O Wall Street Journal destacou recentemente o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma facção criminosa brasileira, que já atua em quase 30 países. O grupo, que surgiu nos presídios de São Paulo na década de 1990, agora é comparado à máfia italiana, sendo considerado uma “potência global na rota da cocaína”.
Com cerca de 40 mil membros, o PCC se expandiu de um movimento inicial que buscava itens básicos para detentos, como sabonete e papel higiênico, para uma organização complexa e discreta, focada em negócios. Ao contrário de outros grupos criminosos, como os narcotraficantes mexicanos ou as milícias colombianas, o PCC evita ações que chamem atenção da polícia e da mídia, priorizando o lucro em vez da notoriedade.
O jornal também mencionou que a facção mantém uma rígida disciplina interna, com cerimônias de juramento que, em algumas ocasiões, ocorrem via videoconferência. Além disso, o PCC formou alianças com organizações como a ‘Ndrangheta da Itália, a Yakuza do Japão e gangues da Albânia e da Sérvia, facilitando o envio de grandes quantidades de drogas para portos na Europa.
Embora a Europa represente o mercado mais lucrativo para a cocaína do PCC, o grupo já é visto como uma preocupação significativa para os Estados Unidos. Autoridades brasileiras identificaram uma “divisão norte-americana” da facção, e o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou o PCC em 2021, congelando bens de associados em 2024.
Atualmente, o PCC é monitorado por autoridades em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, membros do grupo enfrentam acusações de tráfico de armas e fentanil. Diante do crescimento e da complexidade das operações do PCC, a polícia e promotores no Brasil pedem ao governo dos EUA que classifique a facção como uma Organização Terrorista Estrangeira.



