade de forma mais autêntica, enquanto os anfitriões geram renda e participam desse processo.

Os dados do Airbnb mostram como o turismo no Rio de Janeiro se apoia cada vez mais nas residências locais, com mulheres, aposentados e anfitriões que não fazem dessa atividade sua única ocupação desempenhando papéis fundamentais. Em períodos de alta demanda, essa rede de hospedagem residencial se torna essencial para atender as necessidades dos visitantes.