Irã decide não reabrir Estreito de Ormuz após apreensão de dois navios

Por Rodrigo Pedrosa
23/04/2026 00h35

A tensão no Estreito de Ormuz aumentou após a Guarda Revolucionária do Irã interceptar dois navios mercantes que tentavam atravessar a passagem estratégica. O incidente ocorre em meio a um bloqueio americano aos portos iranianos e à suspensão das conversas de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

Nesta quarta-feira (22), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a reabertura do estreito está descartada enquanto o bloqueio americano persistir. A chancelaria iraniana, por sua vez, não se manifestou sobre a extensão do cessar-fogo, que foi recentemente prorrogado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para facilitar negociações.

A Guarda Revolucionária anunciou a apreensão dos navios, que foram considerados “infratores” das normas da República Islâmica. Segundo a corporação, as embarcações agora estão sob custódia em águas territoriais do Irã. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, esclareceu que a apreensão não infringe o cessar-fogo, já que os navios não eram americanos ou israelenses, mas sim internacionais.

O Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo e gás, foi reaberto em 17 de fevereiro, mas logo após a reabertura, o Irã tomou a decisão de encerrá-lo novamente após as tentativas de travessia dos navios. As autoridades iranianas ressaltaram que é necessário obter autorização para a entrada ou saída na região, onde 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos transitam em tempos normais.

Enquanto isso, Trump indicou a possibilidade de um novo ciclo de diálogos com o Irã nos próximos dias, conforme reportado pelo New York Post. A situação continua a ser monitorada, com desdobramentos que podem impactar diretamente a economia global e a segurança da navegação na região.